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Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Existe um ditado popular no qual assemelha a língua a um chicote. Simples analogia a dor na qual o mal uso de ambos pode causar.

A história é vasta nesse campo. Vale lembrar alguns por curiosidade e entendimento de como a palavra infeliz pode causar arrependimentos acerbos. Alguns talvez preferissem a dor física da chicotada.

1 – Em 1876 uma empresa deu a seguinte mensagem a Graham Bell, inventor do telefone: “Este ‘telefone’ tem muitas coisas contra para ser seriamente considerado um meio de comunicação. O aparelho não tem qualquer valor para a nossa Companhia”.

2 – Eis o que uma gravadora disse ao rejeitar os Beatles “Não nos agrada como são, e a música de guitarra está a passar de moda”.

Os exemplos não param por aqui, com essa introdução eu simplesmente quero dizer que pessoas erram. O erro é, definitivamente, uma propriedade humana, e continuará a ser ainda por muito tempo.

Salutar voltar a reflexão acima para o nosso movimento espírita. Entendamos que além da responsabilidade adquirida antes de nascermos, somos responsáveis por um legado encharcado de suor e lágrimas, de uma história de amor e lutas, advinda dos incansáveis precursores da Doutrina Espírita. Trago um exemplo digno de reflexão nas sábias palavras de Divaldo Franco. Quando perguntado sobre a enxurrada de livros espíritas com conteúdo “duvidoso”, além de autores espirituais “pouco fieis” a codificação Kardequiana, eis que o mesmo responde (Texto parcial compilado do livro “Conversando com Divaldo Pereira Franco”, Editora FEP - 1ª Edição, 2009 - Paginas: 51 e 52):

Realmente, a questão deve ser muito bem estudada, inclusive, penso, que pelo Conselho Federativo Nacional para se tomar uma providência. Não de cercear-se a liberdade – não temos esse direito, mas pelo menos de esclarecer os leitores e procurar demonstrar quais são as características de uma obra espírita e as características de uma obra imaginativa...

... Um dos livros mais vendidos, dito mediúnico, tem verdadeiras aberrações, em que a entidade fez do mundo espiritual uma cópia do mundo físico, ao invés de o mundo físico ser uma cópia do mundo espiritual. Inverteu, porque o Espírito está tão físico no mundo espiritual!

Outras obras, igualmente muito graves, falam de relacionamentos sexuais para promoverem reencarnação no Além. Ora, a palavra reencarnação já caracteriza tomar um corpo de carne. Como reencarnar no Além, no mundo de energia, de fluídos, onde não existe a carne? O Além, com ninhos de passarinhos multiplicando-se, em que as aves vêm, chocam e nascem os filhotinhos. Não é que estejamos contra qualquer coisa, mas é que são delírios, pura fascinação.

Acredito que alguns desses médiuns são médiuns autênticos. Ocorre que eles não perderam a mediunidade, a sua faculdade mediúnica é que mudou de mãos, daquelas entidades respeitáveis para as entidades frívolas que estão criando verdadeiros embaraços, porque em determinados seminários, palestras, fazem perguntas diretas e ficamos numa situação delicada, porque citam os nomes. Toda vez que dizem os nomes eu me recuso responder. Numa pergunta em tese muito bem, mas declinar nomes, não. Não tenho esse direito de levar alguém ao escárnio.

Analisemos os “melhores momentos”:

1 – Livros ditos espíritas com caráter duvidoso:

Como bem nos disse Divaldo não podemos proibir a leitura de qualquer livro, mesmo este trazendo conteúdo divergente da codificação espírita. Entretanto, a análise e orientação são necessárias. Tal recomendação é, inclusive, compartilhada por Kardec, em o Livro dos Médiuns. O codificador nos alertou para as futuras obras não totalmente conectadas com a Doutrina, porém não nos proibiu de lê-las, pelo contrário, disse ser a leitura de tais obras, uma forma de adquirir “anticorpos”, maturidade e defesa, para identificarmos conteúdos divergentes em relação a literatura espírita. Tal com nos diz Paulo “Examinar tudo. Retende o que é bom” (I Tessalonicenses 5:21).

2 – A crítica:

Um líder espírita deve saber portar-se, ter ética, parcimônia, e principalmente bom senso. Divaldo, como um líder, uma referência dentro da Doutrina, sabe exatamente das muitas dificuldades e “armadilhas” que cercam as atividades mediúnicas bem realizadas. Tenhamos em mente que o médium é um ser em constante assédio, assédio esse, capaz de penetrar nobres e devotados, porém não infalíveis, corações. Por isso Divaldo faz a crítica ao conteúdo, sem fazer qualquer menção ao autor. Muitos dirigentes, quando algo de negativo ocorre dentro da casa espírita, querem sempre colocar as coisas em “pratos limpos”, condenar o homem, e não o erro, como se a Casa Espírita fosse uma empresa, e o homem infalível, como se na casa espírita, houvessem cargos, postos, hierarquias, e não RESPONSABILIDADES. Se queremos nos candidatar as instituições de liderança, devemos aprender com Divaldo, em perfeita sintonia com Kardec, na maior das recomendações dadas aos trabalhadores: Espíritas, amai-vos. Espíritas, instruí-vos. Divaldo, como líder, orienta, mostra o caminho, sem condenar, sem levar pessoas ao escárnio, veículo do melindre.

Lembremos que em meados de 1930, a FEB também “desaconselhou”, de forma contumaz, a leitura das obras do Chico. Entendam “FEB” por alguns irmãos na liderança da instituição na época, que por falta de análise ou conhecimento, precipitaram-se. Erro naturalmente já corrigido em papel e história.

Criticar definitivamente não é fácil, na maioria das vezes é constrangedor, porém necessário. Devemos nos utilizar do bom senso, moderação e caridade, sob o risco da língua se tornar um chicote. Trata-se de um irmão de jornada. Se por um lado um companheiro fere a obra, o serviço ou até mesmo a pureza doutrinária, por outro a crítica ofensiva fere a lei de caridade. O papel de uma liderança espírita não é fácil. Necessita de altas doses de poder analítico, saber escutar, calar, e comunicar adequadamente.

O nosso movimento passa por um momento único, sublime, espaço respeitoso em todas as mídias, a mensagem esta sendo passada de forma digna e dentro de boa fidelidade, obra dos incansáveis e citados precursores. Não percamos tempo com embates dentro do próprio “quintal”.

Criticar sim, com amor, respeito, propriedade e correto uso do linguajar, impulsionando ao recomeço. Lembremos da mensagem sobre a crítica e a auto-crítica, trazida pelo Cristo, na passagem da trave e do argueiro..

A língua, além de chicote, também pode ganhar a conotação de ponte, instrução e amor, basta nos habilitarmos na difícil arte de criticar.

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