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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2014

Sobre o autor

Dirceu Machado

Dirceu Machado

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FORMAÇÃO BÁSICA

Carl Gustav Jung nasceu a 26/7/1875 em Kassewil, Suíça, e faleceu a 6/6/1961, Küsnacht, Suíça. Era filho de um pastor protestante e de uma distinta senhora de nome Emilie, que mais tarde teve uma atuação fundamental para que Jung se interessasse pelos fenômenos mediúnicos. Ainda pequeno, sua família mudou-se para Basiléia, na época um dos maiores centros de cultura da Europa, onde fez seus primeiros estudos. Jovem, ainda, graduou-se em medicina pela Universidade da Basiléia em 1900, tendo se especializado em psiquiatria. Dois anos depois se casou com Emma Rauschenbach, com quem teria cinco filhos.

Os dois aspectos de largo interesse para as ciências psicológicas, religião e ciência, eram sempre tratados separadamente pelos cientistas da época, daí sua constante insatisfação, devido ao desencontro destas duas instâncias interiores. E foi dessa tentativa de saciar tanto um aspecto quanto ao outro, de fazer justiça ao ser como um todo, que decidiu especializar-se em psiquiatria: "Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dados espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se, enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna realidade".

ATIVIDADES PROFISSIONAIS

Os assuntos com que Jung ocupou-se em sua vida profissional no hospital psiquiátrico Burgholzi, em Zurique, surgiram em parte do fundo pessoal que é vividamente descrito em sua autobiografia.

Ao longo de sua vida, Jung experimentou sonhos periódicos e visões com notáveis características mitológicas e religiosas, os quais despertaram o seu interesse por mitos, sonhos e a psicologia da religião. Ao lado destas experiências, certos fenômenos parapsicológicos emergiam, sempre para lhe redobrar o espanto e o questionamento.

Em 1902 deslocou-se a Paris onde estudou com Pierre Janet, regressando no ano seguinte aohospital de Burgholzli onde assumiu um cargo de chefia e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que implementou o seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico.

Em 1903 publicou sua primeira obra, Psicologia e Patologia dos Fenômenos ditos Ocultos, fruto de sua tese de doutoramento. Publicou nos anos seguintes mais três trabalhos, relacionadas à descoberta dos complexos afetivos e das significações nos sintomas das psicoses. Em 1905 tornou-se livre docente na Universidade de Zurique.

Além disso, Jung viria a usar as Escrituras Sagradas como referência para a experiência interior de Deus, não como dogmas estáticos à espera de devoção muda, castradores do desenvolvimento pessoal. Ele lamentava que à religião faltasse o empirismo, que alimentaria a sede da personalidade.

ENCONTRO ENTRE CARL JUNG E SIGMUND FREUD

O primeiro encontro entre Jung e Sigmund Freud, o criador da psicanálise, aconteceu em 27 de fevereiro de 1907, em Viena, e transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. Depois deste encontro estabeleceram uma amizade de aproximadamente sete anos, durante a qual trocavam informações sobre seus sonhos, análises, trocavam confidências, discutiam casos clínicos. Os dois viajaram juntos aos Estados Unidos em 1909, proferindo palestras num centro de pesquisas. Em 1910 foi fundada a "Associação Psicanalítica Internacional", da qual Jung foi eleito presidente.

As primeiras divergências entre Jung e Freud surgiram em 1912 e logo se tornaram irreconciliáveis. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável. A partir do rompimento com Freud, o analista suíço vivenciou um período de depressão e introversão, que o levou a trilhar seu próprio caminho no campo da psicologia.

Em 1938, quando Freud saiu de Viena para Londres, uma de suas assistentes, a Dra. Iolande Iacobi também emigrou para Zurique e continuou seus estudos com Jung e posteriormente foi uma das fundadoras do Instituto C.G.Jung, tendo escrito a introdução às obras completas de Jung. (McGuire e Hull, 1982, p. 52). Ainda nesse ano, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa.

Em 1939 Jung renunciou à presidência da Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia. Alegou que já tentara por duas vezes anteriores a renúncia, tendo permanecido apenas devido a pedidos dos representantes britânico e neerlandês, somente se retirando quando foram interrompidas as comunicações internacionais e a sua permanência não era mais necessária (apud Loneli).

Em 1946, em cerimônia realizada em Zurique, Winston Churchill pediu que o Dr. Jung compusesse a mesa e se sentasse a seu lado (Lomeli, 1999). Em abril desse ano Ernest Harms publicou um artigo cujo título é Carl Gustav Jung – Defender of Freud and the Jews, na Psychiatric Quarterly (McGuire e Hull, 1982, p. 70).

PESQUISAS SOBRE MEDIUNIDADE

O Boletim SEI nº 1901 de 04/09/2004 iniciou uma série de três artigos baseados na centenária revista italiana Luce e Ombra (Luz e Sombra), enfocando as experiências mediúnicas de Jung. Com estas experiências, Jung não apenas passou a aceitar a reencarnação e a comunicabilidade dos espíritos como deu um largo passo para melhor conhecer e compreender determinados sintomas da loucura, visões, sonhos e algumas manifestações patológicas mal interpretadas pela ciência como um determinado tipo de mediunidade.

No primeiro dos artigos divulgados pela revista italiana e assinado pela médium e divulgadora espírita Paola Giovetti, importantes revelações são feitas e narradas à intimidade do Dr. Jung em reuniões mediúnicas, onde presenciou os diálogos mantidos pelo seu pai com o Espírito Emilie, que fora nada mais nada menos que sua mãe, desencarnada quando era ainda bem pequeno. Esses encontros, entre o pai e o espírito da mãe, eram tão frequentes e levados a sério que o pai de Jung mantinha uma cadeira propositadamente vazia em seu escritório, para “acomodar” o espírito visitante e com ele manter longos diálogos.

O segundo artigo, também divulgado no mesmo número da revista, pois estão sequenciados, descreve o resultado de uma visita que lhe foi feita em março de 1949 pelo estudioso da fenomenologia espírita Gastone de Boni, amigo de Ernesto Bozzano, famoso pesquisador e figura ímpar na literatura espírita.

No terceiro artigo apresentado pela entrevista, o último da série, Massino Biondi dá um enfoque ampliado da vivência de Jung junto aos médiuns e aos espíritos. Igualmente contribui com uma riqueza de detalhes curiosos e valiosos sobre a infância de Carl Gustav Jung.

O primeiro artigo traz o sugestivo título O envolvimento de Carl Gustav Jung com as temáticas paranormais e espirituais. O segundo é intitulado Uma visita a Carl Gustav Jung. E o terceiro e último da série, Horizontes espiritistas de Jung, também traz revelações preciosas sobre as experiências mediúnicas vividas por Jung com dois grandes e reconhecidos médiuns austríacos, bem como da amizade entre Jung e o pesquisador Scherenck-Notzing.

A revista Luce e Ombra (Luz e Sombra), na sua edição 1103, divulga valiosa reportagem sobre Jung e mostra o cientista ao lado do Prof. Scherenck-Notzing assistindo a reuniões de mediunismo prático, proporcionadas pelo médium austríaco Rudi Schneider (1908-1975), cuja mediunidade de efeitos físicos mereceu a atenção de destacados pesquisadores tais como Richet, Eugene Osty, Gustave Geley, Harry Price, Bozzano e cujas reuniões de materializações foram assistidas por eminentes personalidades da época, entre as quais se destacava Thomas Mann, prêmio Nobel de literatura e considerado um dos maiores escritores da língua alemã. As experiências de Thomas Mann e o seu testemunho favorável aos fenômenos mediúnicos foram abordadas no SEI 1931, de 2 de abril.

Numa carta datada de 1934, Jung escreve ao Prof. J.B. Rhine narrando um importante fenômeno físico ocorrido na sala de sua casa, quando teve os sentidos atraídos para um determinado armário, onde se guardava os talheres de uso normal. Ao abrir uma gaveta, notou que a faca mais usada pela família estava quebrada em quatro pedaços. A revista Luce e Ombra publica a foto da faca, como ilustração.

ÚLTIMOS DIAS

Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, nas margens do lago de Zurique, emKüsnacht, após uma longa vida tão produtiva, e foi sepultado na Protestant Church Graveyard, Küsnacht, Zurique, na Suíça.

Carl Gustav Jung, médico, psicólogo, pesquisador e um dos maiores nomes na psiquiatria moderna é mais um exemplo de que ciência e espiritualidade podem caminhar juntas.

 

FONTES DE CONSULTA:

SEI – Serviço Espírita de Informações - Boletim nº 1909 e Boletim nº 1963 - 12 de novembro de 2005 - http://www.lfc.org.br/sei

Luís Augusto Sombrio - www.vivercomalma.com.br

Endereço da Luce e Ombra: Piazza Azzarita, 5 – 40122 Bologna – Itália – telefax: 051-554033.

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