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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2014
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É muito comum no movimento espírita ver as caravanas assistências visitando as instituições nos fins de semana.

Trata-se de uma atividade solidária motivada por um sentimento ímpar junto aos que de certa forma, passam momentaneamente por cuidados especiais.

Essa iniciativa é uma das belas atitudes humanas, que comove e destaca o sentido da vida, pois além de ser providencial é indispensável.

Ela emociona a todos os envolvidos pela forma sincera com que cada um se entrega ao serviço. A simplicidade da ocasião revela sempre a naturalidade da conversa e dos sentimentos produzidos nesses locais de entrega espiritual. Entre o caravaneiro e o assistido, uma coisa é certa: ambos são pacientes.

Essa relação solidária significa o esplendor da caridade.

Ao final de cada visita, a lembrança do momento e logo começa a reflexão sobre os fatos ocorridos, das palavras mencionadas e das imagens fisionômicas de cada pessoa. Tudo é reproduzido pela mente, como se fosse um filme mostrando o quadro a quadro das cenas vividas.

São poucas as pessoas que se doam nesse trabalho, no entanto, eles compreendem o compromisso que tem diante da própria existência.

A terapia da solidariedade é uma atitude madura do espírito que entende o significado: é dando que se recebe.

O prazer de servir é a vontade plena do trabalho exclusivo, cujo suor do próprio rosto transforma a vontade no amor sincero.

Não é tão fácil deixar o conforto do lar e o calor da família, para preencher a solidão de quem está esquecido. É preciso o desprendimento absoluto e a convicção de que pode contribuir positivamente com a realidade de alguém, que aguarda uma visita, uma palavra amiga, um aperto de mão.

O caravaneiro é uma pessoa comum que leva no intimo a certeza que pode fazer a diferença, mudar o rumo da história a partir da presença consoladora.

Certa vez, escutei uma história que reflete muito bem o serviço anônimo dos caravaneiros, e como uma conversa pode mudar o sentido da vida.

Dizia um senhor acamado no leito de um hospital a um caravaneiro:

- Depois daquela conversa sobre a imortalidade da alma, parece que algo mexeu profundamente comigo.

- Que bom.

- Parece incrível, mas as suas palavras não saíram da minha mente.

- Como assim?

- Eu vivia como se aprisionado dentro de mim, com pensamentos perturbadores, a ponto de ficar nervoso e pessimista quanto a minha melhora física.

- E agora?

- Depois da nossa conversa, do passe, eu fiquei melhor. O livro que o senhor me deixou foi importante para minha melhora, porque a leitura esclareceu todas as minhas dúvidas.

- Uma boa leitura sempre desperta o conhecimento.

- Agora eu posso avaliar melhor as minhas deficiências morais.

- Certamente.

- Reconheço as minhas faltas e quero reavê-las se possível.

- Você vai conseguir.

- Sei que o tempo é escasso.

- A vida continua...  

- O senhor acha que terei essa chance?

- Deus não está pobre de misericórdia.

- Assim espero...

O senhor caiu num pranto profundo, enquanto o caravaneiro abraçou-o, carinhosamente. O grupo de caravaneiros aproximou-se deles, e fez uma prece comovedora.

No mês seguinte a caravana retornou ao hospital e o caravaneiro rapidamente procurou pelo amigo no leito. Não o encontrou mais, porque havia desencarnado na semana passada.

Às vezes, uma simples conversa pode mudar o rumo da história de muita gente, que durante a vida, não teve a chance de ser ouvido e consolado.

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