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A MORTE

No extremo pólo da vida
Diz a Morte: - "Humanidade,
Sou a espada da Verdade
E a Têmis do mundo sou;
Sou a balança do destino,
O fiel desconhecido,
Lanço Cômodo no olvido
E aureolo a fronte de Hugo!

O cronômetro dos séculos
Não me torna envelhecida;
Sou morte - origem da vida,
Prêmio ou gládio vingador.
Sou anjo dos desgraçados
Que seguem na Terra errantes,
Desnorteados viajantes
Dos Niágaras da dor!

Também sou braço potente
Dos déspotas e opressores,
Que trazem os sofredores
No jugo da escravidão;
Aos bons, sou compensação,
Consolo e alívio aos precitos,
E nos maus aumento os gritos
De dores e maldição.

Sepultura do presente,
Do porvir sou plenitude,
Da alegria sou saúde
E do remorso o amargor.
Sou águia libertadora
Que abre, sobre as descrenças,
O manto das trevas densas,
E sobre a crença o esplendor.

Desde as eras mais remotas
Coso láureas e mortalhas,
E sobre a dor das batalhas
Minha asa sempre pairou;
Meu verbo é a lei da Justiça,
Meu sonho é a evolução;
Meu braço - a revolução
Austerlitz e Waterloo.

Homem, ouve-me; se às vezes
Simbolizo a guilhotina,
Minha mão abre a cortina
Que torna o mistério em luz;
E por trabalhar com Deus,
Na absoluta equidade,
Sou prisão ou liberdade
Nova aurora ou nova cruz.

Se o cristal que imita o céu
Da consciência tranqüila
É o luzeiro que cintila
Na noite do teu viver,
Oásis - dou-te o repouso,
Estrela - estendo-te lume,
Flor - oferto-te perfume,
Luz da vida - dou-te o ser!

Mas, também se a tirania
Arvora-se em lei na Terra,
Eu mando a noite da guerra
Fazer o sol do porvir;
Arremesso a minha espada,
Ateio fogo aos canhões,
Faço cair as nações
Como fiz Roma cair.

Foi assim que fiz um dia,
Ao ver o trono imperfeito
Estrangulando o Direito;
Busquei Danton, Mireabau...
E junto ao vulto de Têmis
Tomei o carro de jove,
E fiz oitenta e nove
Quando a França me ajudou.

Então, implacavelmente,
Fiz a Europa ensangüentada
Ajoelhar-se humilhada,
Diante de tanto horror.
Das cidades fiz ossuários,
Dos campos Saaras ardentes,
Trucidei réus inocentes,
Apaguei a luz do amor.

Até que um dia o Criador,
Sempre amoroso e clemente,
Que jamais teve presente,
Nem passado nem porvir,
Bradou do cume dos réus
Num grito piedoso e forte:
"Não prossigas! Basta, Morte,
Agora é reconstruir."

Portanto, homem, se tens
Por bússola o Bem na vida,
Olha o Sol de fronte erguida,
Espera-me com fervor.
Abrir-te-ei meus tesouros,
Serei tua doce amante,
Cujo seio palpitante
Guardar-te-á - paz e amor.

Se às vezes se te afigura
Que sou a foice impiedosa,
Horrenda, fria, orgulhosa,
Que espedaça os teus heróis,
Verás que sou a mão terna
Que rasga abismos profundos,
E mostra bilhões de mundos,
E mostra bilhões de sóis.

Conduzo seres aos Céus,
À luz da realidade;
Sou ave da Liberdade
Que ao lodo da escravidão
Venho arrancar os espíritos,
Elevando-os às alturas:
Dou corpos às sepulturas,
Dou almas para a amplidão!"

A Morte é transformação,
Tudo em teu seio revive:
Esparta, Tebas, Ninive,
Em queda descomunal,
Revivem na velha Europa;
E como faz às cidades;
Remodela humanidades,
No progresso universal.

Médium: Francisco Cândido Xavier

ANTE OS NOVOS TEMPOS

Brilham áureos tempos novos,
A Inteligência domina,
Fala a Razão cristalina,
Que estuda, aclara e deduz;
A Ciência larga a Terra,
Onde refulge de rastros,
Para a conquista dos astros,
Sob o fascínio da Luz!...
No bojo do firmamento,
Do chão à face da Lua,
A pesquisa continua...
Engenhos e lumaréus!...
A Eletrônica revela
Vida mais alta e mais rica
E o Homem se comunica,
Povo a Povo, Céus a Céus! ...
A Cultura pede frente,
Entre aplausos invulgares.
No Ar, no Solo, nos Mares, -
Em tudo - o apelo ao Porvir!..
De ponta a ponta do Globo,
Em vasta ascensão na História,
Clama o Cérebro - mais Glória!
Grita o Mundo - Progredir!...
Mas no concerto dos louros
Em que a Idéia se embriaga,
Brado aflitivo pervaga -
O choro da multidão!...
São milhões de almas cativas
A ignorância na Terra,
Que a noite da angústia encerra
Nos vales de provação!...
A mágoa segue a penúria,
O crime instala a doença,
Lastima-se turba imensa
Encarcerada na dor!.:.
A legião do protesto
Volve à barbárie sombria,
Supondo na rebeldia
O facho libertador!
A guerra distende as garras,
Surgem conflitos de sobra,
A descrença se desdobra
Em chaga descomunal...
E a força do raciocínio
Do píncaro a que se eleva
Não barra a invasão da treva,
Nem doma a fúria do mal ...
Do Alto, porém, dimana
Visão diversa das cousas,
Os mortos rebentam lousas,
Irrompem vozes do Além! ...
São Mensageiros do Eterno,
Anjos do Céu sem escolta,
Trazendo Jesus de volta
Para a vitória do Bem!...
Companheiros do Evangelho,
Que o vosso Amor vibre, puro,
Edificando o Futuro
Nas leis Excelsas do Pai!...
Eis que o Cristo nos conclama,
Sob o fulgor do Cruzeiro,
Repetindo ao mundo inteiro:
- "Espíritas, educai!..."

(Poema recebido pelo médium Francisco Candido Xavier, na noite de 20/5/70,
no "Educandário Pestalozzi", ao final da reunião pública comemorativa
do Jubileu de Prata da instituição, em Franca, Estado de 8. Paulo)
Fonte: Reformador - julho/1970 - pg. 157

BRASIL

Brasil, o Mundo a escutar-te,
Pergunta hoje: "O que é?"
Ah! Terra de minha vida,
Responde às Nações de pé!
Das montanhas altaneiras,
Dentro das próprias fronteiras,
Alonga os braços --- Sansão!
Sem prepotência ou vanglória,
Grava no livro da História,
Novo rumo à evolução!

Contempla a sombra da guerra,
Dragão do lodo a rugir,
Envenenando a Cultura,
Ameaçando o Porvir!...
Fala --- assembléia de bravos ---
Aos milhões de homens escravos
Sábios loucos prometheus...
Do píncaro a que te elevas
Dissolve os grilhões das trevas
Na fé que te induz a Deus!

Brada --- gigante das gentes ---
Proclama com destemor
Que o Christo aguarda na Terra
Um novo mundo de Amor!
Ante a grandeza que estampas,
Os mortos voltam das campas,
Sublimando-te a visão!
Ao progresso Fernão Dias!...
O Dever mostra Caxias,
Deodoro a renovação!...

Dos sonhos do Tiradentes,
Que se alteiam sempre mais,
Fizeste Apóstolos, Gênios,
Estadistas, Generais...
De todos os teus recantos
Despontam palmas de santos,
Augusto pendões de heróes!...
Astros de brilhos tamanhos
Andrada, Feijó, Paranhos,
Em teus céus brilham por soes!...

Desde o dia em que nasceste,
Ao fórceps de Cabral
O tempo se iluminou,
Na Bahia maternal!...
Hoje, que o mundo te espera
Para as leis da Nova Era,
Por Brasília envolta em luz,
Que em ti a vida se integre,
De Manaus a Porto Alegre,
No Espírito de Jesus!...

Ao resguardar o Direito,
Mantendo a Justiça e o Bem,
Luta e rasga o próprio peito,
Mas não desprezes ninguém!...
Levanta o grande futuro,
Ergue tranqüilo e seguro,
A paz nobre e varonil!...
À humanidade que chora,
Clamando: Senhor... e agora?!"
O Christo aponta: Brasil!...

Mantida, rigorosamente, a autenticidade da ortografia
Psicografado por Francisco Cândido Xavier no Pinga Fogo - TV Canal 4 20/dezembro/1971

BRASIL, 500 ANOS

Ó Brasil, abre a porta dos teus mares,
Chegou a hora já de semeares
As luzes matutinas do porvir...
O mundo envelhecido já em esgares
Implora-te a tarefa de rasgares
As veredas cristãs do evoluir.

500 anos já que Portugal
Aqui fez aportar a nobre nau
Outorgando-te o mandato de nação...
E inda guardas das lágrimas o sal
Dos homens que te ergueram o imortal
Destino de ser terra em coração.

Com simples doçura portuguesa,
Com os olhos tristonhos de beleza
Do negro escravizado na senzala,
Com os índios extintos com rudeza
No cenário sem par da natureza
Agora, meu Brasil, ao mundo fala!

Quando disseres a mensagem-luz
Na linguagem loquaz da santa cruz,
Indígenas, escravos, europeus,
Erguer-se-ão da terra que reluz
E, louvando o Evangelho de Jesus,
Mostrarão o caminho para Deus!

Mas lembra-te que a ti cabe a missão
E te compete a luta na ascensão
E o merecer do prêmio da vitória!
Serás somente a fúlgida nação
Se fizeres com fé e com razão
De justiça e de paz a tua história!

Médium Dora Incontri
Conferência Espírita Brasil-Portugal, 18/3/2000
Folha Espírita - Maio de 2000

BRASIL DA PAZ

Na caverna primitiva,
Armada de pedra e clava,
A terra move-se escrava
Do sul ao setentrião.
Sob o medo que a domina,
Espessa nuvem a encerra:
É o carro estranho da guerra,
Gerando destruição.

Desde os lêmures remotos
A Atlântida bela e flórea,
Hoje segredos da história
No torvo arquivo do mar,
Suplicam povos nascentes:
__ "Viver e amar! ... Ao porvir!...
Crescer, lutar, construir!..."
E a guerra pede: " arrasar!..."

Das glebas remanescentes
Aninha-se na Caldéa,
Paira fremente na idéia
Dos seguidores de Deus!...
Antigos povos pastores
Bradam rixas e vinganças
E empunham pérfidas lanças
Na guerra dos filisteus.

Filósofos pregam paz
Sobre espadas e tambores,
Há novos conquistadores
Decretando novas leis...
Passa a rude caravana,
Sesoztriz, Ramsés, Cambises
E as multidões infelizes,
Seguido sobas e reis.

Um dia, Alguém contra o ódio
Desce da Altura infinita,
Faz-se a palavra bendita
De vida, verdade e amor,
Mas a voz da crueldade
Dirigi-se em rumo certo
E impõe-lhe, a cenário aberto,
A morte de malfeitor.

Desde Jesus, entretanto,
Cresce a Divina Demanda,
O bem sugere e comanda
No Direito Natural!...
Tantas armas se acumulam,
Tanta violência subleva
Que a treva receia a treva
E o mal sente o horror do mal...

No contexto das nações,
Eis que o duelo se atiça,
Mas a chama da justiça
Acende a luz da razão;
Rogam-se ajustes, tratados,
Cessação de toda luta,
Concórdia, amparo, permuta,
Auxílio e cooperação.

Brasil, no posto da paz
Em que a vida te agasalha,
Serve, abençoa, trabalha
Na fé a que o céu te induz! ...
E ainda que o ódio estoure,
Clama, em brado soberano,
Que em todo conflito humano,
O vencedor é Jesus.

Médium: Francisco Cândido Xavier

BRASIL HOJE

Foge o século da lua
Escoam-se dois milênios
De santos, heróis e gênios
Com Cristo ensinando o Amor;
Mas o ódio continua
E agarra-se ao chão da Terra
No torvo dragão da guerra
Por monstro devorador

A inteligência remoça
A idéia da Liberdade
Sem que o poder a degrade
Tombam mitos, caem reis
No entanto, quando se esboça
A união de povo a povo,
Explode a guerra de novo
De novo quebrando as leis

Desde Atenas se promove
Um mundo claro e perfeito;
Roma estatui o Direito
Mas varrendo a floração
Da França de Oitenta e Nove
Rugem na grande chacina
O terror, a guilhotina
E as batalhas da opressão

Aos clarões da Nova Era
Milhões de cérebros agem;
A ciência quer passagem
Para acender o Porvir;
O tempo ávido espera
O atrito vibra no ar,
O mundo roga: -- avançar!...
Clama a guerra:-- destruir!

Tanto o Progresso se espalha,
Agiganta-se a Cultura,
A Terra sofre, insegura,
No temor do próprio fim.
Contudo, sobre a metralha,
Cristo, na Luz que Ele encerra,
Repete às Nações da Terra:
--" Amai-vos e vinde a Mim!..."

Espíritos Benfeitores
No Brasil, perante o mundo,
Tocados de Amor profundo,
Retornam do Grande Além
E, entre ocultos resplendores,
Dissolvem taras primeiras
Rompendo os grilhões das trevas
Na forja viva do Bem!

Por isto agora, ante a luta
Que em fogo se reinicia,
Sonhando nova harmonia
Na fé que se nos refaz,
De pólo a pólo, se escuta,
Onde a voz dos céus alcança
Que o futuro da Esperança
Pertence ao Brasil da Paz!...

Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública do Centro Espírita União, na noite de 15 de Outubro de 1980, sediado a rua dos Democráticos, 527- Jabaquara - São Paulo - Capital.

ESPERANTO

O Esperanto - mensageiro
De encantados tempos novos
Erguerá nações e povos
Do campo de lodo e pó.
Da Harmonia timoneiro,
Que os portos da paz descerra,
Libertará toda a Terra,
Na glória de um mundo só!

Vemo-lo já, no futuro,
Fulgente, impávido e forte,
Vencendo a miséria e a morte,
- Luz fraterna em sendas mil!
Chave de amor santo e puro,
Abrirá caminhos grandes,
Do altivo Himalaia aos Andes,
Da Cochinchina ao Brasil.

Nessa eminência sublime
Do mundo regenerado,
Não haverá Jove irado,
Cujos carros fugirão;
Nem Babilônias do crime
Bebendo em festins sangrentos,
Nem purpúreos paramentos
De senhores da ilusão.

Seus luzidos estandartes
Brilharão no mundo inteiro,
Abolindo o cativeiro
A que a maldade conduz;
Convertendo os Bonapartes
Em benfeitores amados,
De canhões - forjando arados,
De balas - penas de luz!

Hífen de sol, religando
Os Templos da Humanidade,
De grande fraternidade
Fazendo virtude e lei;
Orgulho triste e nefando,
Que torvas guerras produzes,
Espadas, fuzis, obuses,
Mentiras, trevas - tremei!

Na Terra inda há sombra inglória
Da noite do mundo velho,
Embora seja o Evangelho
O Amor que do Alto reluz!
No limiar da vitória
Das verdades do Infinito,
Esperanto! Sê bendito
Ao doce olhar de Jesus!

(Recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, na sessão pública do Grupo Espírita "Luiz Gonzaga", em 26-5-1947. Transcrito de Reformador, agosto de 1947, pág. 177, em comemoração ao Cinqüentenário da poesia.)
Revista Reformador - Nº 2020 - Julho de 1997.

ENCONTRO EM BRASÍLIA

O berço da Renascença
Era um viveiro de sóis
Consagrado ao pensamento
De gênios, Santos e Heróis.
Nas retaguardas medievas,
Jaziam agora as trevas
De Átila a Tamerlão;
Entre as cinzas das Cruzadas,
Multidões desesperadas
Pediam renovação.

Aos gritos da Humanidade,
Cansada de grandes réus,
Sanando a angústia dos povos,
Explodiam tempos novos,
Vinham respostas dos Céus...

Na Europa aflita e insegura,
Dante ilumina a cultura,
Gutemberg amplia a escola,
Ante a fé, Savonarola
É o novo facho a brilhar;
Copérnico estuda e espreita,
Da Vinci é a forma perfeita,
Colombo é o poder no mar...

No entanto embora o progresso
Anunciando o porvir,
Não se via no horizonte
Réstia de paz a surgir;
Discórdia ferindo o mundo,
Era tormento infecundo,
Intérmino vendaval;
Pelas fornalhas da guerra,
O ódio agitava a Terra
Em luta descomunal.

Foi então que a Voz do Alto
Conclamou no Imenso Azul:
- "Descobre-se no Planeta
Novo Lábaro no Sul!...
Povo heróico se levante
Sobre o maciço gigante,
Marcado a estrelas no além;
Obreiros de mãos armadas
Levantarão nas estradas
O Reino do Eterno bem."

Surgia o Brasil nascente
Nos braços de Portugal
Que lhe deu, ao pé dos Andes,
Visões de altura imortal!...
Chega ilustre caravana,
Lisboa é a voz soberana,
Tomé de Souza conduz;
No entanto, entre os companheiros,
O armamento dos obreiros
Era a mensagem da Cruz.

O ensinamento de Cristo
Faz-se verdade e clarão
Nas forjas em que se erguia
O País em ascensão.
Nóbrega, Anchieta, Gregório
Espalham no território
O Evangelho do Senhor
E o Brasil grava, na História,
A fé cristã por vitória,
Traduzida em paz e amor.

Nos domínios do Universo,
Ninguém evolui a sós,
A humanidade na Terra
É a soma de todos nós.
Mas, de olhar alçado aos cimos,
Por súplica repetimos,
Em Brasília, aos céus de luz:
- " Brasil de perenes brilhos,
Pela união de teus filhos,
Deus te conserve em Jesus. " 

VI - Congresso Brasileiro De Jornalistas e Escritores Espíritas.
Brasília - Distrito Federal 15.04.1976
Fonte: livro "Marcas do Caminho"
Psicográfia: Francisco Cândido Xavier
Espíritos diversos

FALANDO AO BRASIL

Fim do milênio. anoitece.
No fulvo céu do Oriente,
A sombra avança envolvente,
Surgem sinistros bulcões;
No alto, lampejam raios,
O ódio se descortina,
Lembrando cinza e ruína,
Tumultos... Gritos...Canhões...

Permanece o grande embate:
O Direito e a força bruta.
É Sócrates e a cicuta,
Jesus ante Barrabás...
Desde a Suméria distante,
De Ur ao fulgor do Egito
O mundo rola em conflito,
Ganha a guerra e perde a Paz.

Agora, porém, na Terra,
Sem a Fé, age a Ciência,
Nas garimpas da inteligência,
E apóia o estranho festim;
O cérebro - águia cativa,
Obedecendo ao mais forte,
Exalta o poder da Morte
E aperfeiçoa Caim.

No parque dos armamentos,
Bombas de vários matizes
Querem lauréis infelizes
Em máquinas de terror;
Rente ao fogo que dormita,
Escota-se, a cada hora,
A humanidade que chora,
Perante o abismo a transpor.

Por isso, Brasil, enquanto
Nas urzes do sofrimento,
Sopra o ciclone violento
Temor e desolação,
Levanta o próprio futuro
no trio que te ilumina:
Justiça, Escola e Oficina,
Burilando o coração.

Falando aos nossos amigos
Ante a grandeza que estampas,
Vozes suplicam das campas
Na bênção do Eterno Pai:
-Bravos filhos do Cruzeiro,
O Tempo não nos espera,
ante o Sol da Nova Era,
Uni-vos e trabalhai!...

Recordemos a epopéia
Dos antigos bandeirantes,
Conquistadores gigantes,
Plantando o País no chão,
E os nobres Inconfidentes,
Atormentados em bando,
Mortos-vivos, mas buscando
A paz da libertação.

Ide e criai vida nova!...
Onde o atrito sobrenade,
Mantendo a fraternidade,
Que o vosso gênio produz,
Dizendo a todos os povos,
Na luz que vos descerra,
Que, em qualquer luta, na Terra,
O vencedor é Jesus.

(Mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier, no Centro Espírita "União", em Sao Paulo - SP, em 14-10-1981. Transcrito de REFORMADOR de maio de 1982

O LIVRO DIVINO

Gemia a Terra humilhada.
A noite do cativeiro
Dominava o mundo inteiro
Sob o carro da opressão;
Com mandíbulas vorazes
De loba que se .subleva,.
Roma encharcada de treva.
Estendia a escravidão
Entre as águias poderosas,
Jazia Atenas vencida,
Carpia Cartago a vida
Ligada a grilhão cruel.
Na Capadócia, na Trácia.
Na Mauritânea e no Egito,
O povo chorava aflito
Tragando cicuta e fel.
O frio invadira os templos.
Não mais Heros de olhar brando
Nem bela Afrodite amando.
Nem Apolo encantador;
O Olimpo dormira em sombra.
Cessara a graça de Elêusis,
Não surgiram outros deuses,
Que não fossem do terror.
Mas quando o mal atingira
O apogeu da indiferença,
Disse Deus na altura imensa:
"Faça-se, agora, mais luz!"
E um livro desceu brilhando.
Para História envilecida:
Era o Evangelho da Vida,
Sob as lições de Jesus.
Tremeram dourados sólios,
O orgulho caiu de rastros:
Arcanjos vinham dos astros
Em cânticos de louvor.
Mas ao invés da vingança,
Contra o ódio, contra a guerra,
O Livro pedia à Terra:
Bondade, perdão e amor...
Começou o novo o Reino...
Horizontes infinitos
Descerram-se aos aflitos,
Perdidos nos escarcéus;
Os fracos e os desditosos,
Os tristes e os deserdados,
Contemplaram, deslumbrados,
Novos mundos, novos céus.
Desde então a Humanidade
Trabalha. cresce, porfia,
Ao clarão do novo dia,
Por escalar outros sóis;
E mensagem continua,
Em sublimes resplendores,
Formando Renovadores,
Artistas. Santos e Heróis.
Espíritas, companheiros
Da grande Luz Restaurada,
Tracemos a nossa estrada,
Na glória do amor cristão;
E servindo alegremente
Na luta. na dor, na prova,
Busquemos na Boa Nova
O Livro da Redenção!

Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Extraído do livro Lindos Caso, de Chico Xavier -
Ramiro Gana - Editora LAKE
Notícias da Mocidade - Outubro de 1999

PRESENÇA DO AMOR

Onde a paz se rejubila
Em louvor, auxílio e prece,
Onde a Bondade aparece
- Fonte de excelso caudal -
Ei-lo que surge espontâneo,
Sem vocação de tumulto,
Resplandece-se, Sol oculto,
Chama de Amor imortal.

Desde as eras mais remotas,
Lembra fúlgido pedaço
De Céu, colhido no Espaço,
Vibrando Beleza e Luz;
Refulgindo, trouxe ao mundo,
Na túnica dos milênios,
Heróis, Filósofos, Gênios,
Sócrates, César, Jesus!...

Guiando Nações e Povos,
Se o ódio ruge na Terra,
Ante a metralha da guerra,
Faz-se mais vivo clarão;
Torna-se mão que abençoa,
Inspira, afaga, redime,
Apaga as nódoas do crime,
Extingue a separação.

De ponta a ponta do Globo,
Se a dor ameaça o mundo,
É sempre apoio fecundo
Pela missão, bênção, afeto,
Com Deus, é a força gigante,
Que cria, ampara e garante
A Escola, o Jardim, o Luar...

Quando o mal sacode a juba,
Armando as clavas da treva,
É lâmpada que se eleva,
Fulgindo seja onde for;
E, alcançando-se humilde e nobre,
Filtra a Grandeza Divina,
Restaura, ergue e domina
Pela presença do Amor.

Santuário, templo, astro,
Em que esplendores se esconde?
Como vê-lo? Quando? Onde?
Mas isso é dado a qualquer;
Esse santo relicário
De ternura indefinida
Com que Deus sustenta a vida
É o Coração da Mulher.

Chico Xavier - Livro - Estrelas no Chão

SÉCULO XX

"Século XX ... entardece
Fim do milênio segundo.
Jesus tutelando o mundo,
Hora de paz e de prece.

Conflito, inveja, rancor,
De nada valem na Terra.
E o ódio, que faz a guerra,
Só se desfaz pelo amor.

Desde milênios distantes,
Assírios, gregos, romanos
Formavam grupos insanos
Ostentando o orgulho vão...
Viviam de luta armada,
Foice, forca, pedra, espada,
Terror e devastação.
(...)

Século XX ... Anoitece.
Ouço dele estranhas vozes,
O nosso século XX
É daqueles mais ferozes!...

Espíritas, cristãos companheiros,
Recordai a trilogia:
União, serviço e amor,
Nas lutas de cada dia.
Resguardai com zelo e fé
Nossa Doutrina de Luz!...
Ante a treva mais espessa,
Que nenhum de nós se esqueça
Da rota para Jesus!!!..."

FONTE :Mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier, no anivesário do Centro Espírita União Jabaquara - SP - 07/10/1992.

SEGUE BRASIL

Após um milênio em Cristo,
Ante Basílio Seguindo,
A guerra flagela o mundo
Em fúria descomunal;
Sob esplendor jamais visto,
Byzâncio governa os povos,
Despontam séculos novos
Na cúpula ocidental.

Apesar da austera soma
De vandalismos transatos,
De abusos e desacatos,
A Cruz assinala as leis;
Eugênio Terceiro, em Roma,
Prega a Cruzada Latina,
A guerra santa domina
Comunidades e reis.

O conflito segue acima,
A combates desumanos,
Irmãos se fazem tiranos,
Perde a vida o Rei Luiz;
A luta cruel dizima
Populações desoladas
E o tempo arquiva as Cruzadas
Da Cristandade infeliz.

Da idade Média a que assiste,
Dante aponta a Renascença,
Gutemberg traz a imprensa,
Da Vinci é Arte e Invenção;
A América surge à vista,
O feudalismo se move,
A França de Oitenta e nove
Atiça a Revolução.

O milênio atormentado
Vibra ao signo da guerra,
Fulge o cérebro na Terra,
O coração pede luz;
Treva e ambição, lado a lado,
Avançam buscando a frente,
Embora em tudo se ostente
O lábaro de Jesus.

Dez séculos, na balança,
O Tempo agora perfaz...
E o mundo grita: " onde a paz
Depois do marco dois mil "?
E enquanto o Progresso avança,
O Céu, aos sóis do Cruzeiro,
Responde, ante o mundo inteiro,
Um nome apenas: " Brasil "!...

Centro Espírita União - São Paulo - Capital 06.10.1978
Fonte: Livro "Marcas do Caminho"
Psicográfia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos diversos

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