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Artigo do Jornal: Jornal Março 2016
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431. Qual a origem das ideias inatas do sonâmbulo e como pode falar com exatidão de coisas que ignora quando desperto, de coisas que estão mesmo acima de sua capacidade intelectual?

É que o sonâmbulo possui mais conhecimentos do que os que lhe supões. Apenas, tais conhecimentos dormitam, porque, por demasiado imperfeito, seu invólucro corporal não lhe consente rememorá-lo. - Allan Kardec, O Livro dos Espíritos.

 

            Somos todos Espíritos, mas o fato de encarnarmos, transformando-nos em almas, impõe mudanças em inúmeros aspectos do ser como pensamento, memória e comunicação. Como Espíritos, somos o somatório de todos os conhecimentos e experiências adquiridas e vivenciadas nas diversas encarnações que tivemos. Temos uma história que fomos construindo ao longo da trajetória existencial acumulando aprendizados que juntamos pelos caminhos por onde passamos e devido às escolhas que fizemos.

Na condição de encarnados, possuímos conhecimentos que permanecem guardados no íntimo, sem aplicabilidade na existência atual. Em estado sonambúlico, quando o Espírito se desprende do corpo físico, readquire ele a capacidade de acessar os arquivos da memória integral, buscando lá os conhecimentos que transmite.

Continuam os Espíritos na questão 431:

Que é, afinal, um sonâmbulo? Espírito, como nós, e que se encontra encarnado na matéria para cumprir a sua missão, despertando dessa letargia quando cai em estado sonambúlico.

            Para os Espíritos, estar na matéria é como estar numa prisão que restringe as suas faculdades e que pode ser comparado ao estado letárgico, já que o Espírito não pode agir com toda a liberdade que lhe caracteriza na erraticidade. Como alma, sente todas as restrições infligidas pela condição material. Como Espírito, ele usufrui da liberdade conferida pela sua condição. É deste modo que o sonâmbulo fala, muitas vezes, de coisas com precisão de assuntos que desconhece no estado de vigília. Vai buscá-los na memória do Espírito, pois fazem parte do seu aprendizado global. Ao sair do estado sonambúlico, retorna aos limites da memória da vida atual.

Após a resposta do Espírito, Allan Kardec acrescentou um comentário com mais uma alternativa quanto à origem dos conhecimentos do sonâmbulo.

Mostra a experiência que os sonâmbulos também recebem comunicações de outros Espíritos, que lhes transmitem o que devam dizer e suprem à incapacidade que denotam.

            Kardec chamou de mediunidade sonambúlica a capacidade do sonâmbulo de intermediar os Espíritos. Isso ocorre quando o sujet desprendido do corpo transmite um comunicado que pertence ao desencarnado, no fenômeno de sonambulismo. Assim temos a junção de dois fenômenos: um anímico e outro mediúnico. Através do sonâmbulo os Espíritos complementam os conhecimentos que o sensitivo não encontra em si mesmo. Na prática, temos encontrado aquilo que Allan Kardec também observou: os sonâmbulos fazem isso com mais frequência quando têm que fornecer orientações à forma de tratamento de determinado doente. Com certa facilidade o sonâmbulo descreve as desarmonias físicas, emocionais, energéticas e espirituais. Quando deve expor o tratamento, muitas vezes são os Espíritos que informam, seja através de imagens, de intuições ou de palavras, relatos que o sonâmbulo pode transmitir ao seu magnetizador.

            O sonambulismo é a antecâmara da vida que experimentaremos quando deixarmos o mundo material. A encarnação, apesar de necessária, não deixa de causar um certo constrangimento no Espírito por limitar as suas capacidades. Apesar disso, no retorno ao Mundo Espiritual pode o Espírito levar na bagagem um maior acervo de experiências, como aquelas pessoas que enfrentam determinados desafios buscando superar seus limites físicos, emocionais ou mentais. De forma semelhante, o sonâmbulo conhece e sente antecipadamente os gozos do Espírito liberto do corpo, como prenúncio da vida que usufruirá quando voltar em definitivo para a Pátria Espiritual.

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