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CARTA AOS CRENTES NOVOS

Amigo, chegas agora,
Do mundo de sombra e dor,
Para o banquete sublime
De luz do Consolador.

Já sei que sentes o fogo
Da crença e da devoção,
Desejando desdobrar
O esforço de salvação.

Vibra na paz de tua alma
O desejo superior,
De espalhar em longos jorros
A fonte de teu amor.

Mas, ouve. Acalma a ansiedade,
Porque no mundo infeliz,
Cada qual tem sua chaga
Em vias de cicatriz.

Nesse número de enfermos,
Não te esqueças de contar
Os próprios irmãos do sangue
Que o céu te manda ajudar.

Todo esse fogo da fé
Não desperdices a esmo,
Busca aplicar seu calor
Na perfeição de ti mesmo.

Tão grande é o penoso esforço
Da última redenção,
Que não basta uma só vida
Pela própria conversão.

Acham muitos que a doutrina
Para ensinar ou vencer,
Precisa de certos homens
Do galarins do poder.

Mas, eu suponho o contrário.
Em seu anseio de luz,
O homem é que precisa
Da doutrina de Jesus.

Em se tratando de crenças,
Nunca venhas a olvidar
Que o Sol nunca precisou
Dos homens para brilhar.

Fala pouco. Pensa muito.
Sobretudo, faze o bem.
A palavra sem a ação
Não esclarece a ninguém.

Não guardes muita ansiedade
Se o Evangelho te conduz.
Lembra que dura há milênios
A esperança de Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS MÉDIUNS

Irmão, se a mediunidade
Faz parte de tua ação,
Procura nos Evangelhos
A senda de redenção.

Sei que choras, sei que lutas,
Sei que padeces, porém,
Teu serviço na Verdade
É o santo esforço do Bem.

Faculdades numerosas
Não representam a luz.
Bom médium é todo aquele
Que anda sempre com Jesus.

Humildade, tolerância,
Amor e compreensão
Devem ser toda a ciência
De tua demonstração.

Foge sempre do elogio
De espíritos displicentes.
Do quadro de teus amigos
Prefere os mais exigentes.

Um médium, por suscetível,
Pode, às vezes, se perder.
Sê forte. Toda opinião
Tem sua razão de ser.

Não olvides, no caminho,
Que acima das devoções,
Deve estar o cumprimento
De tuas obrigações.

Trabalha. Não comercies
Com as coisas santas de Deus.
Teus esforços são sagrados
No abrigo e no pão dos teus.

Sobre o anseio das pessoas
Coloca os princípios santos.
Caridade esclarecida
Evita-nos muitos prantos.

Muita gente te procura
Sob impressões singulares.
Não te perturbe o egoísmo
Dos casos particulares.

Na escola da dor terrestre
Cada qual tem sua cruz;
Não podes modificar
A ordenação de Jesus.

Não provoques o invisível.
Em qualquer mediunidade,
Não se pode prescindir
De toda a espontaneidade.

Não guardes a pretensão
De seres maior que alguém.
Deus tem muitos instrumentos
No eterno labor do Bem.

Cada médium tem seu campo
Determinado de ação.
Multiplica os bens divinos,
Guardados na tua mão.

Publicidade? Não tenhas
Desejos e ânsias fatais.
A vaidade, por vezes,
Vem da letra dos jornais.

Pensa muito, estuda muito.
Qualquer provisão de luz
Aumenta o valor divino
De tua ação com Jesus.

Não te entregues no caminho
A todo cientificismo.
Ciência sem consciência
É porta aberta de abismo.

Não desdenhes o ambiente
Onde o teu campo produz,
Nem a pequena aventura
Que te impressiona ou seduz.

Se fores mistificado
Não te esqueças mesmo aí,
Que tudo é lição do Além
Que não se esquece de ti.

Ora e vigia. E que Deus
Das luzes da Perfeição,
Aclare o teu pensamento,
Conforte o teu coração.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS INVESTIGADORES DO ESPIRITISMO

Meu irmão, guarda a certeza
De que a mundana ciência
É muito, mas não é tudo
Na paz de nossa existência.

Mormente se já tiveste
A nossa expressão de amor,
Coloca a fé sobre tudo
Na tua vida interior.

Tua razão inda é humana,
Falível e pequenina...
A fé, porém, é um clarão
Da Consciência Divina.

Muita pompa de palavras,
Muita terminologia,
Complicam muito no mundo
A nossa filosofia.

O grande cientificismo
De alma pobre e presunçosa
Transforma os nossos princípios
Em confusão palavrosa.

A lição do Espiritismo
É um grande manancial,
Onde as águas da Verdade
São claras como o cristal.

Tudo é simples, tudo é puro
Nessa fonte de harmonia.
Muita tese complicada
É o que gera a fantasia.

O método mais sublime
De toda doutrinação
É aquele que acende a luz
Do altar de teu coração.

Ciência nunca faltou
Na marcha da Humanidade,
Mas, sempre minguou na Terra
O grande bem da humildade.

Modernamente, a ciência
Tem seu magro esplendor.
Tem-se tudo e o mundo marcha
Para a guerra e para a dor.

Por vezes, no mar das lutas,
A razão vai na maré
Se em seu roteiro de estudos
Não tem o farol da fé.

Não se deve desprezar
Os bens do racionalismo,
Mas, nunca olvides a fé
No labor do Espiritismo.

Com teus pesos e medidas
Tu podes hoje ser forte,
Somente a fé, todavia,
Nos esclarece na morte.

Não te esqueças, meu amigo
Nossa comunicação
Constitui a renascença
Do pensamento cristão.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS DISCÍPULOS

Se és discípulo sincero
Do Evangelho de Jesus,
Não deponhas no caminho
O peso de tua cruz.

Pelo fato de estudantes
Nesse roteiro de amor,
Encontrarás na tarefa
O cálice de amargor.

É que quanto mais te eduques
Nos esforços da ascensão,
Mais sofrerás com o duelo
Do egoísmo e da ambição.

Pensando no Amado Mestre,
Ponderando-Lhe a bondade,
Hás de chorar, vendo o mundo
No abismo da iniqüidade.

Terás dor, porquanto, em paz,
Nunca feres, nem odeias.
Sentido contigo próprio
As amarguras alheias

Vai com fé pelo caminho,
Leva a charrua na mão,
Trabalha, aguardando o Cristo
No fundo do coração.

Desconfia da lisonja.
Esquece o que te ofender.
Coloca, acima dos homens,
O que te cumpre fazer.

Sê modesto. Há sempre últimos
Que no céu serão primeiros.
Conta sempre com Jesus
Acima dos companheiros.

Um amigo terrestre pode
Ir com tua alma ao porvir,
Mas inda é o homem do mundo
Sempre disposto a cair.

Recebe com precaução
Quem te venha agradecer.
Por muita coisa que faças
Não fazes mais que o dever.

A palavra sem os atos
É um cofre sonoro e oco.
Evita o que fala muito
E edifica muito pouco.

Sê desprendido da posse,
Mas, conserva os bens da luz.
O discípulo conhece
Que ele próprio é de Jesus.

Nunca sirvas às discórdias,
Ao despeito, à confusão.
Deves ser, por onde passes,
Ensino e consolação.

Sabendo que nada vales
Sem o amparo do Senhor,
Conquistarás no futuro
O seu Reinado de Amor.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS TRISTES

Alma irmã de nossas almas,
Por que vives triste assim?
Todos os males da Terra
Chegarão, um dia, ao fim.

Se tens o teu pensamento
Na idéia da salvação,
Já deves compreender
Que o mundo é de provação.

É justo que sintas muito
As lágrimas da saudade,
Que chores um ente amigo
Na senda da iniqüidade.

É certo que neste mundo,
Onde há espinho em toda a estrada
Não há lugar para o excesso
Do riso ou da gargalhada.

Mas, ouve. O amor de Jesus
É como um sol de harmonia.
Quem se banha em Sua luz
Vive em perene alegria.

Demasia de tristeza
É sinal de isolamento.
Quem foge à fraternidade
Busca a sombra e o desalento.

Guarda o bem de teus esforços
Num plano superior,
Não há tristeza amargosa
Para quem ama o labor.

Transforma as experiências
Pelas quais hajas passado,
Num livro fraterno e santo
Que ampare o mais desgraçado.

O serviço de Jesus
É tão grande, meu irmão,
Que não oferece ensejo
A qualquer lamentação.

O senso de utilidade
Deve sempre andar contigo.
Transforma em vaso de amor
Teu coração brando e amigo.

Dá sorrisos, esperanças,
Ensinos, consolação.
Espalha o bem que puderes
Na senda da redenção.

Enche a tua alma de fé,
De paz, de amor, de humildade.
Não há tristeza excessiva
Onde exista a Caridade.

Quando, de fato, entenderes
A caridade divina,
Tua dor será no mundo
Como fonte cristalina.

Dá sempre. Trabalha. Crê.
E a tua fonte de luz
Há de cantar sobre a Terra
Os júbilos de Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS ENFERMOS

Meu amigo, eu te desejo
Aquela paz do Senhor
Que transforma as amarguras
Em santas preces de amor.

Nosso Pai ouve a oração
De tua grande ansiedade,
Como te vê no caminho
De dor e dificuldade.

Espera serenamente.
Não obstante a aflição;
Deus é um Pai que não dá pedras
Ao filho que pede pão.

Nos dias angustiados.
De desencanto e doença,
O homem deve apurar
As luzes de sua crença.

Às vezes, dizes, chorando:
- "Socorrei-me, meu Senhor!...
Ai! como tarda o consolo
No dia de minha dor!...

Mas, não lembraste a oração
Com tanta solicitude,
Nas horas irrefletidas
Em que arruinaste a saúde.

A incontinência teimosa
Na rebeldia e no gozo,
Pode ter vindo de outrora,
Do passado tenebroso.

Porque esta vida de agora
É somente uma fração
De teu trabalho à procura
Dos mundos da perfeição.

Nos teus ais, nos teus soluços,
Do corpo dilacerado,
Recorda que a dor existe
Para a luz de um fim sagrado.

Se teu mal é longo e rude,
Renovando-te aflições,
Ele é a válvula divina
Que escoa as imperfeições.

Se a moléstia é passageira,
Tem cuidado na existência;
A dor física, por vezes,
Não passa de advertência.

De qualquer forma, porém,
Sê paciente e sê forte,
Inda que sintas contigo
O augúrio triste da morte.

Acima dos preparados
Que visam a tua cura,
Põe o remédio divino
Da fé milagrosa e pura.

Abençoa, meu irmão,
Essa dor que te conduz
Da sombra espessa da Terra
Para as bênçãos de Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS INCONFORMADOS

Um dos flagelos do mundo,
Em toda a atualidade,
É a ignorância dos homens,
No sentido da humildade.

Deu Jesus a cada qual
O bem de uma posição,
Mas, já ninguém se conforma
Com a sua própria expressão.

Todos querem o esplendor,
De um plano sempre melhor,
Mas, se esquecem seu dever,
Como alcançar um maior?...

Figuremos numa escada
A santa imagem da vida,
Cada qual tem seu degrau
Na luminosa subida.

No tempo amargo que passa,
Todo o mal do caminheiro
É conduzir com cuidado
O orgulho por companheiro.

Guiado pela injustiça,
Ouvindo a voz da ambição
O homem é o homem-lobo
Devorando o próprio irmão.

Pedia-se a Deus, outrora
O pão puro, sem labéu;
Mas o "pão nosso" de agora
É todo um arranha-céu.

Há tanto egoísmo n'alma
De quem vive hoje na terra,
Que a mania das grandezas
Açula o monstro da guerra.

Os homens inconformados
São garras desse dragão,
Que espalha pelo caminho
Horror e desolação.

Essa ausência de humildade,
Com as suas inquietações,
Vai ensombrando o caminho
Dos povos e das nações.

O egoísmo gera o medo.
O medo elege o mais forte.
A força humilha o direito,
Conduzindo o mundo à morte.

Doravante, meu amigo,
Faze um novo compromisso,
Vive em tua posição,
Não farás melhor serviço.

Se teu irmão tem fortuna,
Poderes e autoridade,
Sua prova é mais difícil,
Ante o Senhor da Verdade.

Vês assim, porque Jesus
Em seus conceitos benditos,
Julgou bem-aventurados
Os humildes e os aflitos.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS CEGOS

Na romagem dolorosa
Da vida de provação,
Também trazia os meus olhos
Iguais aos teus, meu irmão.

Mas, se a estrada era obscura,
Se a noite era tão sombria,
Guardava, como tu guardas,
As vibrações de alegria.

É que, entre as sombras terrestres,
Na tua meditação,
Sabes ver os resplendores
Das luzes da redenção.

Talvez que de olhos sadios
Deixastes o teu sensório
Perder-se pelo caminho
Do sentimento ilusório.

Todo aquele que recebe
A provação da cegueira,
Sabe orar, sabe esperar,
Vendo a vida verdadeira.

Não percas a tua fé.
A crença é a grande conquista
De quem resgata no mundo
O abuso dos dons da vista.

Guarda a esperança em Jesus,
Na dor, não te desanimes...
A cegueira é o resultado
De muitos dos nossos crimes...

Nos tempos que já se foram,
Muitos de nós, meu irmão,
Fomos verdugos terríveis,
Plantando a desolação.

Os grandes desvios d'alma,
No erro amargo e mesquinho,
São reparados na sombra
Que nos envolve o caminho.

A cegueira é uma estação
De corrigenda ou de cura,
Onde o espírito se aclara
Visando a estrada futura...

Portanto, as horas de sombra,
No curso de uma existência,
São nossa reintegração
No amor e na inteligência.

Meu amigo, continua
Alegre na fé, no amor;
Quem não sente a Luz de Deus
É um cego mais sofredor.

Também fui cego do corpo,
Na senda de expiação,
Mas nunca guardei comigo
As trevas do coração.

Depois das sombras espessas
Nas lutas da humanidade,
Verás a alvorada eterna
Da luz da Imortalidade.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS MESTRES

Meu amigo, tu que vives
No santo esforço do ensino,
Estás a criar um mundo
Num cérebro pequenino.

Guarda, em tudo, por modelo
Aquele Mestre dos mestres,
Que é o amor de todo o amor
Na luz das luzes terrestres.

Se existem pais na matéria
Do organismo terrenal,
Tu formas os pais do mundo
Na senda espiritual.

Prepara-te na tarefa
Com o auxílio de Jesus,
Que faças em teus ensinos
Cada vez mais vida e luz.

Depois das mães devotadas,
É a ti que o Cristo confia
A missão da caridade
Que instrui, remodela e guia.

Não te lembras do Evangelho?
Seu roteiro ainda é o nosso,
Um cego guiando cegos
Cai sempre dentro do fosso.

Cada lição de teus lábios,
Seguida do bom exemplo
É uma coluna divina,
Sustentáculo de um templo.

Muita vez, és responsável,
Ante a justiça do Além,
Se deixaste de ensinar
As puras noções do Bem.

Se te desvias do mundo,
Na estrada das tentações,
Podes cair, arruinando
Centenas de corações.

Mas, se te elevas, criando
Luzes novas da Verdade,
Caminharás para Deus
Em santa felicidade.

Tem zelo contigo próprio,
Embora as pedras, o espinho...
Há muitos irmãos na Terra
Com os olhos no teu caminho.

Nas lições de cada dia,
Busca ensinar, com perdão,
Guarda acima dos compêndios
O livro do coração.

Acolhe a todos. A idade
Não representa saber,
Ampara o velhinho rude
Desejoso de aprender.

Meu amigo, Deus te ajude
A entender o Bom Pastor.
Que sejas sobre este mundo
O Mensageiro do Amor.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS PATRÕES

Ser patrão, ter empregados,
Ser administrador,
É receber de Jesus
Deveres de educador.

Quem no mundo é convocado
Às lutas da direção
Tem de guardar a justiça
Acima do coração.

Meu amigo, se orientas
Muitos homens, em comum,
Tens de agir, considerando
O esforço de cada um.

Faz-se mister discernires,
Com muita especialidade,
A tolerância e a justiça
Nas balanças da amizade.

Tens de ser, ao mesmo tempo,
Amor, bondade, energia,
Defendendo o bem comum
Nas lutas de cada dia.

Na excelsa expressão de amor
Em toda a tua oficina,
Hás de ser o chefe amigo
Nas luzes da disciplina.

Na bondade ensinarás
O trabalho santo e honesto,
Fornecendo um brando ensino
Na força de cada gesto.

Ter energia é ser justo,
Mas, justiça e caridade
Só se cumprem sob a luz
Do espírito da verdade.

"Muito pede o céu daquele
A quem muito se haja dado",
Multiplica os teus "talentos"
Que são bens do Mestre Amado.

O apóstolo do trabalho
Realiza, observa e sente;
E, às vezes, é responsável
Pela paz de muita gente.

Todo lugar de serviço,
Seja pobre ou seja rude,
Deve ser toda uma escola
De inteligência e virtude.

O êxito em teus esforços,
A paz de tua missão
Dependem de compreenderes
O senso da educação.

Quando todo empregador
Cumprir seu dever terrestre,
O orbe há de ser a escola
Do amor do Divino Mestre.

Entre a energia e a bondade
De tua realização,
terás as bênçãos divinas
No esforço da perfeição.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS INTELECTUAIS

O tempo estranho que passa,
Uma nota de amargura
É a penosa decadência
Dos bens da literatura.

Explora-se no extremismo
A senda espinhosa e vã.
Assim como no cinema,
Todo o mundo quer o "fã".

Vais mal, amigo, se vais
Nas tristes explorações,
Difundindo a sombra espessa
Dos erros e das paixões.

Pululam, por toda a parte,
As notas sensacionais,
Amargurados venenos
De alguns intelectuais.

Entretanto, meu amigo,
No mundo, como ninguém,
Tu podes criar nas almas
Toda a tendência do bem.

Podes dar à evolução
Um grande sentido novo;
De ti, muita vez, dependem
O governo, a classe, o povo.

Teu erro é dar preferência
À mentira em que te cobres.
A hipocrisia entorpece
As faculdades mais nobres.

Acautela-te no esforço.
Cada artigo publicado
É um reforço na balança
Pela qual serás julgado.

Um livro que veicule
A treva, o crime, a paixão
Pode exigir-te um resgate
De séculos de aflição.

A justiça do infinito,
Na grandeza que ela encerra,
Tem também um tribunal
Que julga os livros da Terra.

Juízes retos e nobres
Sabem todos os teus feitos,
Mais tarde tu ganharás
Ou sofrerás seus efeitos.

A palavra é um dom sagrado.
E a ciência da expressão
Não deve ser objeto
De mísera exploração.

Põe tua pena a serviço
Da grande causa do bem.
Vive a verdade e o direito,
Terás o auxílio do Além.

Se há veneno em teus escritos,
Meu amigo, volta atrás.
Organiza o teu futuro
No santo esforço da paz.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS EMPREGADOS

Se és, meu amigo, empregado
Daquela ou dessa expressão,
Honra a oficina do esforço,
Manancial de teu pão.

Todo lugar de trabalho
É um templo de amor e luz,
É uma escola consagrada
À proteção de Jesus.

Quem se dedica ao dever
Não sabe da falsidade,
Que induz ao caminho triste
De incúria e infelicidade

Não faltarão companheiros
De alma obscura e tigrina,
Que te desejem levar
Aos males da indisciplina.

Um homem desesperado
Não pode ser teu amigo.
Sê prudente. Tem cuidado.
Toda revolta é um perigo.

Sinceridade, humildade,
Amor e dedicação,
Aclaram todo caminho,
Resolvem toda questão.

As soluções criminosas
Conduzem a dores largas.
Quem vive onde lhe compete
Não tem surpresas amargas

Valores e melhorias?
Não te esqueças meu irmão,
Do esforço individual
Na esfera da educação.

Quem trabalha, quem se educa
Alcança novos conceitos.
Quem salda os seus compromissos
Recebe novos direitos.

Leis externas não resolvem
A tua dificuldade.
A bússola no caminho
É a tua boa vontade.

Acata os superiores.
A ordem, a hierarquia.
São leis do próprio universo
De equilíbrio e de harmonia.

Se te esforças dignamente,
Em quaisquer obrigações,
Teu trabalho é a mais sublime
De todas as orações.

Deus sabe de teus serviços,
Pois vive em luz do Senhor
Quem transforma os seus deveres
Em santa escola de amor.

Educa-te. A Terra inteira
É como um campo de luz.
Onde patrões e empregados
Têm deveres com Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS VELHOS

Vens de longe no caminho,
Exausto de combater.
Sim, meu irmão, a velhice
É a hora do entardecer.

Por vezes, é uma hora triste
De amargurosas lembranças
Do barco em que viajavas,
Entre sonhos e esperanças.

Da culminância do monte,
Examinas a paisagem,
E deploras os desvios
De quem começa a viagem.

Às vezes te calas, triste.
Ninguém te quer atender,
E choras porque conheces
Os tóxicos do prazer.

Mas nunca te desanimes.
Prossegue em tua missão,
Continua esclarecendo
O mundo de provação.

Não desesperes, porquanto,
Antigamente também
Eras chamado à verdade
E não ouviste a ninguém.

Quebraste serros e atalhos,
Sem olhar a conseqüência.
Sofreste muito e ganhaste
O ouro da experiência.

Perdoa. Quem viveu muito
Tem muita compreensão.
Compreensão é bondade
Que esclarece com perdão.

Meninos, moços e velhos,
Nas lutas da humanidade,
São três expressões ligeiras
De um dia da eternidade.

Meninice e juventude
São a alvorada louçã.
Velhice é a noite, porém,
O dia volta amanhã.

O que é preciso no mundo
De prova e de sofrimento,
É que todos sejam velhos
Nas luzes do entendimento.

Por isso, meu santo amigo,
Não te canses em saber,
Se tens muito que ensinar,
Inda tens muito a aprender.

Conserva a tua esperança.
Guarda a paz do Mestre Amado.
A crença na tua noite
É um firmamento estrelado.

Na antecâmara do Além,
Deus te abençoe, meu irmão,
Dilatando no caminho
A luz do teu coração.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS PAIS

Não podes viver a esmo,
Numa estrada indefinida.
Um pai tem obrigações
Das mais nobres que há na vida.

Meu irmão, em tua casa,
Nas ternuras dos filhinhos,
Personifica o bom senso
Entre os beijos e os carinhos.

Por enquanto, a Terra inteira
Inda é um mar encapelado.
Se não dominas a onda
Virás a ser dominado.

Entende a luz do caminho.
A tua finalidade
Não é somente a da espécie
Nas lutas da humanidade.

Exige-se muito mais
Dos teus esforços no mundo,
Recebeste de Jesus
Um dom sagrado e profundo.

Se a missão das mães terrestres
É conduzir e ensinar,
O teu trabalho é de agir.
No esforço de transformar.

Não olvides teus deveres
Na esfera da educação,
Fazendo de tua casa
A escola de redenção.

Um pai que deixa os filhinhos
Abandonados ao léu
Não corresponde no mundo
À confiança do céu.

Cuida bem dos pequeninos.
A educação tem segredos
Que devem ser estudados
Desde os tempos dos brinquedos.

A tua função no lar
Não é somente prover,
Mas adotar providências,
Procurando esclarecer.

Ensina os teus a gastar.
Quem vive muito à vontade
Pode encontrar a miséria
No fim da ociosidade.

Gastar somente o que é justo
É ser prudente e cristão.
Quem gasta o que não é seu
Faz dívidas de aflição.

Luta sempre, mas se os teus
Não te seguirem os trilhos,
Esperemos nesse Pai
De que todos somos filhos.

Na pobreza ou na fortuna,
Esforça-te, meu amigo.
Exemplifica o trabalho
E Deus estará contigo.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA AOS JOVENS

Estás moço, meu amigo,
E a estrada da juventude
É um sonho alegre e florido
De esperança e de saúde.

Tudo, em redor de teus passos,
É vigor e fortaleza,
Entusiasmos felizes
Nas bênçãos da natureza.

É nessa fase da vida
Que, muita vez, a ilusão
Trabalha como um veneno
Às forças do coração.

Que a experiência do velho
Seja em tudo o teu espelho.
A luz dos cabelos brancos
É um carinhoso conselho.

Que a tua impulsividade
Se inutilize ou se torça;
Todo o mal da mocidade
É dominar pela força.

O engano de quem é moço
É a pretensão de poder,
Vendo embora que a questão,
Antes de tudo, é saber.

Alguém já disse no mundo,
Perante os impulsos teus,
Que a mocidade feliz
É uma inimiga de Deus.

É que o jovem, meu amigo,
No anseio de dominar,
Destrói com toda a imprudência
Sem saber edificar.

Não dispenses o velhinho
Que, humilde, te estende a mão;
Sua palavra tranqüila
É luminosa lição.

Recordo-te, nesta carta,
Um raciocínio profundo.
Sem que o velho houvesse andado,
Não marcharias no mundo.

Acata-o, raciocinando
Que, um dia, serás assim,
Desiludido e cansado
Quando a prova for ao fim.

Planta o bem no teu caminho.
Não fujas à caridade.
"Quem semeia ventanias
Colhe a dor e a tempestade".

Guarda a fé. Ora e confia.
A paz há de ser-te imensa.
Se, entre as sombras da velhice,
Tiveres a luz da crença.

A mocidade do mundo
Passa, às vezes, no imprevisto.
Mas tê-la-ás, pura e eterna,
Se andares com Jesus Cristo.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA DE ANO BOM

Entre um ano que se vai
E outro que se inicia,
Há sempre nova esperança,
Promessas de Novo Dia...

Considera, meu amigo,
Nesse pequeno intervalo,
Todo o tempo que perdeste
Sem saber aproveitá-lo.

Se o ano que se passou
Foi de amargura sombria,
Nosso Pai nunca está pobre
Do pão de luz da alegria.

Pensa que o céu não esquece
A mais ínfima criatura,
E espera resignado
O teu quinhão de ventura.

Considera, sobretudo
Que precisas, doravante,
Encher de luz todo o tempo
Da bênção de cada instante.

Sê na oficina do mundo
O mais perfeito aprendiz,
Pois somente no trabalho
Teu ano será feliz.

Não esperes recompensas
Dos bens da vida terrestre,
Mas, volve toda a esperança
A paz do Divino Mestre.

Nas lutas, nunca te esqueça
Deste conceito profundo:
O reino da luz de Cristo
Não reside neste mundo.

Não olhes faltas alheias,
Não julgues o teu irmão,
Vive apenas no trabalho
De tua renovação.

Quem se esforça de verdade
Sabe a prática do bem,
Conhece os próprios deveres
Sem censurar a ninguém.

Ano Novo!... Pede ao Céu
Que te proteja o trabalho,
Que te conceda na fé
O mais sublime agasalho.

Ano Bom!... Deus te abençoe
No esforço que te conduz
Das sombras tristes da Terra
Para as bênçãos de Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

CARTA DE NATAL

Meu amigo. Não te esqueças.
Pelo Natal do Senhor
Abre as portas da bondade
Ao chamamento do amor.

Reparte os bens que puderes
Às luzes da devoção.
Veste os nus. Consola os tristes,
Na festa do coração.

Mas não olvides tu mesmo,
No banquete de Jesus,
Segue-Lhe o exemplo divino
De paz, de verdade e luz.

Faze um novo compromisso
Na alegria do Natal,
Pois o esforço de si mesmo
É a senda de cada qual.

Sofres? Espera e confia.
Não te furtes de lembrar
Que somente a dor do mundo
Nos pode regenerar.

Foste traído? Perdoa.
Esquece o mal pelo bem.
Deus é a Suprema Justiça.
Não deves julgar ninguém.

Esperas bens neste mundo?
Acalma o teu coração.
Às vezes, ao fim da estrada
Há fel e desilusão.

Não tiveste recompensas?
Guarda este ensino de cor:
Ter dons de fazer o bem
É a recompensa melhor.

Queres esmolas do céu?
Não te fartes de saber,
Que o Senhor guarda o quinhão
Que venhas a merecer.

Desesperaste? Recorda,
Nas sombras dos dias teus,
Que não puseste a esperança
Nas luzes do amor de Deus.

Natal!... Lembrança divina
Sobre o terreno escarcéu...
Conchega-te aos pobrezinhos
Que são eleitos do céu.

Mas ouve, irmão! Vai mais longe
Na exaltação do Senhor.
Vê se já tens a humildade -
A seiva eterna do amor.

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

A FAXINA

De manhã, em toda casa,
Ar puro, janela aberta,
A higiene determina
O movimento de alerta.

É o asseio proveitoso
Que começa com presteza,
Expulsando o pó de ontem
Nos serviços de limpeza.

A vassoura range, range,
No polimento ao soalho,
Sem desprezar coisa alguma
Na expressão do seu trabalho.

Vem escovas cuidadosas
Ao lado de espanadores
E renova-se a paisagem
Dos quadros interiores.

A água cariciosa
Que se mistura ao sabão,
Carreia o lixo, a excrecência,
Enche baldes, lava o chão.

Os livros desafogados
Mostram ordem nas fileiras,
Convidando ao pensamento
Do cimo das prateleiras.

Os móveis descansam calmos,
De novo brilha o verniz.
Toda a casa fica leve,
Mais confortada e feliz.

A limpeza efetuada
É novo impulso à energia,
Multiplicando as estradas
De esforço e sabedoria.

A faxina, qual se chama,
Na linguagem da caserna,
Tem seu símbolo profundo
Nos campos de vida eterna.

Muita gente sofre e chora,
Na dor e na inquietação.
Por nunca fazer faxina
Nas salas do coração.

Fonte: Cartilha da Natureza

AJUDA-TE

Se queres conforto e paz
Nunca reproves ninguém.
Se buscas os bens do Céu,
Começa fazendo o bem.
No campo da humanidade
Não colherás a alegria,
Sem plantar com toda gente
A graça da simpatia.
Ajuda-te! Em toda parte,
Bondade é sol que abençoa.
Planta nobre não prospera
Sem bases na terra boa.
Caridade, gentileza,
Auxílio, calma e perdão
São das preces mais sublimes
Em teu altar de oração
Recorda que em toda vida,
Conforme a nossa procura,
O Criador nos responde
Nos gestos da criatura.

MAIS TRABALHO

Na senda da perfeição,
Mais caminha e mais produz
Quem estuda e quem trabalha
Arrimado à própria cruz.

Desejando progredir,
Serve, trabalha e não tema.
Em qualquer tempo de lugar,
Para vencer, eis o lema!

Na grande escola terrestre,
Toda lição nos ensina
Que não há quem se promova,
Sem esforço e disciplina.

O caminho para os Cismos
É um trilho marcado e estreito...
O rio só chega ao mar
Porque não foge do leito...

A lei é justa e perfeita.
Traz luz em questão qualquer,
Cada qual é responsável
Por aquilo que fizer.

Quem exige o esforço alheiro,
Para subir e crescer,
Mais cedo do que supõe
Terá que se arrepender.

Enquanto podes, trabalha,
Que a morte não manda aviso.
Cada minuto é importante
No fazer o que é preciso.

Traze sempre a mala pronta...
Investe a vida no bem.
O que fizeres na Terra.
É o que te espera do Além.

Livro "Juntos Venceremos - Francisco Cândido Xavier - Autores Diversos

A ÁGUA

Água santa, benção pura
Das bençãos celestiais,
Que o Senhor te multiplique
Os doces mamanciais.

Água que lavas o corpo
De todas as criaturas,
És a fonte de bondade
Que dimana das alturas.

Sangue vivo do planeta,
Na forma que aperfeiçoa,
Nos campos do mundo inteiro
Toda a terra te abençoa.

O teu impulso amoroso
É a vida, perfume, essência,
És em todos os recantos,
Mãe de forças da existência.

Por ti, há pomares fartos,
Doçuras no lar que abriga,
Ventos frescos do deserto,
Orvalho na noite amiga.

Água tranqüila e bondosa
Que acaricia o sedento.
Lava manchas. lava sombras,
Desde o solo ao firmamento.

Aclaras a imensidade,
Na borrasca, no escarcéu,
Circulas em toda a terra,
Depois de voltar ao céu.

Água santa, irmã da paz,
Da abundância, da limpeza,
Garantes o dom da vida
Nas luzes da Natureza.

Doce bem da Divindade
Que envolve os lares e os ninhos,
És a terna mensageira
Do amor de Deus nos caminhos.

Em todo lugar do mundo,
Haja paz, haja discórdia,
És a bênção paternal
Da Eterna Misericórdia.

Verdade e Luz Setembro de 1999. 

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