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Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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Muitas vezes interpretada como valentia, agressividade ou violência, devido à predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual, a coragem é uma energia moral que, disciplinada, transforma-se em força de vontade. Quando somos impulsionados pela coragem, reagimos às dificuldades e às dores inevitáveis do mundo e controlamos o medo nos instantes mais assustadores, desobstruindo nosso caminho.

Ter coragem não é estar isento de medo, porque o medo é uma das maiores emoções da alma. Ser corajoso é não nos deixarmos comandar por ele; é idealizar nosso sonho e não desanimar até que ele se concretize, sem nos importarmos com os obstáculos. Corajoso é ser feliz neste mundo de expiações e provas, que nos pede a evolução por meio do reajuste e a erosão de nossas mazelas.

Ao nascermos, trazemos esta inscrição na consciência: para frente e para o alto. É a lei do progresso. Com dificuldade para entender essa diretriz divina, acabamos nos perdendo nos desvãos do caminho, como a Alice, personagem de Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas, que indaga ao gato de Cheshire qual o caminho a seguir em uma bifurcação. Ao que ele lhe responde com outra pergunta: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei! Então o gato retruca: Se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve.

Assim somos nós: ficamos perdidos, sem coragem e sem saber para onde ir. Idealizar, planejar e realizar é o roteiro do sucesso. Querer, saber e amar são as palavras-chave para a nossa felicidade. Mas nessa ordem. Em primeiro lugar, o querer, pois ele determina nossa escolha; o saber é muito importante, porque sem ele não podemos construir nossos passos, e o amor é o mandamento maior, que nos conduz ao caminho do bem.

A coragem, ao ser estruturada pela disciplina em vontade, adquire o poder de decisão, que é o querer. Coragem também é fé, pois a fé é a vontade de querer. São três palavras importantes em uma só.

Coragem têm os cientistas, que repetem centenas, milhares de vezes, uma experiência, na certeza de que chegarão à descoberta benéfica para a humanidade. Thomas Edison tentou mais de mil vezes a invenção da lâmpada incandescente. Quantas noites sem dormir e quantos dias sem comer, até iluminar a Terra e nos legar 1.093 inventos patenteados, e tornar-se o maior inventor de todos os tempos!

Louis Pasteur, que revolucionou a ciência com a descoberta das doenças microbianas, trabalhava para identificar as bactérias causadoras de doenças, quando sua querida filha Raquel adoeceu. Deixou-a no leito e foi para o laboratório continuar as pesquisas. Ao receber a notícia de sua morte, respondeu: Se ela morreu, que posso fazer? Preciso continuar trabalhando para aqueles que estão vivos.

Coragem tiveram os grandes vultos da ciência, da filosofia, da religião e de todas as áreas do conhecimento humano, para trazer-nos o progresso. Seria dispendioso e até impossível identificá-los, porque muitos ficaram anônimos, passaram despercebidos pela história da humanidade.

Exemplo disso é Joana de Cusa, velha discípula de Jesus, a respeito de quem o Espírito Humberto de Campos nos fala, no livro Boa Nova, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Por ser cristã, foi amarrada ao poste do martírio no circo romano, no ano 68 d.C., para ser queimada viva, juntamente com seu filho, que, desesperado, lhe dizia, entre lágrimas: “Repudia a Jesus, minha mãe!... Não vês que nos perdemos?! Abjura!... por mim, que sou teu filho!...” Possuída de força sobre-humana, a viúva de Cusa contemplou o filho ensanguentado e, fixando no jovem um olhar profundo e inexprimível, na sua dor e na sua ternura, exclamou firmemente: “Cala-te meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício...” Em poucos instantes, as labaredas lamberam-lhe o corpo envelhecido e o de seu filho.

Joana de Cusa hoje é o Espírito Joanna de Ângelis, que tem a sublime missão no Espiritismo como mentora de Divaldo Pereira Franco, esse grande apóstolo de Jesus. Juntos, divulgam o Espiritismo em todos os continentes do nosso planeta, em um trabalho de amor e de coragem.

Emmanuel relata, no livro Ave, Cristo!, vários casos de coragem de Espíritos que, apesar de passarem anonimamente pela Terra, contribuíram para a implantação do cristianismo. O escravo cristão de nome Rufo servia em uma chácara cujo senhor, Taciano, era adepto da deusa Cíbele, mãe dos deuses romanos, e por isso foi obrigado a renegar Jesus e a render graças à Divina Cíbele. Rufo não aceitou. Foi açoitado, preso e, amarrado no rabo de um potro selvagem, teve seu corpo despedaçado, diante da mulher e das filhas, que imploravam para que ele se salvasse. Posteriormente, no dia 1º de maio de 1880, reencarnava em Sacramento, Minas Gerais, como Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade.

Jesus, o Maior Intérprete da Coragem, nosso guia e modelo, que, sem precisar e sem merecer, deixou-se imolar na cruz do sofrimento, ao ser interrogado por Anás, foi esbofeteado por um dos guardas e reagiu dizendo: “Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que me feres?” Em outro momento, convidando-nos à coragem, disse:No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo: eu venci o mundo.”

Muita paz!

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