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Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Terminada a pesquisa do censo 2010, e mesmo não sendo especialista na área, já é possível perceber a relevância no aumento de alguns índices diretamente associados aos valores e a maturidade social. O número de divórcios por casamento, por exemplo, teve nos últimos 10 anos considerável aumento em todos os Estados, sendo que em alguns, como São Paulo, o aumento ultrapassou os 100%, ou seja, mais que dobrou. Independente da posição individual quanto às recentes leis, as quais facilitam o processo de separação de casais, é importante debater o assunto, sem interferências preconceituosas ou puritanas.

Inicialmente, para não gerarmos qualquer forma de prejulgamento, analisemos se o divórcio é de alguma forma contrário à lei de Deus. Temos no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XXII e item 5, os seguintes comentários, os destaques em negrito são meus: [não constam os negritos aqui... se você não conseguir conversar com o autor a tempo, simplesmente exclua o que marquei em vermelho, ok?]

"O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus..."

Também poderemos recorrer ao Livro dos Espíritos a auxiliar-nos nesta conclusão, na pergunta 697.

Chegamos à conclusão de que o divórcio em si, a dissolubilidade do casamento, não é contrária a lei de Deus. Tal pensamento, da indissolubilidade do casamento, bastante cultuado por diversas religiões através de jargões do tipo "Não separeis o que Deus Juntou" ou "Até que a morte os separe", trazem a muitos a crença e o consequente desespero similar ao de uma condenação, no caso, da obrigatoriedade de permanecer ao lado de alguém indesejado pelo resto da vida. Analisemos a pergunta número 940 do LE acerca do assunto:

Nota 2. Livro dos Espíritos - Questão 940:

Não constitui igualmente fonte de dissabores, tanto mais amargos quanto envenenam toda a existência, a falta de simpatia entre seres destinados a viver juntos?

"Amaríssimos, com efeito. Essa, porém, é uma das infelicidades de que sois, as mais das vezes, a causa principal. Em primeiro lugar, o erro é das vossas leis. Julgas, porventura, que Deus te constranja a permanecer junto dos que te desagradam? Depois, nessas uniões, ordinariamente buscais a satisfação do orgulho e da ambição, mais do que a ventura de uma afeição mútua. Sofreis então as consequências dos vossos prejuízos."
Não pensemos nós que o fanatismo religioso, conectado a indissolubilidade do casamento, é exclusividade de outras religiões, lembro-me perfeitamente de ouvir de uma espírita, portanto mulher e também coordenadora de cursos, de que não importava a provação sofrida no casamento, era necessário resistir. A nossa irmã certamente não conhecia os problemas da violência doméstica e "drogatização" do cônjuge. Tais afirmações passam muito mais pela falta de conhecimento espírita e radicalismo religioso do que por falta de caridade.

É bem claro que não devemos banalizar o casamento. As relações desfeitas, especialmente as geradoras de prole, deixam sempre resquícios e traumas. Prejuízos difíceis de serem revertidos. No entanto, quando tentativas suficientes e sem sucesso já foram colocados em prática, é necessário avaliar se a relação em vigor deverá ser desfeita. Naturalmente, o divórcio torna-se mais complexo quando existem crianças ou adolescentes envolvidos. Importante, por maiores as mágoas, termos o equilíbrio bem balizado como auxílio a evitar traumas e inseguranças nos filhos. É muito comum as crianças culparem-se pela separação dos pais, portanto, a conversa e o esclarecimento com estes torna-se imprescindível. Atitudes de desmoralização mútua, desejando vingar-se através dos filhos, só levarão ao sofrimento destes. Ambos os ex-conjuges devem ter a consciência da responsabilidade perante os filhos, a ciência de que divórcio é bem diferente de abandono.

Difícil decisão a ser tomada. Devemos buscar a inspiração através da oração e conselhos dos bons espíritos. Ainda não estamos preparados para termos os parceiros perfeitos, pelo simples fato de ainda não o sermos. Necessitamos do casamento como forma reeducativa através do amor, tolerância e principalmente paciência. No entanto, devemos ter a segurança e o equilíbrio para avaliarmos possíveis e necessárias mudanças. Sem preconceitos, julgamentos ou fanatismos religiosos, o divórcio é possibilidade do recomeço, uma nova oportunidade na busca da felicidade.

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