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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2018
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“Para construir um mundo novo precisamos de um homem novo”.

É com essa frase que um grande e ilustre espírita, José Herculano Pires, inicia um dos capítulos de seu livro O Homem Novo. E relendo esse texto, achei-o extremamente apropriado para o momento, com a chegada de mais um novo ano no calendário terreno, assim como também para o momento que atravessa a humanidade, momento de transição e de construção de um mundo novo.

É secular, milenar mesmo, a expectativa de melhorias em todos os sentidos que colocamos na simples mudança de uma data, data essa determinada por um grupo de criaturas em função de interesses específicos, relativos a cada cultura, a cada religião e assim por diante...

Fazemos uma grande festa, uma grande comemoração, nos engalanamos, de um modo ou de outro, escolhemos a roupa, a comida, a bebida, para nos despedirmos do ano que se finda e recebermos o ano que se inicia.

Contudo, nessa ocasião, será que nos despedimos do “homem velho”, aquele que vimos arrastando ano após ano, século após século, vida após vida? Será que reservamos uns momentos de reflexão para observar aquele que chegou até esse ponto depois de tanto caminhar, de tantos atropelos, de tantas quedas e de tanto levantar, praticamente sem sair do lugar, apesar das incontáveis mudanças de datas?

Nessa ocasião, será que nos lembramos da reflexão proposta por Santo Agostinho, ou até mesmo pela canção “então é Natal, e o que você fez, o ano termina e nasce outra vez”?

Queremos sempre muitas mudanças, em todas as áreas, em todos os campos, em situações e circunstâncias, esquecidos tantas vezes de que essas almejadas e ansiadas mudanças começam em nós e nós é que as promovemos, de dentro para fora, ou seja, em nós para o mundo para que este então, sim, mude, se transforme, se remove...

Mas a verdade é que, nessa altura de nossa jornada, já sabemos disso; já não podemos alegar ignorância quanto a esse fato, porque é efetivamente um fato. Tanto as ciências humanas quanto a ciência espiritual e todos os seus multimilenários ensinamentos e esclarecimentos nos têm alertado e advertido quanto à necessidade dessa reflexão, profunda e sincera, sem desculpismos ou justificativas na realidade infundadas.

A proposta que devemos fazer a nós mesmos provavelmente seria a de retirarmos, sem medo, todos os enfeites e adornos ilusórios que criamos para nós, enfeite como por exemplo o “amor próprio” que em geral esconde o orgulho, sem confundir esse amor próprio com o amor a si mesmo recomendado pelo Mestre Jesus; adorno como por exemplo “esmero e cuidado acurado” camuflando a vaidade excessiva; ou a alegação de “economia para maus tempos” para justificar a avareza. Enfim, tantos outros que criamos no decorrer das eras que só cada um de nós pode detectar em si mesmo, e nem sempre...

E então, uma vez despidos das falsas ilusões e finalmente dispostos a aceitar e enfrentar o “conhece-te a ti mesmo”, nos perguntarmos quem sou, o que preciso mudar, corrigir, eliminar a fim de ser aquele que eu verdadeiramente devo ser, aquele que carrega em si a luz crística, aquela referida por Jesus quando disse “deixai brilhar a vossa luz”.

E aí sim, nos despedirmos do homem velho, do ano velho, e abrirmos os braços e o coração e sobretudo a alma para um homem novo e um novo ano, onde o que brilhará não são os fogos de artifício, mas a luz interior de cada um de nós, resplandecendo em nossos olhos, em nossos propósitos renovados e em nossas atitudes criteriosas e conscientes.

Amigos, irmãos de ideal, e não me refiro apenas ao ideal espírita, mas a todo ideal de paz, fraternidade e justiça, vamos nos empenhar em fazer de cada um nós aquele que, renovado e confiante nas leis naturais e nos sábios desígnios da Providência, seja “a mudança que quer ver no mundo” como recomendou um grande homem novo, Gandhi.

Feliz 2018 a todos!

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