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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015
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 A primeira biblioteca do mundo foi erguida em Nínive, a cidade mais importante da Assíria (atual Iraque), pelo rei Assurbanipal II, por volta do século 7 a.C. Nela, foram armazenadas milhares de tabuletas escritas com caracteres cuneiformes, a mais antiga forma de escrita que se conhece.

Os assírios eram principalmente guerreiros, mas davam muita importância à preservação de arquivos, relatórios e documentos. Estes, por sua vez, eram gravados em placas de barro, pois o papel somente iria surgir muito mais tarde.

Hoje, elas estão espalhadas no mundo inteiro, possibilitando muito conhecimento. Nos centros espíritas não é diferente, visto fazerem parte de um programa pedagógico, social e cultural.

Convidamos Marcia Braga Oliveira, colaboradora da biblioteca da União Espírita Fernandes Figueira e Bezerra de Menezes, para responder sobre esse espaço tão importante e necessário em nossas vidas:

_ Qual o principal papel da Biblioteca Espírita?

  Ser um espaço privilegiado para o debate de ideias, a pesquisa literária, os estudos comparativos e outros projetos que concorram para a elevação das consciências.

_ Qual o conteúdo literário mais procurado pelo público?

  Os romances espíritas, seguidos da coleção André Luís no mundo espiritual.

_ Como você vê a frequência de biblioteca no Centro Espírita?

  Excessivamente minguada, desoladoramente restrita a uns poucos frequentadores que conseguiram compreender que é necessário darmos vida àquilo que os amigos espirituais nos concederam por farol que ilumine o caminho de todos que o acendam.

_ Seria razoável a criação de projetos literários nesse espaço de convivências?

  Certamente. E mais do que razoável, desejável até, considerando-se que os que redigem o jornal da casa espírita, os que confeccionam os murais da instituição, bem como os trabalhadores em mediunidade psicográfica afinariam seus instrumentos de trabalho, qualificados pela leitura amadurecida, crítica, e pela reflexão que esta propicia, à produção de textos de crescente valor na educação para a necessária transformação humana. Lembremo-nos sempre do que nos recomendou o Espírito de Verdade: “Amai-vos e instruí-vos!”

_ A Biblioteca Espírita pode desenvolver trabalhos transversais à educação formal?

   Pode e deve. É preciso explorarmos todas as linguagens conhecidas da Arte, de modo a favorecer a sensibilização do ser imortal à mensagem evangélica e potencializar os recursos de compreensão e integração de conhecimentos inerentes a todo ser humano, a fim de que esse legado de luzes seja efetivamente incorporado como esteio moral na conduta diária dos indivíduos e agrupamentos espíritas.

_ Qual a visão de Allan Kardec sobre uma biblioteca mínima de conhecimento doutrinário?

O que Kardec deixou claramente demonstrado foi sua compreensão de que um conhecimento não sectário mas, em vez disso, universal, abrangente das mais variadas concepções filosóficas que buscam responder às indagações básicas acerca da realidade de que todos fazemos parte -  O que é? Como é? Por que é? É aquele a que todo espírita deve visar, e que será construído pelo estudo e reflexão de obras concebidas não apenas sob a égide do Espiritismo mas também fora dele - quer antecipando-lhe os ensinos de luz, quer em concordância com suas instruções, ou mesmo contradizendo-lhe as afirmações.

Assim, podemos apreciar a sabedoria de Allan Kardec na relação que fez em seu Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espirita, publicado em 1869, e que inclui textos como Buda e sua religião, A Bíblia na Índia, Maomé e o Alcorão, Merlin (o Mago), Saint-Martin (sobre a vida e obra do grande místico francês), Viagens à China, além da obra teatral “Galileu” e outras de poesia, música e desenho, e cuja leitura recomendamos a todo aquele que deseja realmente ilustrar-se.

_ O que você pensa ser viável para dinamizar esse espaço tão importante de cultura?

  Entendemos por viáveis, quão oportunas, todas as iniciativas que incitem os seus visitantes à exploração da riqueza dessas obras pelo recurso às múltiplas linguagens que a Arte utiliza – declamação, dramaturgia, música, entre outras, acompanhadas de sua constante divulgação nas reuniões públicas, e complementadas por outras medidas como, por exemplo, a sucessiva e constante apresentação de títulos ao público frequentador da instituição espírita em notas atraentemente confeccionadas e expostas nos diversos espaços de convívio desta.

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