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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2018

Sobre o autor

Iris Sinoti

Iris Sinoti

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“Consegui! Consegui! Enfim encontrei a Alegria!”, foi assim jubiloso que Beethoven anunciou o término da IX sinfonia, uma das suas mais belas composições, a extraordinária Ode à alegria.    

Tenho observado por todos os ambientes que transito uma peculiaridade: a alegria não tem comparecido na maioria deles. Claro que isso me fez questionar qual seria a causa dessa ausência. É provável que, para algumas pessoas, a própria história de vida seja a causa, nem todas as famílias sabem lidar com seus momentos de alegria e as crianças que ali crescem não conseguem registrar esses momentos como importantes, não se criando uma memoria emocional como o sentimento que envolve o acontecimento. Ou ainda, por nossas experiências de castração passamos a ter vergonha de demonstrar que estamos alegres e nutrimos as “caras fechadas”, pois assim pareceremos pessoas adultas, maduras e sérias...

Mas somos do país do carnaval... A extroversão quase imposta no comportamento do brasileiro não é sinônimo de que sabemos lidar com nossas emoções, o que termina na comum confusão de que extravasar é a mesma coisa de estar alegre. Não, não é! Adaptamo-nos e isso pode nos convencer de que somos alegres, ou ainda que aqui ou ali não seja lugar para sorrisos fartos, então deixamos a alegria para outro momento. E extravasamos emoções descontroladas, que muitas vezes saem agressivas e violentas.

Uma outra questão muito comum é a confusão entre alegria e prazer, o que gera um desperdício muito grande de energia, afinal não é difícil abrir-se mão do que necessitamos pelo que desejamos no momento. Não estaríamos todos nós acelerados demais para percebermos os nossos momentos alegres? Os registramos e postamos, só não os estamos vivenciando, e a consequências dessa displicência afetará a construção da felicidade.

A alegria é inata a todos nós, o nosso DNA é preparado para experimentarmos o esplendor da vida, o nosso corpo já é constituído para ser um templo pronto para a vivência da felicidade. A alegria é tão importante para nossa vida e desenvolvimento que cientistas de Harvard descobriram que ela pode ser transmitida entre as pessoas, e uma vez contagiada pela alegria é possível continuar essa “contaminação” por muito tempo e para muitas pessoas, o que é muito diferente da tristeza, sem contar que os cientistas também apontaram que, geralmente, as pessoas que se sentem bem vivem mais.

Em recente pesquisa professores de Harvard chegaram às seguintes conclusões para uma vida plena de alegria:

  1. Perdoar os fracassos – é preciso dar-se o direito de ser humano, ou seja, iremos fracassar e cometer erros o que fará a diferença será a nossa capacidade de praticar o perdão e o autoperdão.
  2. Ser realista, pois as “coisas boas” não são garantidas – não podemos acreditar possuir méritos sem termos exercido o esforço por merecê-lo.
  3. Praticar exercícios físicos – não é virar atleta, mas a prática de 30 minutos diários já é o suficiente para que o cérebro secrete endorfinas geradoras da sensação de prazer.
  4. Simplificar a vida – descubra o que é realmente importante na vida e se concentre nisso.
  5. Aprender a meditar – meditar é excelente para diminuir o estresse, ajudando a superar as armadilhas da vida.
  6. Ser resiliente – ser feliz está diretamente ligado ao estado mental de cada um, assim, a capacidade de enfrentar as circunstâncias adversas da vida estará sempre relacionada à leitura que fazemos das situações.

Permitir-se viver alegre pode revolucionar a vida. Assim, viver em estado de alegria significa que se está conectado com a vida, experimentando o momento e saboreando o instante, desfrutar uma construção que exigiu tempo, o tempo da alegria.

Na necessidade de respostas e resultados imediatos estamos esquecendo do tempo necessário para que tudo em nossas vidas possa florescer, inclusive nós mesmos.

Afinal, é melhor ser alegre que ser triste...1


1 Poesia e música de Vinícius de Moraes

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