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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2018
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Concepção e entrelaçamento com o Espiritismo

Para irmos a um local desconhecido geralmente buscamos previamente orientação, referências, explicações, algo capaz de nos situar, motivar, despertar o interesse para a deslocação, desfrute e retorno.

Quando pretendemos entender um assunto desconhecido, também é preciso defini-lo, saber para quem serve, o que oferece e como proceder para extrair dele os proveitos.

Se a intenção é conhecer o tema inclusão, o primeiro entendimento deve ser então que ela não dissocia deficiência e diferença. Logo, envolve modificação em nossa conduta e atitude no modo de perceber o próximo e a nós mesmos.

Mais ainda: inclusão é processo construído conjuntamente, solidário, eficiente e favorece o sentimento de pertencimento ativo de alguém ao grupo. Isto porque respeita a singularidade e peculiaridades, possibilita a convivência entre as pessoas sem a tentativa de anular suas diferenças ou de encaixá-las em modelos e improvisos.

Esta a razão dela não ser confundida com integração, a qual provoca mudanças unilateralmente, de modo isolado, estanque, modelado, à espera exclusivamente da adaptação de quem chega para sua normalização.

Portanto, um ambiente só é inclusivo quando pessoas que nele se encontram são includentes, disponíveis, abertas ao exercício da empatia. Digamos seja atitude de espíritos amadurecidos na consciência e responsabilidade.

Inclusão não se refere somente ao acolhimento de alguém com deficiência (seja alteração ou comprometimento de longo prazo, de natureza orgânica, motoras, sensoriais, intelectual). Ela também se relaciona a pessoas com altas habilidades, com transtornos globais do desenvolvimento (como o espectro autista), enfim aquela com mobilidade reduzida que, por qualquer motivo, apresenta alteração ou redução efetiva da mobilidade, da coordenação motora, da flexibilidade ou de percepção (como o idoso, gestante, lactante/criança, obeso, analfabeto...).

O importante é entender e aceitar que, em todas as condições, existe a possibilidade de desenvolvimento por vias alternativas, protagonismos, peculiaridades, contradições, e singularidades, evidenciando que a deficiência e a diferença são apenas características da condição humana.

Tudo até aqui mencionado está intimamente conectado à mensagem evangélica e à proposta do espiritismo. Portanto, o fundamental não é considerar a pessoa com deficiência/diferença apenas como alguém em prova ou expiação, como todos na terra, e sim com a oportunidade de melhoramento moral e intelectual: é um ser de possibilidades, espírito em evolução tão aprendiz da vida quanto os demais.

Relativamente a acessibilidades, esta é uma palavra multifacetada, plural na sua concepção, que abrange mais do que a construção, desenho e organização de rampas ou recursos arquitetônicos pontuais. Ela vai além: os meios e espaços precisam ser seguros, adequados, saudáveis e agradáveis para utilização por todos.

Neste sentido, a informação e os serviços também devem ser disponibilizados em diversos formatos para que todos possam compreendê-los, usá-los e usufruir deles de forma mais independente e autônoma possível. Igualmente, busca suprimir barreiras ambientais e atitudinais desde uma edificação, transporte ou interação social.

A perspectiva "acessibilidades", portanto, implica um ser acessível, inclusivo, que se preocupa em Desconstituir preconceitos, estigmas, marcas, estereótipos e discriminações, pela sensibilização e conscientização das pessoas em geral e da convivência/interação na diversidade humana; eliminar barreiras na comunicação interpessoal (escrita, desenhada, falada e virtual (digital). Por isto, representa os caminhos para a inclusão.

Inclusão e acessibilidades, como processo único plurifacetado, é, pois, importante sinalizador para nossa análise atitudinal e moral rumo ao mundo de regeneração almejado por todos, em consonância e sintonia com os princípios doutrinários do espiritismo.

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