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Artigo do Jornal: Jornal Março 2017

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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“9. - Nada apresentam de surpreendentes estes fatos, desde que se conheça o poder da dupla vista e a causa, muito natural, dessa faculdade. Jesus a possuía em grau elevado e pode dizer-se que ela constituía o seu estado normal, conforme o atesta grande número de atos da sua vida, os quais, hoje, têm a explicá-los os fenômenos magnéticos e o Espiritismo”.

Esta nota de Allan Kardec, contida no livro A Gênese, em seu capítulo 15, aborda tema que deveria ter merecido os mais amplos estudos e pesquisas por parte da humanidade e, de certa forma, dos espíritas: a dupla vista.

Antecedendo a nota, Kardec recorta 4 passagens do Evangelho em que o dito fenômeno se apresenta de forma contundente na personalidade de Jesus; manda que busquem um jumentinho que estava amarrado num ponto do local; preconiza a chegada de Judas e seu beijo traidor; indica o lugar onde a pesca seria farta; e elege seus discípulos de forma incontestável. Contudo há de se ressaltar aonde Kardec foi indicar a lógica da compreensão desse fenômeno de dupla vista; não apenas no Espiritismo, mas igualmente no Magnetismo. E isto nos permite concluir que os feitos de Jesus também estavam cheios de atos magnéticos, pelo que precisamos da lupa dessa abençoada ciência para poder perceber as nuances que explicam ou dão sentido lógico a seus procederes.

A dupla vista é assunto que mereceu destaque na obra do codificador, desde O Livro dos Espíritos até as últimas edições de sua Revista Espírita. Todavia isso não parece ter sido suficiente para despertar o interesse de todos ou de cada um de nós.

Perguntou ele aos Espíritos: (questão 450 dO Livro dos Espíritos): A dupla vista é suscetível de desenvolver-se pelo exercício?

Eis a resposta: “Sim, do trabalho sempre resulta o progresso e a dissipação do véu que encobre as coisas”.

Em seguida aditou um complemento: a) - Esta faculdade tem qualquer ligação com a organização física?

A resposta: “Incontestavelmente, o organismo influi para a sua existência. Há organismos que lhe são refratários”.

Então vejamos: se o exercício pode fazer com que a faculdade se desenvolva, o que nos falta então? E como exercitá-la, desenvolvê-la? Faltam-nos livros e obras sobre o assunto, bem o sabemos. Mas... Qual o motivo disso? Seguramente encontraremos a resposta no desinteresse coletivo acerca do assunto.

Talvez seja hora de perguntar: e o que é dupla vista? Deixemos aos Espíritos da Codificação a resposta:

“... segunda vista ou dupla vista, que é a faculdade graças à qual quem a possui vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos. Percebe o que exista até onde estende a alma a sua ação...”, tudo conforme item 455 de O Livro dos Espíritos, devidamente grifado. O que isso significaria, na prática?

Se lermos e analisarmos com rigor e atenção, logo perceberemos que não se trata tão somente da possibilidade de se ter uma percepção aguçada ou pontual sobre determinadas coisas e situações, mas sim que é todo um poderoso fenômeno, o qual apresenta algo maior do que os cinco sentidos tradicionais. E muito embora o destaque maior dado por Kardec ao fenômeno tenha sido dirigido a situações parecidas com o conhecido déjà vu ou por premonições, nas práticas magnéticas ele se faz potentemente registrado nas sensações e certezas que advém dos campos fluídicos dos pacientes, indicando aos magnetizadores pontos fisiológicos ou energéticos a serem atendidos, seja por ajustes, rearmonizações, remoções, renovações, curas enfim. Nesses casos, a dupla vista recebe um nome particular: o tato magnético.

É pelo tato magnético que podemos potencializar os alcances dos efeitos magnéticos, já que este é um dos mais preciosos agentes diagnósticos que podemos ter, especialmente quando se percebe que determinadas enfermidades não encontram respostas nos atendimentos oficiais, posto que as conexões com a origem do mal estão, muitas vezes, tendo como ponto de partida um outro campo energético, diferente ao que a fisiologia acadêmica ensina. Por exemplo: uma determinada escabiose ou ferida pode ter sua origem num sistema que, aparentemente, nada tem a ver com ela, tipo uma ferida na perna estar relacionada a uma descompensação no centro laríngeo. O tato magnético, nesses casos, será de uma preciosidade sem comparação, já que indicará que terapia poderá ser realizada, com alto grau de probabilidade de cura, mesmo quando já se dizia se tratar de algo incurável.

A dupla vista pode nos oferecer verdadeiros telescópios e potentes microscópios para sondarmos o que ainda aguarda nossas investigações para se descortinar em favor da humanidade. Mas como isso não é chuva, portanto, não cai precipitadamente das nuvens, cabem muitas pesquisas, muitos estudos, muitos avanços a fim de que façamos jus ao que os luminares do Espiritismo esperam de cada um de nós.

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