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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2018
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O jornalista e escritor Marcel Souto Maior esteve no sábado, dia 25 de agosto de 2018, na Tenda Espírita Irmãos do Oriente (Rua da Matriz, 79, Botafogo, Rio de Janeiro) falando de fatos interessantes que ocorreram durante a elaboração das biografias de Chico Xavier e Allan Kardec, e também sobre sua experiência vivida junto ao Espiritismo, assunto que começou a pesquisar há 25 anos.

Se tiveram seus embates no passado, as relações entre o Espiritismo e a Igreja Católica mudaram muito, sobretudo no Brasil. De acordo com o escritor, que vê nisso uma coisa muito positiva, os católicos entendem que o Espiritismo é, antes de tudo, cristão, e o movimento ajuda a difundir e a multiplicar a caridade. “No centro de Chico Xavier, em Uberaba, por exemplo, quando estive lá percebi que a quantidade de católicos presentes era impressionante. Muitas vezes eles eram a maioria nas sessões. Até mesmo freiras e padres chegaram a participar de reuniões conduzidas pelo médium mineiro. Chico fazia questão de dizer que o catolicismo era o seu berço”, lembrou Marcel Souto Maior.

Ainda para Marcel Souto Maior, Chico Xavier era um personagem único, que viveu movido por três forças poderosas: os sentidos de missão, de doação e de aceitação. “Era um homem de fé absoluta, e de muito desapego às coisas materiais, tanto que uma das frases mais marcantes que ouvi dele foi: ‘Graças a Deus aprendi a viver apenas com o necessário’. Ele foi o grande divulgador de Allan Kardec e da sua doutrina no Brasil, que de longe é hoje o país mais espírita do mundo. Em nenhum outro lugar, como aqui, se conhecem e se praticam tanto as lições de Kardec”, conclui o escritor. 

Depois do sucesso do livro "As vidas de Chico Xavier", que foi levado às telas do cinema por Daniel Filho, o jornalista e escritor Marcel Souto Maior resolveu pesquisar a vida de Allan Kardec. Um perfil revelador de Hyppolyte Léon Denizard Rivail, nome de batismo de quem viria a ser Allan Kardec, codificador do Espiritismo, cuja biografia lançada em 2013 também será exibida nos cinemas brasileiros a partir de maio de 2019, em produção dirigida por Wagner de Assis, cuja matéria o Correio Espírita publicou na edição de setembro passado.

Marcel Souto Maior disse que seu objetivo ao escrever o livro sobre Kardec foi traçar um retrato jornalístico do professor cético que acabou se transformando em missionário e codificador da doutrina espírita. “O que fez Hyppolyte mudar de vida e de nome para dar voz aos espíritos? O que fez alguém que não acreditava em nada passar a acreditar tanto? A essas perguntas tento responder no livro com o máximo de objetividade e imparcialidade”, argumenta o autor. 

Entre as conclusões às quais conseguiu chegar sobre vida e obra do biografado, o jornalista diz que Allan Kardec vivia numa eterna queda de braço entre a ciência e a fé, a crença e o ceticismo. A ponto de, “ao vestir o casaco de general” e iniciar sua campanha contra o materialismo, que se traduziu em alguns artigos, como 'O materialismo mata', ele acabou baixando um pouco a guarda, cedeu à paixão pelo Espiritismo e sofreu decepções, entre elas a de apostar em alguns médiuns que se revelaram farsantes, e em fenômenos que se comprovaram fraudes. “A partir desse momento, com lucidez, o missionário passa a recomendar cautela a seus discípulos e a hastear a bandeira do ‘fora da caridade não há salvação’. Gosto muito deste Kardec humano, que erra, admite erros, corrige o curso e segue adiante”, continua Marcel Souto Maior.

Se Allan Kardec foi o “inventor” do Espiritismo, Marcel Souto Maior, que vive no Rio de Janeiro, diz ainda que, sem dúvida, ele ajudou a organizar e a difundir com seus livros e artigos na 'Revista Espírita' a lógica do “nascer, morrer, renascer e progredir sem cessar”. “É certo que, sem a disciplina dele e seu empenho como comunicador, o Espiritismo não teria o alcance que tem hoje. Quando Kardec morreu, a doutrina já tinha mais de 8 milhões de seguidores em todo o mundo.” 

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