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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2017
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“É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade” (1).

“A educação é a arte de formar os homens, isto é, a arte de fazer eclodir neles os germes da virtude e abafar os do vício (...) Numa palavra, a meta da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais” (2).

Para entender o que o ainda Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail afirma, precisamos primeiramente distinguir INSTRUÇÃO e EDUCAÇÃO: instrução é transmissão de conhecimento de forma geral, cultura adquirida; educação é muito mais do que simplesmente acumular dados – educação é saber utilizar adequada e beneficamente todo conhecimento adquirido.

E o mesmo mestre, já então como Allan Kardec, esclarece: “o progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos (...) o progresso consiste, sobretudo, no melhoramento moral (...) muito mal pode fazer o homem de inteligência mais cultivada” (3). Assim, vemos personalidades de inúmeras cátedras e setores elevados de atuação envolvidas nos mais temerosos e inacreditáveis atos de desumanidade e de desrespeito às leis naturais, principalmente às de justiça, amor e caridade, base fundamental do relacionamento particular e social em qualquer escala.

Séculos antes de existência de Jesus de Nazaré entre nós, um conhecido sábio da antiguidade, Pitágoras, já recomendava: “vamos educar o menino para não punir o homem”; mais tarde, o irmão nazareno aconselhava: “faz ao outro o que queres que o outro te faça”; contudo, ainda agora não conseguimos aplicar essas recomendações tão claras e lúcidas... Ao analisarmos com imparcialidade as diversas situações em nossa vida, na dos que nos cercam e ainda na daqueles desconhecidos cujas ações são de interesse público, certamente conseguiremos perceber os comportamentos equivocados e as escolhas enganosas que a falta de educação gerou.

Mas o que é essa educação? Como educar para gerar progresso, sobretudo espiritual?

Espíritas que somos, já sabemos que toda criança que chega ao nosso convívio familiar é um espírito retornando para mais uma etapa reencarnatória evolutiva, com seu acervo e sua programação; já sabemos igualmente que, ao recebê-la, assumimos a responsabilidade de lhe oferecer o amor, o apoio e o esclarecimento necessários para seu crescimento físico, moral e espiritual, ajudando-a a se tornar uma criatura fraterna, justa e produtiva.

Nossa atuação começa muito cedo – na verdade antes mesmo da reencarnação; a proximidade psíquica e física daquele serzinho, particularmente com a mãe, proporciona oportunidade ímpar para o seu desenvolvimento equilibrado. A seguir, durante toda a primeira infância, a infância propriamente dita e a adolescência, cabe atento acompanhamento do seu despertar, principalmente quanto às tendências e faculdades que já traz consigo.

Além disso, não podemos nunca esquecer que o nosso exemplo individual é fator preponderante na educação, mesmo naquilo que possamos considerar “trivial” – exemplo: ao toque do telefone, tratando-se de alguém com quem não queremos falar naquele momento, dizer ao filho/a “diz que não estou”, estaremos ensinando a criança a mentir...

“Educar é, pois, elevar, estimular a busca da perfeição, despertar a consciência, facilitar o progresso integral do ser (...) O que se entende muitas vezes por educação é apenas o processo de integração da criança na sociedade, ou seja, é sinônimo de socialização (...) O homem se torna apenas o produto acabado de uma determinada cultura e de todas as suas mazelas sociais (...) Evidentemente, a educação tem um aspecto socializador, mas deve significar: 1) familiarizar a criança com a cultura e a organização social em que está inserida, desenvolvendo sua capacidade crítica, sua criatividade e sua autonomia de pensamento; 2) despertar na criança o sentido de justiça, solidariedade e amor ao próximo, porque esses são os valores essenciais para a formação de uma sociedade justa” (4).

A educação e a socialização equivocadas comumente suplantam os sentimentos fraternos e solidários que deveriam ser superiores aos anseios sensuais e materiais – fazem-nos, frequentemente, priorizar o imediatismo, o lucro e a vantagem pessoal a qualquer custo, mesmo quando nossa consciência dá um sinal de alerta, ainda que tênue; fazem-nos muitas vezes esquecer que essa existência é apenas uma etapa da nossa vida e de que mais adiante nos aguardam as respostas às nossas atitudes.

Consequentemente, tão somente a educação esclarecida e bem compreendida nos possibilita acesso seguro e tranquilo à estrada do verdadeiro progresso.

Fontes bibliográficas:

  1. Obras Póstumas – Credo Espírita – Allan Kardec
  2. Textos Pedagógicos – Hippolyte Léon Denizard Rivail (por Dora Incontri)
  3. Obras Póstumas – Credo Espírita – Allan Kardec
  4. A Educação Segundo o Espiritismo – Dora Incontri
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