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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2016

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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       Quando alguém surge, aonde quer que seja, e se notabiliza por sua capacidade de ver, perceber, sentir, ampliar temas e produzir mais certezas do que deixar dúvidas, os que com essa pessoa cruzam, direta ou indiretamente, logo a apontam como genial, sábia ou de nível superior.

       Independente do seu grande feito, fazendo surgir a Doutrina Espírita, Allan Kardec, antes conhecido apenas como Hippolyte Léon Denizard Rivail, já se fazia reconhecer como um ser notável em seu meio, não apenas por uma habilidade restrita, mas apresentando um cabedal enorme que envolvia capacidades de poliglota, escritor, linguístico, estudioso de Ciências e Filosofia e emérito professor e pedagogo, ensinando, inclusive, química e física. Enumerar todas as suas qualidades e exuberância aqui seria fastidioso. Porém isso foi lembrado logo no início para que não pairem dúvidas sobre o valor do homem que deixou toda uma segura base para a Doutrina que nos legou.

       Esse homem, tão notável quão sábio, também era magnetizador. Seus biógrafos, entretanto, pouco revelam dessa sua faceta, que não deve ter sido nada insignificante, pois um homem de sua estirpe não se permitiria ficar estudando e trabalhando uma Ciência dessas por longos 35 anos sem que daí não lhe adviessem certezas e práticas muito ricas.

       Como acreditamos nós os espíritas que cada existência é precedida de preparações e programações bem delineadas, obviamente que a dele não seria menos cuidada. Assim, certamente os Espíritos que com ele se comprometeram em auxiliá-lo numa nova e nobre tarefa, não se afastariam nem se desfariam dos “acertos” para a engenharia de uma grande bênção para a humanidade.

       É de se notar em suas obras espíritas, quando de suas anotações, pontuações e considerações, que a imagem do Magnetismo sempre esteve presente. Todavia, consoante os “acertos” pretéritos, os Maiores do Mundo Espiritual igualmente se posicionaram objetiva e claramente sobre o Magnetismo, sua relação íntima com o Espiritismo e seu consórcio inquebrantável, sob pena de se chegar ao imobilismo das duas Ciências. E o que se observa hoje? O Magnetismo ficou longamente estacionado no tempo pretérito e o Espiritismo se afastou perigosamente de suas vertentes filosófica e científica.

       A parte filosófica perdemos a partir de seu mais elementar aparelho: o questionamento, do qual redundariam pesquisas e avanços. Deixamos de questionar e isso nos levou ao imobilismo, à perda de ação que fizesse com que o Espiritismo hoje fosse o grande elemento de convergência dos saberes.

       Já o viés científico, de tão imobilizado, só se o emprega hoje para, equivocada e esquisitamente, se denegrir àqueles que se aventuram nas pesquisas e nos pertinentes aprofundamentos, ainda que estas sejam na direção de resgatar a base que Allan Kardec nos deixou.

       Disso resultou que perdemos tudo o que poderia ter se ampliado com a alavanca do Magnetismo e o suporte do sonambulismo.

       Falar nisso atualmente já começa a fazer um pequeno eco, pois todo aquele que lê, analisa e pondera com Kardec logo percebe que algo não vai bem no terreno das explicações que vulgarmente são dadas a quem busca algo mais além do que simples comentários doutrinários.

       Se Allan Kardec foi, deveras, um gênio, se sua mente e suas mãos produziram a luz que todos buscavam, se sua fértil posição de bom senso nos indicou que deveríamos andar lado a lado com a Ciência, a quem estaremos seguindo? Será que “o tempo” de Allan Kardec já passou para esses que não o aceitam? Pois para mim ele segue atual, vigoroso e sua base, sem se adulterar ou se suprimir seus conceitos e suas postulações, continua sendo o grande suporte para todo esse edifício abençoado e frutuoso.

       Assim, quem quiser seguir a doutrina codificada por Allan Kardec deve, nem que seja por simples respeito, conhecer esse homem. E como diz a literatura evangélica, conhece-se a árvore pelos seus frutos, será necessário que leiamos toda sua obra, aí se incluindo a Revista Espírita, a fim de que o conheçamos e o sigamos com a mesma segurança com que ele produziu esse farol inapagável.

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