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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Bastaram os primeiros dias do Mestre na seara de Sua missão, para que Seus irmãos se unissem com a finalidade de atirar-lhe ao abismo, sob a alegação de ter perdido a alma. Ato covarde, invejoso e fanático. Demonstrando, definitivamente, que os golpes do camartelo da violência e hediondez seria ocorrência constante e prevista no caminho dos seguidores do Mestre, diante da tarefa de consolar corações e divulgar a mensagem divina.

Em seguida, bastou o concurso de pouco tempo mais, e fora procurado por Publiu Lêntulu, senador romano, o qual respondia diretamente a César. Após breve, porém inesquecível, conversa com o Cristo, teve a filhinha curada da hanseníase, o que o humilhara diante dos pares romanos. Contudo, o orgulho costuma esconder a gratidão e o benefício colhidos, e, tendo o processo da acusação do Mestre em mãos, permitiu que seguisse a Pilatos para a já prevista condenação aos tormentos da cruz.

Não suficiente, foi identificado junto aos soldados graças ao beijo da traição de um dos seus; Recebeu as bofetadas proferindo pérolas angelicais; Diante da violência, atendeu cravando o próprio rosto no sudário e distribuindo ainda outras bênçãos no caminho do Gólgota; Consolou a mãe e o discípulo do coração diante da dor extrema; Curou, com o próprio sangue a visão do soldado que lhe estocara ao coração com lança impulsionada pela crueldade; Rogou perdão a todos, intercedendo diretamente a Deus pelos que lhe sacrificavam; e, finalmente, liberto do corpo físico, acorrera diretamente para o socorro a Judas, agora na condição de suicida.

Aquele que decidir-se fielmente a plantar as flores do Evangelho nos corações fragilizados, certamente será alcançado pelos espinhos da inveja e da ingratidão; os seguidores fieis enfrentarão o obstáculo e a resistência, diante da tarefa do amor, a qual se entregam com doce alegria e gratidão. Não serão retiradas do caminho do servidor fiel as barreiras que as próprias forças possam remover, ainda mais se tal esforço contribuir para o concurso da respectiva fé.

A mensagem clara do Mestre já alertava sobre a cruz obrigatória a todos os seguidores, talvez não deixasse explícito que tal cruz tivesse, em sua forma, na maioria das vezes, a face dos companheiros de jornada ou ainda daqueles que se deseja beneficiar, tal como ocorrera com o Cristo.

Chico Xavier fora incompreendido e abandonado por seus familiares; Kardec, traído na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; Divaldo, por inúmeras vezes recebeu a acusação indébita. História que se repete e servirá como a argamassa na fortaleza do desenvolvimento da persistência individual, nas lides do bem.

A espiritualidade permitirá o assédio obsessivo aos trabalhadores do Cristo, sempre foi assim, contudo, não retirará, em momento algum, a oportunidade sagrada do trabalho bendito, para que, apesar dos golpes sofridos, não se proceda a desconexão com o Cristo e nem se desvie o foco dos objetivos maiores de elevação da alma e acolhimento dos corações em sofrimento.

Portanto, não se surpreenda com as línguas insensatas, justamente no instante em que a tua tarefa enverede pelos caminhos do propósito a que desejas. Não desanimes quando rostos amigos se converterem em cruéis críticos, e nem mesmo quando encontrardes a acusação e a raiva nas faces em que, em momentos anteriores, te sorriam espontaneamente. Tais provas, por mais que incompreensíveis, são previstas, e serão o termômetro verdadeiro que tua tarefa prossegue com a concordância celeste.

Ouve a todos, analisa as críticas sob o escrutínio da obra Kardequiana e da verdadeira intensão dos teus sentimentos e propósitos, entende as razões do teu coração para não adentrardes tu mesmo ao bolsão dos que exercem o freio ao êxito das tarefas fraternais.

Se necessário, reconhece o erro, muda a tua atitude, reconcilia-te com teu amigo de jornada e recomeça alegre e renovado aos planos do Senhor, aguardando, em tua vez, a cruz que haverá de te chegar.

Recolhe-te e ora, reflete e medita, levanta-te e ama.

Os trabalhadores do Mestre se conhecerão por muito se amarem – João 13:35.

Paz a todos.

 

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