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Aparentemente não existe uma relação muito forte entre a religião e a prática dos esportes, pois o esporte é, por sua natureza, uma atividade mais física do que espiritual. Acontece, porém, que em muitas oportunidades encontramos relações entre essas duas formas de comportamento. Depois de um jogo de futebol, por exemplo, um jogador diz mais ou menos o seguinte: “Fui abençoado quando fiz aquele gol”; “Deus ajudou nosso time e por isso vencemos”. Ora, se Deus ajudou o time vencedor, não ajudou o time perdedor e assim somos levados a acreditar que Deus não é imparcial, pois favoreceu um time em detrimento do outro.

Em virtude da maioria dos jogadores de futebol terem vindo de camadas populares, em que a religião exerce uma ação bastante forte, às vezes quase sufocante, eles costumam, antes de entrar em campo, fazer preces de mãos dadas pedindo auxilio do Deus de sua religião. Quem vê jogos de futebol pela televisão já viu diversos atos de fé durante um jogo. Antes de a bola rolar, o goleiro costuma fazer preces - inclusive, em casos mais raros, de joelhos. Quando um jogador faz um gol, costuma sair correndo com os dedos para cima apontando o céu. Não posso afirmar que ele esteja agradecendo pelo gol, mas pela expressão facial e pelo fato de apontar para o céu, parece claro que ele está agradecendo pelo gol. Há casos também em que o jogador substituído, ao deixar o campo, persigna-se, isto é, faz com a mão direita, cruzando o rosto, o popularmente chamado ‘sinal da cruz’.

Como estamos vendo, a religiosidade popular existe dentro das chamadas quatro linhas e os jogadores parecem acreditar que a religião vai ajudá-lo a ter uma boa performance durante o jogo. A isto podemos chamar, em alguns casos, de superstição e, em outros, de ato de fé. Neste caso, a fé é um forte ingrediente que pode auxiliar o melhor desempenho de um atleta.

Não faz muito tempo, no jogo Brasil x Paraguai, houve um total de quatro pênaltis perdidos, o que não é usual de modo algum. Não teria Deus deixado de ajudar o Brasil para ajudar o Paraguai? Por certo que não. Costuma-se dizer que pênalti é loteria, isto é, que depende da sorte. Os críticos, em geral, preferem dizer que pênalti não é questão de sorte, mas de competência.

Nesse caso especial, porém, podemos fazer uma pergunta: estavam os jogadores imbuídos de algum sentimento de fé quando foram bater o pênalti? Que eu me lembre, não vi em nenhum deles, nem antes nem depois de perder o pênalti, comportamentos indicativos da fé religiosa. Assim, os pênaltis foram perdidos muito mais por inabilidade dos batedores do que por uma intervenção divina. Há, porém, que se considerar uma outra forma de fé: a fé em si mesmo, nas suas próprias potencialidades, que não é necessariamente uma oposição à fé religiosa. A fé em si mesmo é a crença em que eu quero, devo, posso e vou conseguir. Daí dizer-se que este tipo de fé não se opõe à fé religiosa, embora seu objeto seja o próprio individuo e não a divindade.

Em toda a nossa vida, a fé ocupa um espaço considerável, tanto a fé religiosa quanto a fé subjetiva que vamos chamar, por falta de outro termo, de fé psicológica. Jesus considerava a fé tão importante, que deixou frases famosas sobre sua importância, como: “Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis àquela montanha que ela se arrede e ela se arredará”; “Se tiverdes fé e guardardes os meus mandamentos, fareis o que eu faço e muito mais.”.

Jesus engloba nestas palavras ambas as formas de fé, porque se nós tivermos apenas a fé em Deus, mas desacreditarmos de nós mesmos, das nossas possibilidades, da nossa coragem perante a vida, é possível que não atinjamos os objetivos desejados. Por outro lado, se nós tivermos fé apenas em nós mesmos e não em Deus, podemos nos tornar pessoas arrogantes, e isso não é bom.

Voltando à questão do futebol, seria interessante lembrar que alguns times em momentos de crise costumam apelar para o mundo invisível. O Flamengo, que tem como padroeiro São Judas Tadeu, em momentos de crise, costuma ir com seus jogadores e diretores à igreja do santo para pedir proteção. Inclusive, salvo engano, um dos padres da igreja torcia pelo Flamengo e, algumas vezes, chegou a ir à Gávea para dar suporte espiritual aos jogadores.

Este fato, sobejamente conhecido, não elimina a outra forma de fé, porque muitos times costumam contratar psicólogos para dar ânimo aos jogadores. Existe mesmo um tipo de profissional de psicologia que se diz motivador que é encontrado para ajudar os jogadores a ter desempenhos mais vibrantes, confiando na técnica ou nas possibilidades gerais frente a outros times. Isto costuma dar certo porque se não fosse assim, tais profissionais não seriam contratados, inclusive, com altos salários.

A nós parece que o mais importante nesse artigo não é explicar bons ou maus resultados de atletas profissionais ou amadores, mas chamar a atenção do leitor para a importância da fé em nossa vida. Abrir mão deste tesouro espiritual é correr um risco bastante grande de fracassar. Na história da humanidade, os grandes homens, nos mais diversos campos da cultura, só se tornaram grandes porque eram movidos por um sentimento a que chamamos fé. Cultivemos, pois, em nosso dia a dia, o exercício da fé, a certeza de que não somos órfãos da bondade divina, que somos Seus filhos e que tudo que pedirmos a Ele, com fé, conseguiremos.

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