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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2013

Sobre o autor

Dirceu Machado

Dirceu Machado

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epes-sargentINICIO DE VIDA

   Epes Sargent nasceu no estado americano de Massachusetts, em 27 de setembro de 1813, e desencarnou em 30 de dezembro de 1880.

   Era filho do mestre de navios Epes Sargent e de Hannah Dane Coffin, e pertencia à linhagem de William Sargent, a quem o governo havia concedido a posse de terras na região de Gloucester, no ano de 1678.

   Seus ancestrais foram John Winthroup e Joseph Dudley, antigos governantes da colônia inglesa de Massachusetts. Transferindo seu domicílio de Gloucester para Roxbury, nas vizinhanças de Boston, no ano de 1818, o genitor de EpesSargent ali se dedicou ao comércio, no que não foi muito feliz, retornando à sua antiga cidade, onde se dedicou novamente à pesca.

   Por isso matriculou-o na "Escola Latina de Boston", onde ele revelou invulgar tendência para a literatura, tendo-se graduado em 1829. Nessa época, visitou a Rússia em companhia de seu pai. Atingindo os trinta anos, fez parte do corpo redatorial de importantes periódicos editados na época. Posteriormente tornou-se correspondente político do "Boston Daily Atlas", em Washington.

VIDA LITERÁRIA

   Epes Sargent destacou-se como fecundo escritor, sobressaindo-se com marca de genialidade nos inúmeros jornais em que trabalhou, oferecendo ao público milhares de artigos, cujos temas de tão variados, fizeram longas incursões pelos caminhos da filosofia, da moral e da ciência com talentosa fertilidade.

   Escreveu narrativas, comédias, tragédias, dramas, e obras primas da poesia tais como Canções do Mar e outros poemas que arrancou elogios dos mais famosos críticos literários americanos. No plano educacional, ele contribuiu sobremaneira, escrevendo obras didáticas para estudantes e até para professores, o que lhe conferiu o título de educador emérito, sendo o seu nome citado nos mais longínquos rincões da América.

   Era homem de conhecimentos diversificados, dotado de polivalência cultural. Sua operosidade foi das mais intensas, tendo mesmo merecido de Edgar Allen Poe, que havia tomado conhecimento dos seus escritos anteriormente a 1849, as seguintes palavras: "É um dos mais preeminentes membros da extensíssima família Americana - a dos homens de engenho, talento e tato".

   Em 1848 casou-se com Elizabeth Weld (1820-1902); o casal, entretanto, não teve filhos.

   De 1852 a 1856, editou em numerosos livros as vidas e produções de célebres poetas ingleses entre eles Thomas Hood, Rogers, Collins, Thomas Campbell, Thomas Gray e Goldsmith, além de traduzir para o seu idioma importantes obras literárias.
A sua obra The Standard Speaker, publicada em Filadélfia no ano de 1852, alcançou mais de sessenta edições.

   De 1852 a 1873, escreveu numerosos compêndios e manuais de Instrução, os quais foram largamente adotados nos colégios e escolas dos Estados Unidos.

ATIVIDADES ESPÍRITAS

   Nos últimos vinte ou trinta anos de sua vida, Epes Sargent se interessou pelo Espiritismo, estudando-o profundamente após ter sido um dos que mais combateram e repudiaram os fenômenos mediúnicos ocorridos em Hydesville e Rochester, através da mediunidade das famosas irmãs Fox.

   Manteve correspondência com numerosos dirigentes espíritas dos Estados Unidos e da Europa e escreveu numerosos artigos para os órgãos que então se ocupavam da matéria.

   Foram também de sua autoria as seguintes obras versando sobre Espiritismo:

   - Revelações do Grande Mistério Moderno - Pranchetas. (Boston, 1869).

   - O Desespero da Ciência face ao Espiritismo (Boston e Londres, 1869),

  - An Account of Modern Spiritualism (Boston e Londres, 1869), com 404 páginas, obra que faz um amplo relato do estado atual do Espiritismo, seus fenômenos e as diversas teorias que lhe dizem respeito, acrescido de uma vista geral do Espiritismo na França;

   - A Prova Palpável da Imortalidade (Boston, 1875). Com 238 páginas, obra que apresenta uma descrição dos fenômenos dematerialização, bem assim comentários sobre o Espiritismo em face da Teologia, da Moral e da Religião;

   - Bases Científicas do Espiritismo (Boston, 1880), com 372 páginas, obra que, no dizer do Prof. C. Moutonnier, da école des Hautesétudes Commerciales, de Paris, "é um dos tratados mais completos e mais convincentes que já foram publicados sobre esse tema e que ficará como um monumento digno de passar à posteridade".

   Estava concluída a grandiosa obra de sua vida, e que nunca ficará esquecida. Prefaciando-a, escreveu com toda a convicção: "O Espiritismo já não é o desespero da Ciência, como o classificara eu no frontispício da minha primeira obra sobre esse assunto. Seus direitos a um reconhecimento científico, da parte dos observadores inteligentes, já não podem ser postos em dúvida".

DERRADEIRAS OBSERVAÇÕES

   Já nos últimos anos de sua vida, deixou escrito o seguinte:

  • Concordo que, dos fatos que afirmo serem reais, muitos são realmente singulares, estranhos e improváveis; e que não nos é possível compreendê-los ou conciliá-los com as noções comumente aceitas sobre Espíritos e estado futuro.

  • Concordo que há muitas pessoas demasiado crédulas e que as fraudes, as imposturas e as ilusões têm sido misturadas e confundidas com os fatos reais do Espiritismo.

  • Concordo que a melancolia e a imaginação têm sempre grande força e engendram estranhas persuasões, e que muitas histórias de aparições são apenas fantasias da melancolia.

  • Conheço e admito que há muitas enfermidades naturais estranhas que apresentam sintomas chocantes e produzem surpreendentes efeitos fora do curso usual da Natureza, e que são, muitas vezes, citadas como explicações dos fatos sobrenaturais.

   Feitas essas concessões, ofereço com toda a justiça aos meus adversários os seguintes postulados:

  • Que, se os nossos fenômenos se dão, é uma questão de fato e não de raciocínios a priori.

  • Que a matéria de fato só pode ser provada pelo nosso próprio sentido ou pelo testemunho de outros. Tentar demonstrar fatos por meio de raciocínios abstratos ou especulações é o mesmo que tentar provar, pela álgebra ou pela Metafísica, que Júlio César fundou o Império Romano.

  • Certo amontoado e caráter de testemunhos humanos não podem ser razoavelmente rejeitados como incríveis, ou como garantia de fatos contrários à Natureza, visto que todos os fatos que se dão na Natureza devem ser naturais.

  • Que aquilo que está suficiente e inegavelmente provado não pode ser negado por não sabermos como se produz, isto é, por haver dificuldades na concepção que o sentido e o conhecimento disso nos vêm por um modo diverso, assim como a . Porque o modus de muitas coisas é desconhecido, e muitas coisas óbvias na Natureza têm dificuldades inextricáveis para serem concebidas.
    (Adaptado do Rev. José Glanvil, 1626-1680.)

   Epes Sargent foi um homem de talento fora do comum. É mais um exemplo de que cultura, saber, ciência e espiritualidade podem caminhar juntas.

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