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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2018

Sobre o autor

Iris Sinoti

Iris Sinoti

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Vivemos momentos da atualidade que acredito ser de importância analisar o nosso comportamento, pois se estamos em uma proposta de crescimento à autoanálise é indispensável e urgente.

Quase todos nós queremos ser, de alguma maneira, especiais e também queremos e desejamos que nossa singularidade tenha lugar no mundo. A questão é que muitas vezes esse desejo é apenas do ego, que adoecido se apresenta cada vez mais pretencioso e exigente.

Tenhamos como exemplo as questões da aparência: a insatisfação é tamanha que se chega ao absurdo de mutilar o próprio corpo para parecer com determinado modelo ou atleta, que muito provavelmente também já mutilou o corpo. Infelizmente, não é motivo de “orgulho” mostrar no corpo as marcas das experiências da vida, dos anos vividos, da sabedoria adquirida. O estranho nesse comportamento é que não encontraremos singularidade na uniformidade, pois a busca pelo padrão de beleza, por exemplo, não irá satisfazer a nossa busca natural, sermos reconhecidos e amados como indivíduos.

Curioso que a palavra “Indivíduo” tem sua origem do latim, em Individuus, que significa indivisível, que não pode ser dividido. Então, ao fazermos nossa autoanálise, precisamos nos perguntar se realmente entendemos o significado dessa palavra e principalmente se direcionamos a nossa vida para nos tornar esse ser indivisível. Na obra O Despertar do Espírito, no cap. 1, Joanna de Ângelis nos alerta: “A vida em sociedade não pode expulsar o interesse da busca da individuação de cada um dos seus membros, tornando-os confusos e padronizados em uma escala comum”. 

Outro fato curioso diz respeito a nossa capacidade perceptiva, pois a nossa percepção é ativada pela diferença. Só reconhecemos a luz porque também conhecemos a escuridão, só buscamos o belo porque existe o menos belo para compararmos, porém, o que acontecerá se nos tornarmos padronizados, com o mesmo cabelo, corpo, sorriso...? Provavelmente o primeiro incômodo será a dificuldade de nos distinguirmos da multidão, o segundo, talvez, será chegar à conclusão que nada teremos de singular.

E retornando aos ensinamentos da Mentora: “Normalmente, o indivíduo toma como padrões e procura assemelhar-se àqueles que lhe parecem melhores, verdadeiros modelos, esquecendo-se de que se torna impossível conseguir resultados positivos nesse tentame, porque à medida que imita outros perde a identidade...”1. Quem somos nós que ainda nos buscamos fora? Quem seremos nós se continuarmos buscando nos encontrar onde nunca estivemos?

É preciso que nos esforcemos muito para adquirirmos consciência de quem somos, do que queremos e do que viemos fazer no planeta. E esse esforço é individual e intransferível, e se não tomarmos as rédeas e a responsabilidade da nossa vida, o nosso processo de individuação pode ficar muito comprometido, pois a onda do conformismo e do comodismo ainda podem ser muito atraentes e viciantes.

Só aceitando a própria singularidade que o homem e a mulher poderão conviver na sociedade sem perder a sua identidade, só acreditando-se como ser único será possível não se permitir arrastar pelas facilidades e pelas falsas promessas de amor e reconhecimento. Só reconhecendo o nosso elevado valor como INDIVÍDUO poderemos transformar as vidas, incluindo principalmente, a nossa!

Pois, “A verdade é simplesmente que aquilo que devemos saber virá de dentro de nós. Se pudermos alinhar a nossa vida com essa verdade, não importa quão difíceis os desgastes do mundo, sentiremos um efeito benéfico, esperança e vida nova”2.


1 Joanna de Ângelis - Vida: Desafios e Soluções, cap. 7

2 James Hollis

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