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Além de ajudar a integrá-los à sociedade brasileira, curso incentiva a conquista da autonomia financeira dos estrangeiros


Foto: Patrícia Cruz/Sebrae-SP:
 a5b391bd a0c7 48a0 b81e b374c1d3d3c9A primeira turma de refugiados que vivem legalmente no Brasil e foram treinados pelo Sebrae para serem empreendedores se formou esta semana, em São Paulo.

Durante dois meses, esses estrangeiros obrigados a deixar os países de origem por causa de perseguição racial, política, religiosa ou vítimas de violação de direitos humanos aprenderam a pensar em novos negócios, gerar renda e a recomeçar a vida.

O curso é uma parceria entre o Sebrae e o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), ligado ao Ministério da Justiça. Dividido em quatro fases, o treinamento começou em junho, com palestras e aulas a distância.

Na etapa seguinte, os refugiados participaram de cursos presenciais oferecidos pelos consultores do Sebrae. Já na parte final do treinamento, eles receberam informações sobre como formalizar um negócio e como obter crédito empresarial. No dia da formatura, puderam inclusive conhecer linhas de crédito de instituições financeiras como o Banco do Brasil.

Refugiado empreendedor

O refugiado colombiano Cristiano Botero é um dos 250 participantes da primeira turma do curso de empreendedorismo. Formado em comércio exterior, Botero, a esposa e as duas filhas, de dois e cinco anos, abandonaram a Colômbia há um ano e sete meses, com medo de serem mortos.

Em entrevista ao Portal Planalto, ele contou que trabalhava com exportação de madeira, mas começou a “sofrer extorsão para pagar taxas mensais aos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)”. Foi primeiro para a Venezuela. De lá, atravessou a fronteira para o Brasil e seguiu até Manaus. Na capital amazonense, entrou com o pedido de refúgio na Polícia Federal. O reconhecimento saiu em dez meses. Agora, o refugiado mora com a família em São Paulo e ganha a vida como tradutor.

Com o que aprendeu no curso do Sebrae, ele quer continuar no Brasil e voltar a ser empreendedor. “Aqui existe paz, tranquilidade para caminhar”, ressalta. O próximo passo, afirma Cristiano Botero, é “conseguir crédito” e “comprar maquinário”. O objetivo é abrir uma empresa para fabricar e exportar bolsas de couro. “Aprendemos [no curso] como fazer um projeto para criar uma empresa e sobre a legislação brasileira, que é muito diferente da Colômbia”, explica o refugiado.

Refúgio no Brasil

Assim como Cristiano Botero, quase 9 mil refugiados vivem legalmente no Brasil, segundo os dados mais recentes divulgados em maio deste ano pelo Conare.

Os sírios formam a maior comunidade, com 2.298 refugiados. Muitos vieram para o Brasil fugindo da guerra civil na Síria, que já dura cinco anos. Em seguida, angolanos (1.420), colombianos (1.100), congoleses (968) e palestinos (376) compõem a maioria entre os refugiados, de um total de 79 nacionalidades. As solicitações de refúgio no País saltaram de 966, em 2010, para 28.670, em 2015.

O Secretário Nacional de Justiça e Cidadania, Gustavo Marrone, lembra que a política de refúgio do Brasil é considerada uma referência no mundo. "Primeiro, porque o País não nega pedidos. Segundo, porque concede ao refugiado uma carteira de trabalho e CPF provisórios, o que permite ao refugiado trabalhar", explica o secretário.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Justiça e Cidadania
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