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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2017
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Muitas são atualmente as notícias que demonstram já não ser possível a existência da impunidade como muitos acreditavam; as criaturas, muitas delas conhecidas e ilustres, reconhecidamente responsáveis por procedimentos incorretos e nocivos à comunidade, já se vêem hoje a braços com a justiça por seus atos visivelmente contrários aos preceitos de ética, solidariedade, fraternidade e até de cidadania.

Muito provavelmente essas criaturas julgavam-se acima das leis humanas; acreditavam-se, e os acontecimentos pareciam lhes dar ensejo para isso, imunes a qualquer tipo de justiça, já que a justiça humana (ainda) é morosa e muitas vezes falha. Contudo, não sabem ou não querem saber que cedo ou tarde chegará o momento da verdade, aquela que sepultaram sob títulos pomposos, falsas honrarias, vultosas contas bancárias em paraísos fiscais, mansões e até castelos luxuosos – a que jaz lá no fundo de suas consciências entorpecidas pelo orgulho, pela vaidade, pela ambição.

Entretanto, a grande ilusão de estar acima de tudo e de todos, impunes ad aeternum, está se desmanchando qual bolha de sabão ao contato de um algo mais concreto, se despedaçando inteiramente qual taça de cristal arremessada contra a parede; mas essa ilusão, mesmo destruída, deixará lá no íntimo uma cicatriz profunda extremamente dolorosa e o remorso diante da certeza de que, lá no íntimo, sabiam que estavam errados...

A doutrina espírita é muito clara quando explica as leis naturais, que nada mais são do que as leis divinas, perfeitas, eternas e imutáveis como seu criador, Deus; quando afirma que só nos tornamos infelizes quando delas nos afastamos; quando, por exemplo, nos fala da lei de liberdade, de igualdade, do livre-arbítrio...

Sabemos que só pelo pensamento goza o homem de uma liberdade sem limites, porque o pensamento não conhece entraves; pode impedir-se a sua manifestação, mas não aniquilá-lo (LE q.833). Sabemos ainda que a consciência é um pensamento profundo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos (LE q.835) e, em assim sendo, goza igualmente de uma liberdade ilimitada, nada nem ninguém podendo impedi-la de se agitar dentro de nós...

Já sabemos também que, uma vez atingido o nível evolutivo de seres inteligentes da criação (LE q.76), conquistamos uma ferramenta valiosa para o nosso crescimento espiritual: o livre-arbítrio, pois que se tem o homem a liberdade de pensar, tem a de agir; sem o livre-arbítrio seria uma máquina (LE q.843). Portanto, chegados a este ponto, já não poderemos alegar ignorância e muito menos inocência. Chegamos ao que poderemos definir como “a idade do discernimento” e, por consequência, “a idade da responsabilidade”.

Esta sim, a responsabilidade, embora tão temida, embora tantos a ela se esquivem, é a nossa ferramenta maior, a que precisamos aprender a utilizar de forma correta, a fim de não nos ferirmos com ela; bem entendida e bem aplicada, é de capital importância para a construção da nossa estrada evolutiva de modo cada vez mais seguro e mais tranquilo. Somente a sua assunção plena e cada vez mais eficaz nos proporcionará a paz de espírito que todos buscamos, a felicidade íntima com que todos sonhamos.

No livro Relembrando Deolindo I, o Professor Deolindo Amorim, fundador do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, afirma com muita sabedoria: O Espiritismo não veio apenas para aliviar, consolar, como se diz constantemente: ele alivia e consola, não há dúvida, mas desperta, antes de tudo, o sentimento de responsabilidade.

Na Revista Espírita de março de 1869, Allan Kardec desenvolve um estudo muito interessante para nossa reflexão, cujo título é A Carne é Fraca – Estudo Fisiológico e Moral. Quantas vezes nós, humanidade, queremos descarregar sobre a nossa organização física a responsabilidade por algumas de nossas atitudes menos louváveis... Mas, o que se lê naquele estudo, particularmente em dado trecho, não nos deixa nenhuma dúvida quanto ao seu teor profundamente lógico e verdadeiro:

Com o ser espiritual independente, preexistente e sobrevivente ao corpo, a responsabilidade é absoluta (...) E o Espiritismo a demonstra como uma realidade patente, efetiva, sem restrição, como uma consequência natural da espiritualidade do ser. Eis porque certas pessoas temem o Espiritismo, que as perturbaria em sua quietude (...) Provar que o homem é responsável por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua liberdade é revelar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora de lei humana é o mais poderoso elemento moralizador”.

Então, companheiros de ideal, enviemos a esses irmãos as melhores vibrações possíveis a fim de que estejam preparados para o despertar de suas consciências, submetidas irrevogavelmente às leis de Deus.


Referências bibliográficas

O Livro dos Espíritos – questões 833, 835, 76, 843

Livro Relembrando Deolindo I

Revista Espírita março 1869

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