pteneofrdeites
Compartilhar -

A SEPULTURA

Como a orquídea de arminho quando nasce,
Sobre a lama ascorosa refulgindo,
A brancura das pétalas abrindo,
Como se a neve alvíssima a orvalhasse;
Qual essa flor fragrante, como a face
Dum querubim angélico sorrindo,
Do monturo pestífero emergindo,
Luz que sobre negrumes se avistasse;
Assim também do túmulo asqueroso,
Evola-se a essência luminosa
Da alma que busca o céu maravilhoso;
E como o lodo é o berço vil de flores,
A sepultura fria e tenebrosa
É o berço de almas - senda de esplendores.

(Do livro "Parnaso de Além-Túmulo", psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, página 22, 14ª edição FEB).Fonte: Reformador nº2000 - Novembro/1995
Responsável pela transcrição: Wadi Ibrahim

ALMA LIVRE

Um soluço divino de alegria
Percorre a todo Espírito liberto
Das pesadas cadeias do deserto,
Desse mundo de sombra e de agonia.

A alma livre contempla o novo dia,
Longe das dores do passado incerto,
Mergulhada no esplêndido concerto
De outros mundos, que a luz acaricia!

Alma Liberta, redimida e pura,
Vê a aurora depois da noite escura,
Numa visão mirífica, superna...

Penetra o mundo da imortalidade,
Entre canções de luz e liberdade,
Forçando as portas da Beleza Eterna.

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

ANJOS DA PAZ

Ó luminosas formas alvadias
Que desceis dos espaços constelados
Para lenir a dor dos desgraçados
Que sofrem nas terrenas gemonias!

Vindes de ignotas luzes erradias,
De lindos firmamentos estrelados,
Céus distantes que vemos, dominados
De esperanças, anseios e alegrias.

Anjos da Paz, radiosas formas claras,
Doces visões de etéricos carraras
De que o espaço fúlgido se estrela!...

Clarificai as noites mais escuras
Que pesam sobre a terra de amarguras,
Com a alvorada da Paz, ditosa e bela...

(Do Livro Parnaso de Além-Túmulo, psicografado por Chico Xavier)

FALANDO A KARDEC

Apóstolo da luz ditosa e bela,
Quando desceste da Divina Altura,
Surgia a Terra desolada e escura
Por agressiva e torva cidadela.

Qual nau sublime que se desmantela
Naufragava na sombra a fé mais pura
E envolvia-se o templo da cultura
No turbilhão de indômita procela...

Mas trouxeste equilíbrio ao caos nefando
E "O Livro dos Espíritos" brilhando,
Rompe a noite mental, espessa e fria!

Ante o sol da verdade a que te elevas,
Revelaste Jesus ao mundo em trevas
E acendeste o clarão do Novo Dia.

Chico Xavier - Livro "Ação, Vida e Luz"

HERÓIS

Esses seres que passam pelas dores,
Às geenas do pranto acorrentados,
Aluviões de peitos sofredores,
No turbilhão dos grandes desgraçados;

Corações a sangrar, ermos de amores,
Revestidos de acúleos acerados,
Nutrindo a luz dos sonhos superiores
Nos ideais maiores esfaimados;

Esses pobres que o mundo considera
Os humanos farrapos dos vencidos,
Prisioneiros da angústia e da quimera,

São os heróis das lutas torturantes,
Que são, sendo na Terra os esquecidos,
Coroados nas Luzes Deslumbrantes!

Do Livro Parnaso de Além-Túmulo, psicografado por Chico Xavier)

NOSSA MENSAGEM

Essa mensagem de esperança e vida
Que endereçamos da imortalidade,
É a lição luminosa da Verdade
Que a Humanidade espera comovida.

Guardai a voz da Terra Prometida,
Nos exílios do pranto e da saudade;
Conservai essa vaga claridade
Da luz da eternidade indefinida.

Todo o nosso trabalho objetiva
Dar-vos a fé, a crença persuasiva
Nos caminhos da prova dolorosa.

Sabei vencer entre as vicissitudes,
Como arautos de todas as virtudes,
Sobre as ressurreições da alma gloriosa.

Do Livro Parnaso de Além-Túmulo, psicografado por Chico Xavier)

REENCAÇÃO NA OBRA DOS GRANDES POETAS

Eternidade retrospectiva
Eu me recordo de já ter vivido,
mudo e só por olímpicas Esferas,
onde era tudo velhas primaveras
e tudo um vago aroma indefinido.
Fundas regiões do pranto e do Gemido,
onde as almas mais graves, mais austeras
erravam como trêmulas quimeras
num sentimento estranho e comovido.
As estrelas longínquas e veladas
recordavam violáceas madrugadas,
um clarão muito leve de saudade.
Eu me recordo de imaginativos
luares liriais, contemplativos,
por onde eu já vivi na Eternidade!

Soneto da página 199, de Obra Completa edição do Centenário Anuário Espírita - 1965

REDENÇÃO

Bendize a cruz de pranto que te oprime
O coração cansado!... Sofre e chora!...
Suporta a noite, contemplando a aurora
A resplender não longe em paz sublime...

Nenhuma provação te desanime!...
Inda que o mal te espanque e humilhe... Embora
Os temporais de fel, a cada hora,
Agradece a aflição que nos redime!...

Bendize o doloroso itinerário,
Os espinhos e pedras do calvário
Sob o lenho de dor que te governa...

Serve, perdoa e crê, ante o futuro!...
Somente a luz do amor constante e puro
Abre os caminhos para a Vida Eterna!...

Psicografia Chico Xavier - Espíritos Diversos - Livro Servidores no Além
Digitação - Luciane Bortoluzzi

SOBRE A DOR

Suporta calmo a dor que padeceres,
Convicto de que até dos sofrimentos,
No desempenho austero dos deveres,
Mana o sol que clareia os sentimentos.

Tolera sempre as mágoas que sofreres,
Em teus dias tristonhos e nevoentos;
Há reais e legítimos prazeres
Por trás dos prantos e padecimentos.

A dor, constantemente, em toda a parte,
Inspira as epopéias fulgurantes,
Nas lutas do viver, no amor, na arte.

Nela existe uma célica harmonia
Que nos desvenda, em rápidos instantes,
Mananciais de lúcida poesia.

Chico Xavier - Livro "Moradias de Luz"

TEMPLO DE ISMAEL

Neste templo de amor profundo e puro,
Que as desgraças e as dores alivia,
Ouvem-se vozes da Sabedoria,
Clarificando estradas do futuro.

Porto luminosíssimo e seguro,
Onde se encontra a doce eucaristia
Do Evangelho da Paz e da Alegria:
Luz entre as sombras do caminho escuro...

Nestas portas que acolhem desgraçados,
Infelizes, sedentos e esfomeados,
Ouve-se a voz do amor, profunda e imensa.

E' Ismael consolando os sofredores,
Vendo o seu templo esplêndido de flores,
Cheias da luz suavíssima da crença.

Fonte: Reformador - agosto, 1936
Responsável pela transcrição: Wadi I brahim

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado