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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2018
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       O Grupo Amigos da Paz promoveu, entre os dias 03 a 12 de abril de 2018, a Semana da Não Violência e, no sábado, dia 7 de abril, o jornalista André Trigueiro, esteve no Grupo Espírita Discípulos de Samuel, um dos mais antigos do Brasil, com 119 anos completos no último dia 1º de janeiro - Rua dos Artistas, 151, Vila Isabel, Rio de Janeiro, oportunidade em que proferiu a terceira palestra desta edição com o tema "Fraternidade e Superação da Violência".

Gladys Andrade Carneiro da Silva, uma das organizadoras do evento, esclareceu que há vários anos acontece “A semana da não violência”, citando a querida Tia Irene,  a qual sempre estimulava a realizar uma palestra, sendo o mês de abril escolhido por causa da data de desencarnação de Martin Luter King, que deu sua vida pelo seu sonho de paz, de integração social e de fraternidade.

Lembrou, ainda, que Luiz Antonio Millecco instituiu, no Grupo Amigos da Paz, o “minuto de silêncio”, que pode ser a qualquer hora do dia, um minuto de harmonia no qual podemos pedir paz para nós mesmos e para os outros. Millecco foi músico terapeuta, orador espírita, compositor e fundador do Grupo Amigos da Paz, grupo ecumênico que está inserido na SPLEB.

E agradeceu à presença do Orador André Trigueiro, que, desde 2004, a convite do irmão Millecco, participa da Semana da Paz, que nesta ocasião iniciou sua palestra falando de duas coincidências: a primeira é que estávamos no dia em que nossos irmãos católicos estabeleceram como tema da campanha da Fraternidade em 2018 (“Fraternidade e Superação da Violência”).  E isso ocorreu depois de um debate intenso do qual que ele chegou a participar, em face à preocupação das pessoas não terem só uma postura reativa, de medo, mas na perplexidade, em alguma perturbação emocional, que sejam agentes na reflexão e tenham uma atitude proativa, positiva dessa realidade. Essa parece a forma mais adequada, correta e sábia de lidar com essa atual situação do país.

Lembrou o exercício da Paróquia de Niterói, dividido em sete grupos para discutir:  violência política e das autoridades; violência de gênero e violência étnica; violência doméstica; violência da mídia; violência contra moradores em situação de rua; violência religiosa; e violência ambiental. 

A outra coincidência é que era o Dia do Jornalista. Saudou Kardec, já que o Livro dos Espíritos foi  uma bela entrevista, de perguntas e respostas. E reconheceu, como profissional da área, um grande problema atual, que é a espetacularização da violência nas mídias, sob o pretexto legítimo de informar que há violência. Não se podem omitir casos graves, mas tem um outro lado otimista de se mostrar que algo dá certo. Isso é extremamente importante, reduzir a carga tóxica do noticiário, pois as pessoas precisam acessar informações positivas de otimismo e de esperança.

Em seguida, ofereceu alguns elementos de reflexão, para que possam germinar e trazer perspectivas de entendimento do fenômeno da violência no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo. Não se resolve o problema da violência apenas com polícia ou com tropas federais ocupando esquinas. Isso reduz, inibe, mas não resolve. O problema envolve cultura, educação, escolaridade e, na seara espiritual, um passivo espiritual, algo que vem de outras encarnações e que transportamos para a vida atual. Existe uma questão que alude aquilo que aparece em várias obras espíritas: primarismo evolutivo. Não faz muito tempo que a gente deixou de pertencer ao reino animal, onde há a prevalência dos instintos e o extinto se expressa das formas mais surpreendentes.  Jesus, quando disse, “Vigiai e orai” (Gálatas 5:16-17) sabia, e isso é absolutamente natural, porque o extinto não é contra o animal, é a favor. E nós ainda hoje, às vezes, agimos de maneira instintiva, em situações de stress, emoção. E é bem difícil enxergarmos nossas muitas imperfeições, é mais fácil percebermos nossas virtudes. O ideal é despirmo-nos das ilusões de que somos perfeitos e, despidos dessa ilusão, saberemos do que somos capazes de fazer.

E encerrou, lembrando o sentimento que nos falta no momento de crise, Todos temos motivos para nos sentirmos incomodados e desconfortáveis, mas estamos engajados e ninguém pode omitir-se, porquanto somos todos igualmente responsáveis pelas ocorrências da delinquência, da perversidade e da violência. Sabemos que, quando reencarnamos, há uma programação quanto à existência, o momento, o lugar, o corpo físico, a árvore genealógica e não é por acaso que estamos aqui, brasileiros e no Estado do Rio de Janeiro, nós somos parte do problema e precisamos ser parte da solução. É possível que alguns de nós estejamos resgatando débitos eventualmente cometidos aqui.

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