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Vamos começar este artigo contando uma história. Dizem que, no século XIX, no Sul dos Estados Unidos, um professor progressista de biologia ensinou em uma de suas aulas a teoria de Darwin. Os alunos chegaram à casa e contaram a seus pais a aula que tiveram. Os pais, puritanos e fundamentalistas, raciocinaram do seguinte modo: A Bíblia diz que Deus criou o homem sua imagem e semelhança; ora este professor está dizendo que o homem descende do macaco, logo está chamando deus de macaco. Feito este silogismo, os pais foram à escola e exigiram que o professor fosse despedido. O professor não aceitou deixar o colégio e impetrou uma liminar para garantir a sua presença. No julgamento da liminar o juiz interrogou um dos pais e lhe perguntou:

- O senhor acredita na Bíblia?
- Sim.
- Em tudo que ela contém ou só em algumas coisas?
- Em tudo.
- O senhor acredita que o profeta Jonas foi engolido por um grande peixe de depois cuspido em uma praia são e salvo?
- Sim?
- Por quê?
- Ora, porque está escrito.
- Meu amigo, se estivesse escrito que foi Jonas quem engoliu o peixe, o senhor acreditaria?- Se estivesse escrito, eu acreditaria.

Penso que, com uma pessoa assim, não há o que conversar ou argumentar, pois se trata de um sistema fechado em que nada contrário a este sistema pode penetrar. Esse tipo de crença que abre mão do óbvio, do fato, da evidência em função de algum tipo de informação proveniente de uma fonte, supostamente, confiável, é relativamente perigosa. No Evangelho de Marcos (XVI: 18) diz-se que um dos sinais do verdadeiro cristão é manipular serpentes venenosas sem nada lhes acontecer. Um pastor americano de nome George Hansley da Carolina do Sul, passou a levar cascavéis para as suas igrejas, fazendo com que os répteis passassem de mão em mão.

Tempos depois o próprio pastor foi morto, picado por uma das cobras que ele manipulava. Esta prática, infelizmente, continuou em várias igrejas sulistas, causando outras mortes. Tais pessoas se expõem e morrem por palavras que, por certo, Jesus não disse, mas que estão escritas. O Apóstolo Paulo nos recomenda ler de tudo e recolher o que é bom e a tirar o espírito da letra e estes são excelentes conselhos.

Felizmente, o racionalismo da Doutrina Espírita impede em nosso meio situações como estas. O espírita acredita não apenas porque leu ou porque ouviu de uma pessoa que ele considera respeitável, mas porque meditou, refletiu, examinou o conteúdo da mensagem e chegou à conclusão que se trata de algo lógico, sensato, ou mesmo razoável e, principalmente porque está de acordo com o que nos ensinam os Espíritos da Codificação.

Publicado no Jornal Correio Espirita edição 32 de Fevereiro de 2008

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