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Artigo do Jornal: Jornal Março 2018

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Sempre são muitos e variados os aspectos pelos quais tudo pode ser observado. Muitas vezes, basta mudar de lado e o cenário já se modifica radicalmente. Daí ser sábio aquele que pondera sobre as possibilidades de visões diferentes e deduções igualmente diversas, podendo até mesmo serem conflitantes, sem necessariamente serem más ou inimigas.

A música Encontros e despedidas nos apresenta um ângulo dessa nuance. “O trem que chega é o mesmo trem da partida”. Para alguns é encontro, reencontro, para outros despedida, adeus. Do lado que estivermos teremos conclusões apropriadas, porém nem sempre concordantes – e ambos estaremos corretos.

Quando estudamos o Espiritismo, assim como a qualquer outra doutrina, filosofia, ciência ou religião, será natural deduzirmos de forma diferenciada, até porque não só os ângulos são diferentes, como as percepções, os embasamentos, as experiências... Mas algumas coisas, por se transformarem em princípios básicos ou se constituírem como de valor intrínseco, não poderão padecer de discordância nem que seja alegado se tratar tão somente apêndices.

Costumamos dizer que todas as opiniões são respeitáveis, especialmente quando se tem por princípio o que já foi dito acima, contudo será absurdo se considerar que toda opinião, embora respeitável, esteja correta, pois se assim o fosse, certamente nada mais teria lógica, posto que não haveria congruência nem consenso.

Ultimamente temos ouvido muito se dizer que o Magnetismo é um apêndice do Espiritismo e que, por isso mesmo, não deve ter peso na prática espírita. Muito me admira que Allan Kardec não tenha pensado assim, e que ele nem ao menos cogitou qualquer possibilidade disso ser assim considerado. Mas, por hipótese, consideremos que seja correta a afirmação: o Magnetismo é um apêndice. E então; como apêndice, o que lhe caberia fazer? Ou por outra: sendo o Magnetismo um apêndice de pouco valor, como viabilizar grande parte do “faze ao outro aquilo que gostarias que o outro te fizesse” sem esse instrumento? E não estou pensando magneticamente apenas no sentido de cura de corpos, como muitos querem dizer ser o limite do Magnetismo; estou me referindo à necessidade de explicações sobre os fluidos, como eles agem e atuam no organismo perispiritual, na água magnetizada, na ação espiritual sobre os encarnados, como é sua participação em reuniões mediúnicas, como se explicariam os processos da reencarnação e do desenvolvimento vital dos seres, enfim, como investigaríamos os fluidos Universal, cósmico, vital?

Cada ser pensa como acha mais conveniente, mas isso não lhe dá o direito de descaracterizar o que há de verossímil e valioso, apenas porque centra seu foco noutra direção.

Há quem chegue ao absurdo de dizer, de forma genérica e pouco feliz, que os magnetizadores estão à cata de reconhecimento, por incapacidade de se projetarem em suas vidas particulares. Bem se percebe que isso não é uma visão de quem observa o assunto de outro ângulo, mas sim de quem, por quais motivos sejam, deseja desacreditar essa ferramenta ímpar, dada pela própria Natureza e validada pela acuidade, perspicácia, sapiência e sabedoria de ninguém menos que Allan Kardec: o Magnetismo.

Muitos palestrantes são interrogados sobre os mais diversos assuntos, alguns dos quais nem todos têm domínio. Quando isso ocorrer, um humilde “eu não sei” costuma ser muito mais honesto e causar menos prejuízos do que, desarrazoadamente, se sair comentando sobre questões que pediriam mais conhecimentos. O Magnetismo, por ser um assunto um tanto quanto técnico, pede um saber mais específico a fim de não se comprometer o que é ante o que se pensa ser.

É preciso considerar, entretanto, que não é necessário que todos sejam magnetizadores nem que os olhos do Espiritismo estejam apenas voltados para essa parte de sua Ciência. De igual sorte, não sei nem ouvi magnetizadores ou palestrantes que simpatizam com o Magnetismo dizerem que as demais partes da Doutrina Espírita sejam menos significantes ou de menor importância, pois isso seria estultícia. O Espiritismo é um conjunto de percepções e estudos filosóficos e científicos que resulta numa elevada moral, promovendo o homem, a vida e a sociedade ao saber, ao progresso, bem como ao contato com o mundo espiritual em suas mais diferentes formas.

Por fim, de uma forma mais direta, o Magnetismo nos oferece um caminho maravilhoso para lidarmos com a dor, a doença e o sofrimento em geral, apresentando-nos as infinitas possibilidades de solucionar essas problemáticas e fazer ressurgir o aspecto deveras consolador que está reservado ao Espiritismo em si. Não há, pois, como diminuir-lhe ou roubar-lhe a presença nessa abençoada Doutrina, muito menos categorizá-lo à marginal condição de apêndice, pois dele resultará as maiores claridades para o Espiritismo em si.

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