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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2014

Sobre o autor

Dirceu Machado

Dirceu Machado

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Início de carreira

Dr. Konstantin Raudive nasceu em Asune, República da Lativia, uma unidade administrativa do Império Russo, em 1909. Foi um intelectual, pensador, escritor e pesquisador do fenômeno conhecido como “vozes do além”. Quase todos seus estudos foram feitos no exterior. Aos 22 anos deixou seu país pra estudar filosofia e história da literatura, em Paris. A Espanha foi sua pátria predileta.

Raudive estudou parapsicologia durante quase toda sua vida, tendo tido a oportunidade de se tornar aluno de Carl Jung. Ele era católico romano praticante e especialmente interessado na possibilidade da vida após a morte.

De 1937 a 1944 sua atividade em seu país consistia em traduções e redações de livros, pois era um poliglota. Nesta oportunidade conheceu sua esposa, Zenta Maurina, uma estudiosa, especialista em filologia.

Com os avanços militares na Alemanha, ele partiu com sua esposa para a Suécia onde passaram muitas dificuldades, pois sua esposa vivia em cadeira de rodas devido a uma paralisia infantil. 

Zenta Maurina

 

Apesar de sua deficiência física, Zenta Maurina sobressaiu-se intelectualmente. Ela estudou filosofia na Universidade de Latvia, em Riga (1921-1923), estudou filologia com destaque para as línguas bálticas (1923-1927), lecionou no Instituto de Latvia para Professores da Universidade de Latvia, em Riga e, em 1938, alcançou seu doutorado em Filologia pesquisando os trabalhos do poeta da Fricis Bārda .

Até 1944, Mauriņa publicou 19 livros na língua latvia incluindo artigos sobre escritores da Lativia como Rainis , Jānis Poruks , Anna Brigadere e Fricis Bārda, assim como sobre Dostoyevsky e Dante . Durante este período ela também escreveu a novela Vida em um trem(1941). Após a guerra, ela publicou 20 livros em sua língua materna, 27 em alemão e sua obra tem sido traduzida para o italiano, inglês, russo, sueco, holandês, finlandês e dinamarquês. Ela foi sempre presente e incentivadora das pesquisas de Raudive.

 

Raudive e Friedrich Jurgenson

 

Em 1964, Raudive leu o livro Voices from space (Vozes do Espaço) de autoria de Friedrich Jürgenson (1903-1987) e ficou imensamente impressionado com os relatos do autor.

Jürgenson era um cantor de opera e também pintor sueco. Certa vez ele instalou um microfone nos jardins de sua casa de campo nos arredores de Estocolmo com a intenção de gravar o canto de pássaros. Ao reproduzir as gravações ele ouviu vozes junto ao canto dos pássaros. Ele continuou suas gravações em horas e lugares diferentes e silenciosos obtendo uma série de gravações de vozes que foram analisadas por especialistas que comprovaram a veracidade do fenômeno. Seu trabalho foi publicado no livro acima citado.

Em 1965, Raudive encontrou-se com Jürgenson, ficaram bastante amigos e passaram a trocar informações sobre suas experiências.

Ao retornar para a Alemanha, iniciou seus experimentos em EVP (EletronicVoice Phenomenon) - em tradução livre, Fenômeno de Voz Eletrônica - e obteve bastante êxito em suas pesquisas, comunicando-se inclusive com sua falecida mãe deixando na fita magnética um carinhoso recado de nome “Kosti”, que era como habitualmente era chamado por ela em vida.

Raudive dedicou mais de dez anos de sua vida fazendo experiências sobre EVP. Com a colaboração de especialistas em eletrônica gravou mais de 100.000 “audiotapes”, a maioria estritamente sob condições de laboratório.

 

Raudive e outros pesquisadores

 

Ele colaborou nas experiências de Hans Bender, outro pesquisador do assunto e envolveu mais de 400 pessoas em suas pesquisas sendo que todas testemunharam terem ouvido as vozes.

A partir destes fatos, publicou em 1971, juntamente com Hans Bender, o livro Breakthrough: An Amazing Experiment in Electronic Communication with the Dead. Juntamente com Theodor Rudoof, engenheiro da Telefunken, criou um equipamento gravador de alta frequência denominado “goniômetro”. Em Viena o engenheiro eletrotécnico Dr. Franz Seidl fabricou outro equipamento que nomeou de psychophone e o suíço Alexander Schneider elaborou os diodos para seus equipamentos.

Seu segundo livro editado  sobre as vozes é: Sobrevivemos à Morte.

Muitos engenheiros, cientistas e especialistas trabalharam com Raudive ao longo dos anos. O físico Prof. Alexander Schneider foi um deles. Em 1969, Raudive e Schneider foram agraciados com o primeiro prêmio dado pela Associação Suíça de Parapsicologia por seus trabalhos na gravação de vozes do além.

Apesar de não ter sido o primeiro a gravar vozes do espaço, Raudive foi o primeiro a tornar o fenômeno da gravação das vozes dos espíritos ao conhecimento público com a publicação de seu livro. No prefácio do livro, Smythe escreveu que, antes de publicar o livro, ele queria se assegurar de que o fenômeno era real. Fez algumas gravações experimentais, mas não conseguiu entendê-las perfeitamente. Pediu a Peter Bander, o editor do livro, para ouvir a gravação. Bander, reconheceu a voz de sua mãe. Bander sabia que Smythe não entendia alemão e pediu a outras pessoas que escrevessem, foneticamente, o que haviam escutado e todos escreveram a mesma coisa: “Por que você não fecha a porta?”. Bander havia trabalhado toda a semana anterior com as portas de seu escritório fechadas.

Depois da publicação do livro de Raudive, as vozes gravadas ficaram conhecidas como “As vozes de Raudive”. Entretanto, Colim Smythe e Peter Bander, após conhecerem o trabalho pioneiro de Jürgenson, passaram a usar o termo Electronic Voice Phenomena, “EVP”, na introdução de seu livro Carry on talking. Na introdução escreveram que esta expressão já havia sido usada por Malcolm Hughes em abril de 1973 na revista The Spiritualist Gazette.

 

Interesses despertados

 

Em 1971, experimentos controlados de EVP foram realizados pelo chefe dos engenheiros da Pye Records, Ltd, juntamente com Raudive. Foram tomadas todas as precauções para não haver interferência do exterior do laboratório. Todos os presentes atestam que não ouviram nenhum ruído, mas apenas a voz de Raudive falando durante todo o período da gravação. Quando escutaram a gravação a maior surpresa foi ouvirem cerca de duzentas vozes durante os dezoito minutos da gravação. Muitas das mensagens eram muito pessoais e bastante evidentes para aqueles que lá estavam. O livro Carry on talking foi publicado nos EUA com o título Voices From the Tapes: Recordings from the Other World - (Vozes de fitas: Gravações do Outro Mundo).

O título do livro faz-nos lembrar de um fato interessante que ocorreu com o autor deste artigo enquanto estava na Inglaterra para seus estudos de doutorado. Estávamos, minha mãe Nair Machado, meu irmão Glaciomar Machado e eu em oração na noite de Natal de 1973. Minha mãe fazia uma prece muita sentida e nós gravávamos a reunião para mais tarde ouvirmos. Em dado instante ela interrompeu suas palavras por uns instantes como se estivesse a lembrar de uma palavra a falar e, logo, voltou à prece. Quando fomos ouvir a gravação tivemos uma grande surpresa ao ouvirmos, justamente no instante da interrupção da prece, uma voz a dizer: “carry on...carry on...”, que traduzida é: “continue…continue…”. Esta fita foi mostrada, posteriormente, a várias pessoas de nossa amizade, inclusive a Chico Xavier, que muito se admirou.

  Em 1972, a empresa Belling & Lee, Ltd., situada em Enfield, Inglaterra conduziu experimentos com Raudive na gravação de vozes paranormais no Laboratório de Radio Frequência. Peter Hale, físico e engenheiro eletrônico considerado o maior especialista em equipamentos eletrônicos para interceptar transmissões eletromagnéticas, supervisionava a experiência. Antes do experimento Hale havia dito que pensava que eram apenas sinais normais de rádio. Após o experimento, Hale declarou que “não podia explicar o fenômeno em termos normais da física”.

 

Comunicações de Raudive

 

Por causa da intensa atividade em seu trabalho de vozes, a cujo estudo se dedicava 24 horas por dia, Raudive começou a ficar frágil fisicamente e esgotado e veio a falecer em 2 de setembro de 1974 com 65 anos

Em seu livro Transcomunicação – Comunicação tecnológica com o mundo dos mortos, Clovis Nunes relata que, em 1987 Konstantin Raudive comunicou-se em Luxemburgo e assim se pronunciou:“…Um substrato imaterial , qualquer que seja o nome que lhe dê, princípio, alma, espírito, uma parcela da eternidade escapa da destruição….”

Depois de ter passado para o outro lado, Raudive tem respondido a muitas perguntas através da fita magnética e por telefone com alguns pesquisadores e em 1994 com George Meek. No grupo de Luxemburgo fez contato, inclusive fornecendo informações sobre a vida após a morte e em umas das sessões a resposta foi: “ Vivo muito bem”.

Konstantin Raudive – intelectual, pensador, escritor e pesquisador do fenômeno EVP - é mais um exemplo de que Ciência e Espiritualidade podem caminhar juntas.

 

Fonte: Wikipedia, the free encyclopedia - Konstantin Raudive

The Skeptic Dicionary- Konstantin Raudive

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