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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015

Sobre o autor

Dirceu Machado

Dirceu Machado

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Primeiros anos

Robert Andrew Millikan nasceu em 22 de março de 1868, na cidade de Morrison, Illinois, Estados Unidos da América. Era o segundo filho do casal Reverendo Silas Franklin Millikan e Mary Jane Andrews. Seus avós eram de Old New England e teriam imigrado para os EEUU antes de 1750 e se estabelecido no Meio Oeste Americano.

A família dele mudou-se, quando ele tinha cinco anos, de Illinois para o Iowa. Levou uma infância ligada ao meio rural mesmo enquanto frequentava uma escola secundária de Maquoketa (Iowa). Ajudava nos trabalhos da fazenda e, aos 14 anos, trabalhava 10 horas por dia durante os verões numa fábrica local, ganhando somente um dólar por dia. Depois da escola secundária, trabalhou durante algum tempo como repórter de tribunal, e em 1886, entrou para a Faculdade de Oberlin, em Ohio.

Os assuntos que mais o interessavam eram Grego e Matemática. Enquanto cursava o segundo ano na faculdade frequentou durante 12 semanas um curso de Física e, ao término, julgou que havia sido uma perda de tempo. Naquele mesmo ano (1891) foi convidado a lecionar Física Elementar e só aceitou por necessidade financeira.

 

Vocação para a Física

Em seguida, Millikan continuou seus estudos na Universidade de Columbia. Em 1893, graduou-se em Física, onde também completou o Mestrado. Foi indicado para ser um professor colaborador na área de Física na mesma Universidade. Em 1895, obteve o Ph.D. (Doutorado) com uma pesquisa sobre a polarização da luz emitida por uma superfície incandescente. Por insistência de seus professores, Millikan estagiou durante um ano na Universidade de Berlim e Göttingen. Retornou em 1896 a convite do Prof. A.A. Michelson para se tornar pesquisador-assistente no Laboratório Ryerson, recentemente criado na Universidade de Chicago.

Em 1902, Millikan casou-se com Greta Erwin Blanchard e, deste casamento, vieram três filhos: Clark Blanchard, Glenn Allen e Max Franklin.

Millikan tinha uma excelente didática e assim, durante os primeiros anos em Chicago, dedicou-se a preparar livros textos de Física e a simplificar o ensino da Física. Foi o autor ou coautor dos seguintes livros didáticos: A College Course in Physics, em colaboração com S.W. Stratton (1898); Mechanics, Molecular Physics, and Heat (1902); The Theory of Optics, em colaboração com C.R. Mann e traduzido do alemão (1903); A First Course in Physics, com H.G. Gale (1906); A Laboratory Course in Physics for Secondary Schools, com H.G. Gale (1907); Electricity, Sound, and Light, com J. Mills (1908); Practical Physics – revisão do livro A First Course (1920); The Electron (1917; rev. eds. 1924, 1935).

 

Prêmio Nobel de Física

Em 1910, tornou-se Professor-Titular daquela Universidade, posto que ocupou até 1921.

Em suas pesquisas, Millikan analisou o comportamento que as gotículas de água com carga elétrica manifestavam quando submetidas a duas influências simultâneas: a da gravidade e a um campo elétrico (como a água evaporava rapidamente, substituiu-a, em 1911, por óleo.), chegando à conclusão de que a quantidade de carga que provocava a menor alteração possível era igual à carga de um elétron. De fato, constatou que todos os demais valores de carga que se podiam adicionar à gotícula eram múltiplos daquele valor unitário. A segunda contribuição de Millikan para a física foi demonstrar serem verdadeiras as equações deduzidas teoricamente por Einstein para explicar o efeito fotoelétrico. O valor da constante de Planck também foi por ele determinado experimentalmente, confirmando o previsto pelos cálculos teóricos.

Estes resultados, fundamentais para a física, levaram Robert Millikan à notoriedade mundial e ao Prêmio Nobel de 1923. Mas, já em 1913, merecera o prêmio da Academia Nacional de Ciências dos EUA pelos estudos sobre a carga do elétron apresentados no congresso de Winnipeg, sendo convidado em 1914 a integrá-la. Em toda sua vida Millikan foi um autor prolífico, fazendo numerosas contribuições para diversas revistas científicas.

Durante a Primeira Guerra Mundial foi Vice-Presidente do Conselho Nacional de Pesquisas americano, com atuação destacada no desenvolvimento de instrumentação de defesa antissubmarinos, bem como instrumentos meteorológicos. Em 1921, foi nomeado Diretor do Norman Bridge, Laboratório de Física do Instituto de Tecnologia da Califórnia. O Professor Millikan foi, ainda, Presidente da Sociedade Americana de Física, Vice-Presidente da Associação Americana para o Progresso da Ciência e o representante americano do Comitê de Cooperação Intelectual da Liga das Nações e várias outra honrarias que poucos cientistas fizeram jus.

 

Ciência e Religião

 

Millikan conseguiu durante toda sua vida unir a Ciência, da qual foi um dos maiores representantes, com o seu espírito filosófico e religioso. Sempre que possível deixava transparecer suas convicções nas conferências que proferia bem como em livros que publicou. Para ele, o único fundamento válido para o conhecimento racional consistia na combinação do espírito do físico com o do religioso.

 

Sobre o assunto, publicou os seguintes livros:

  • Ciência e Vida (1924); 
  • Evolução em Ciência e Religião (1927); 
  • Ciência e a Civilização Nova (1930); 
  • Tempo, Assunto, e Valores (1932).

 

Ele desencarnou em 19 de dezembro de 1953 em San Marino, Califórnia.

Robert Andrew Millikan, físico, professor, pesquisador, Prêmio Nobel de Física em 1923 é mais um exemplo de que Ciência e Religião podem caminhar juntas.

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