pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2017
Compartilhar -

Na Quarta Parte de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec e a Espiritualidade esclarecida dissertam sobre Felicidade e Infelicidade Relativas, à questão 926 (1), em que Kardec pergunta se “a civilização criando novas necessidades não é a fonte de novas aflições”, a resposta é extraordinária: “Os males deste mundo estão na razão das necessidades artificiais que criais para vós mesmos”.

E outra coisa praticamente não fazemos, particularmente nos tempos modernos e contemporâneos, do que criar sempre novas e mais e mais necessidades que, se analisadas com isenção e imparcialidade, perceberemos nitidamente o excesso de chamadas “necessidades” sem as quais viveríamos muito provavelmente com mais tranquilidade e mais felizes.

São em geral os exageros de necessidades artificiais, como bem definiram os amigos espirituais, que levam o homem a tantos outros exageros que lhe custam, senão ainda nesta jornada, mas em futuro próximo, a paz de consciência, que é o pior dos tormentos a que uma criatura pode vivenciar. Na questão 973 (2) também de O Livro dos Espíritos, os Espíritos nos advertem que “não há descrição possível das torturas morais que constituem a punição de certos crimes”.

Compreende-se que em certos casos e com relação a certas coisas e certas situações a civilização acarreta efetivamente condições de vida diferentes das anteriores. Todavia, nada justifica que se perca o sentido do bom senso, do que realmente interessa, do que realmente é útil, do que realmente é necessário para se viver em concordância com a atualidade, desfrutando das melhorias que a modernidade oferece sem, contudo, afetar e/ou prejudicar o próximo e o equilíbrio geral, inclusive da Natureza.

Não nos esqueçamos de que tudo está interagindo, tudo está interligado e que, na verdade, o que fazemos de bom ou de mal nos atinge também, mais cedo ou mais tarde. As nossas escolhas e as nossas atitudes determinam sem apelação as consequências que teremos que enfrentar e as quais ninguém poderá arcar em nosso nome.

Voltando à questão 926, encontramos a mais impactante resposta dos Espíritos, a que mais nos intriga, que mais nos custa a entender e mais ainda a assimilar: “o mais rico é aquele que tem menos necessidades”!

No entanto, se pensarmos com vagar, refletirmos atentamente sobre esse ensinamento, veremos a sua profundidade e a sua indiscutível lógica.

Ter menos necessidades significa ter menos apego a coisas materiais, a títulos terrenos que nada valem para além do mundo físico, a prazeres sensuais transitórios que muitas vezes deixam feridas de cura difícil e dolorosa; significa enfim estar livre das conhecidas seduções e tentações que nos dão a ilusória sensação de felicidade, mas que nos aprisionam e retardam nossa marcha evolutiva.

E é por isso e mais ainda que seremos mais ricos ao termos menos necessidades – sobretudo as artificiais – ricos porque livres, ricos porque acima de ambições e aspirações desmedidas, ricos porque reconhecemos as possibilidades reais de atingir a felicidade relativa às condições evolutivas do momento reencarnatório.

Vemos atualmente criaturas que se locupletaram de valores e bens materiais sem que, no entanto, possam gozar de tranquilidade, que em realidade desconhecem o que é felicidade e paz de espírito.

Muitos hoje, e eu diria a maioria, já sabemos felizmente quais são os verdadeiros valores que temos que amealhar, sabemos que não são os que a traça rói, a ferrugem destrói, os ladrões roubam. Mesmo ainda incipientes e com reduzido conhecimento, já podemos avaliar o suficiente para melhorar nossas opções e traçar rumos mais seguros e serenos em direção ao anseio maior de toda a humanidade: a real felicidade, a que nos enche de plenitude e sabedoria, a que nos liberta em vez de nos aprisionar seja a que ou a quem for, a que nos permite amar sem amarras sejam quais forem, amar por amar, a felicidade que reside em verdade no imo do nosso ser e não em circunstâncias exteriores ou na dependência de outrem.

Nós espíritas, sobretudo, já sabemos, mediante a clareza, a assertividade e a transparência dos ensinamentos doutrinários, quais os valores morais que podem nos conduzir mesmo em meio a turbulências ao porto seguro da paz de consciência – felicidade maior a que o homem pode aspirar.

 

Fonte bibliográfica

  1. O Livro dos Espíritos, Kardec q926 – 2) q973 de Allan Kardec
Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado