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A palavra médium é de origem latina e significa meio, centro espaço intermediário. Seu plural, na língua portuguesa é médiuns e em latim, é mídia. Em termos espíritas a palavra médium designa a pessoa que serve de intermediário entre o Plano espiritual encarnado e o Plano espiritual desencarnado. Allan Kardec em O Livro dos Médiuns (Cap. XV pág. 159) no diz o seguinte: toda pessoa que sente a influência dos espíritos em qualquer grau de intensidade é médium. Portanto, todos nós somos mais ou menos médiuns no sentido geral.

Muitas pessoas são médiuns e não se dão conta disto uma vez que a sua mediunidade é discreta e quando se manifesta não causa assombro nem admiração. Há muitos anos eu escrevi um livro chamado "Trabalhando para si mesmo". As pessoas liam e gostavam do livro e  vinham falar comigo sobre a impressão que o texto lhe causara. Então eu lhes dizia: “ Este livro não fui eu quem o escreveu.” As pessoas me perguntavam: por que você diz que não escreveu aquele livro ? E eu lhes respondia com sinceridade: “ digo isto porque o livro é melhor do que eu. “

Eu estava certo de que havia escrito o livro, inclusive, eu o havia assinado com o meu nome, entretanto, não poderia dizer que ao escrever o Trabalhando para si mesmo, não estava sofrendo a influência de espíritos amigos que me sopravam as idéias que eu desenvolvera; C.G.Jung em seu livro "Memórias Sonhos e Reflexões" certo dia escreveu quase que sem parar um texto denominado "Os Sete Sermões aos Mortos" que ele assinou com o nome do Gnóstico Basilides.  Quando, porém alguém perguntava a ele se o livro era mediúnico ele dizia com toda a certeza que não era.

Outra forma de mediunidade é a ostensiva, ou seja, a mediunidade escandalosa, aquela que nem o médium nem a testemunha do fenômeno podem negar a sua natureza espiritual. Vejamos alguns exemplos desta mediunidade ostensiva. No século XIX viveu um médium chamado Daniel Douglas Home (1833 -1886). A maioria dos estudiosos dos problemas psíquicos concorda em que esse médium escocês seria o mais poderoso de todos os médiuns no que se refere à produção de efeitos físicos como deslocamento de objetos ou telecinesia, levitação, clarividência e precognição.

Os fenômenos mediúnicos produzidos por Home foram tão fantásticos que seriam tidos como fábulas se não houvessem sido observados por estudiosos do porte de um Wiliam Crooks. Uma das características mais notáveis deste médium é o fato de que ele fazia as suas experiências à luz do dia o que os outros médiuns não gostavam de fazer. Em uma sessão de levitação, Home ergueu-se no ar saiu pela janela do prédio em que a sessão era realizada e entrou por outra. Nesta mesma sessão conseguiu levitar juntamente com um pesado piano.

Outro caso de mediunidade ostensiva e fantástica é a de nosso Francisco Cândido Xavier no campo da psicografia, chamado carinhosamente pelos espíritas simplesmente de Chico Xavier. A mediunidade do nosso Chico é a prova mais completa e inconteste de que a vida continua. Um de seus livros mais interessantes recebido por este médium é o "Parnaso do Além Tumulo". As pessoas que conhecem pelo menos um pouco de teoria literária sabem que uma das tarefas mais difíceis da Literatura é copiar um estilo. Bufon chegou a dizer em uma frase de rara felicidade: o estilo é o próprio homem.

Chico Xavier no livro a que nos referimos há pouco copiou com grande exatidão o estilo de mais de cem poetas brasileiros, conhecidos e famosos.   Chico recebeu quatro romances notáveis escritos por um espírito chamado Emmanuel. São eles: "Há dois Mil Anos, Paulo" e "Estevão, Cinquenta Anos Depois e Renúncia". Esses livros podem ser incluídos entre os grandes romances da literatura Brasileira se não fossem atribuídos a um espírito. Emmanuel enquanto narrador nada fica a dever a um José de Alencar, Manoel de Macedo ou mesmo a um Machado de Assis. Como foi possível ao Chico depois de fazer poesias de excelente qualidade no Parnaso, escrever quatro obras de ficção que poderiam colocá-lo entre os grandes prosadores de nossa literatura.

Um outro livro também de Emmanuel que desejamos destacar aqui tem por titulo "O Consolador". Nesse livro o autor espiritual enfoca assuntos diferentes como Biologia, Sociologia, Psicologia e Religião e de um modo sintético, objetivo e conceitualmente correto. Se compararmos os romances históricos com um livro como O Consolador, veremos que o autor de ambos é um só, mas que a linguagem é diferente em virtude da temática diferente.

Por fim, vamos chamar a atenção de nosso leitor para a obra de André Luiz em um total de 16 livros. Estes livros escritos em prosa em nada se assemelham aos romances históricos de Emmanuel. Lendo-se estas obras temos a certeza de que André Luiz e Emmanuel são personalidades e escritores diferentes.

Um outro aspecto na obra de Chico Xavier é a sua diversidade. Nos romances históricos, ele é preciso quanto ao levantamento que ele faz do passado do Império Romano, de sua mitologia e religião. Não existem, naquelas obras fatos históricos inverídicos ou meramente ficcionais.

Na obra de André Luiz existem dois livros que tratam de aspectos científicos da vida espiritual. Refiro-me a "Mecanismos de Mediunidade" e "Evolução em dois mundos". Nesses livros, inclusive, ele começa a romper com o paradigma cartesiano-newtoniano e anuncia conceitos, mais tarde desenvolvidos pela Física Quântica.

Penso que deixamos claro aqui a diferença entre a mediunidade discreta e a ostensiva. Distinguimos uma da outra pelo modo da manifestação. Na primeira ela é leve e pode se confundir com fenômenos apenas psicológicos e no segundo ela é escandalosa, clara provocando a admiração daqueles que a presenciam.

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