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CHEGAR E FICAR 

Chegar,
Como brisa que atravessa a janela.
Soprando de leve,
As brumas do passado.

Chegar,
Como o barco.
Trazendo alegrias,
Após enfrentar as procelas sombrias.

Chegar,
Como a saudade.
Que bate,
De manso, no coração.

Chegar,
Como Chuva, fininha,
Mansinha, criadeira,
Necessária e tão querida.

Ficar,
Nas lembranças do passado,
Nas estampas do presente,
A retratar nosso ontem no hoje.

Ficar,
Para sempre.
Na imagem nunca esquecida,
Dos que nos são tão queridos.

A vida,
É chegar e ficar,
Para sempre.
Vida nunca será partida.

Mensagem recebida por Shyrlene Soares Campos, no núcleo Servos Maria de Nazaré, dia 25/09/1999.

SERTANEJA

Triste,
Magra,
Solitária,
Acompanhada apenas pela fome e a dor.

Mulher frágil mas forte
No seu chorar,
no seu avançar,
Pela estrada poeirenta.

Seus pés descalços,
Rachados,
são como o solo estorricado,
sem verde.

Você tem raízes nos pés.
Nas veias altas,
As pernas marcadas.

Mas o ventre sempre fértil,
a desafiar a fome.
Você olha o céu sem nuvens
E traz nuvens no seu olhar.

Maltrapilha,
Com braços finos mas fortes,
Bastantes para embalar
Seus filhos na rede,

No colo,
junto ao coração que teima em esperar
A chuva
A água amanhã

Nas lutas da sua vida,
Mulher destemida e sofrida,
Eu admiro a sua força.

Mulher mãe.
Cidadã da fome e da dor,
Que coloca seus filhos no mundo
E com suas mãos tece a cruz,

Ao devolvê-los ao berço-terra,
Na cruz da sua dor.
Eu louvo suas lutas inglórias,
Mas um dia lhe será concedida

A alegria de mergulhar as mãos
Na água pura
Que a alma liberta se inunda de luz,
Matar sua sede de amor,

Num amor maior.
Sacrifício ainda lhe pedem,
E nos seus olhos tristes,
Você agradece as migalhas

Que lhe chegam dos que muito possuem.
Você ama,
Você perdoa
O solo ingrato

E ainda sente
Gratidão e amor.
Sertaneja, Imagem da dor,
Que lhe abençoe nosso senhor.

Mensagem recebida por Shyrlene Soares Campos, no núcleo Servos Maria de Nazaré, dia 25/09/1999.

CANTO CIGANO

Seus cabelos,
Balançavam com o vento.
Ela dançava,
Dançava de dia,
Dançava de tarde,
Dançava à noite.
À noite,
Enquanto os archotes brilhavam,
E punham nela muitos fulgores,
Ela sorria e sorria...
Para quem sorria?
Para ninguém.
Bastava, para ela,
Sorrir para si mesma.
Sorria...
Sufocando o pranto,
Que lhe inundava a alma.
Porque, se ela chorasse,
Todos choravam também.
E ela tinha que sorrir,
Cantar,
Dançar.
Bailando,
Como baila o vento,
Cantando,
Como cantam as aves,
Só, tão só...
E, no entanto, dona absoluta,
De todos os olhares,
De todas as mentes,
Que estavam ali.
Cada um achando,
Que era para eles que ela sorria,
Quando, na verdade,
Ela não sorria para ninguém,
Ela sorria para si mesma.
O tempo passou...
E, no vento tão forte,
Que muda a vida,
Mudando as pessoas de lugar,
Daqui para acolá.
Um dia,
Ela deixou de dançar,
Mas não deixou de cantar.
Mesmo na solidão dos pinheiros gelados,
Fazia, com os rouxinóis,
Um dueto encantado.
O rouxinol cantava de tristeza,
Ela cantava de saudade,
De dor...
Por onde andará?
Como estará a terra dos meus amores?
Aonde estarão aqueles,
Que pisam, firme, o chão?
Aonde estará o meu povo?
Será que estão como eu...
Na solidão?
Canta, cigana,
Canta...
Deixa que o vento da vida de carregue,
Que a brisa te abrace
E que as folhas te teçam harpejos,
Nos ninhos dos pássaros.
A solidão nos faz
Aprender a viver,
Dentro de nós,
Num castelo encantado.
Onde se é possível,
Chorar sozinha
E rir, feliz,
Para todos os passantes,
Caminhantes,
Andantes de muitas terras,
De muitos sonhos,
De muitas estradas.
Deixa voar,
O seu sonho de paz,
Porque, um dia, você terá.
Não chore,
Não chore, cigana,
Cante.
Porque, mesmo sem cantar,
Você encanta.
E, mesmo chorando,
Você sorri.
Deixa o tempo passar,
Deixa as folhas voarem,
Voar...
Porque, um dia,
Paz você terá!

Arauto de Luz - Junho de 2000
Psicografia Shyrlrene Soares Campos

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