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Artigo do Jornal: Jornal Março 2015
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O Espiritismo tem o compromisso de regenerar as artes, através do seu verdadeiro objetivo, a Arte Moral, que reproduz na Terra as realidades Celestes.

Sabemos que a arte na atualidade, com raríssimas exceções, passa por problemas difíceis e as razões para nós espíritas, não são novidade, visto já termos recebido o quinhão das orientações benfazejas dos Espíritos Superiores, apresentadas em O Livro dos Espíritos.

Em todas as épocas sempre foram observados os deslizes terríveis por parte de alguns artistas, que se deixaram levar pela própria ambição material, bem como orgulho e vaidade, motivados por uma personalidade carente de cuidados.

Na atualidade não tem sido diferente, pois os mesmos erros se repetem criando uma atmosfera difícil, provocando um colapso cultural, onde cada vez menos se observa a falta de qualidade e a falta de compromisso, diante das questões educativas e normativas de uma Ciência enobrecedora.

Certas produções mais se parecem uma esquizofrenia, onde os seus responsáveis, além de repetir os erros do passado, continuam nivelados pela volúpia e a insensatez dos próprios atos.

No livro Obras Póstumas, Allan Kardec, nos fala sobre a influência perniciosa das idéias materialistas, mostrando que não basta produzir sem a qualidade necessária, porque não será suficiente o bastante, para serem lembradas como obra relevante pelas futuras gerações.

Assim será com tantos outros que pensam estar produzindo algo valioso e essencial à sociedade, mas que não passa de uma obra instantânea que se absorve e logo se vê descartada, a ponto de cair no esquecimento da coletividade.

Allan Kardec chama a nossa atenção sobre esses artistas que somente produzem com a preocupação de ordem material, deixando a importância valiosa dos bons argumentos e dos cuidados artísticos, em segundo plano.

Parece ser recorrente, pois passados um pouco mais de um século e meio, vemos que as preocupações do professor de Lion, continuam sendo atuais, como ele próprio descreve em seu artigo:

“As preocupações de ordem material se sobrepõem aos cuidados artísticos; mas, como não ser assim, quando os maiores esforços se fazem para concentrar todos os pensamentos do homem na vida carnal e para destruir nele toda esperança, toda aspiração que ultrapasse essa existência? É lógica, inevitável semelhante consequência para aquele que nada vê fora do circulo estreito da efêmera vida presente. Quando a criatura nada percebe atrás de si, nada adiante de si, nada acima de si, em que pode ela concentrar seus pensamentos senão no ponto onde se encontra?”

Fica bem claro, que o artista sem objetividade criativa, vive uma grande frustração interior, vitima de si mesmo, produzindo algo que mais se assemelha a um produto dispensável à vida humana, porque sabe, que no fundo do seu intimo, nada fica para prosperidade, restando-lhe somente a frustração e abandono daquilo aquilo que criou.

De retorno ao plano espiritual, o artista terá que rever o que fez da sua programação espiritual. Ele compreenderá que a Terra é um santuário de serviço com Jesus, que a tarefa de trabalho é a condição para o aperfeiçoamento.

Mas Deus, que é bom e justo, permitirá uma nova oportunidade, após novo estágio nas escolas do bem. Voltará, em um novo corpo e, de acordo com a nova programação, dará inicio há uma nova jornada de trabalho, visando sua regeneração.

Assim, aprendemos a caminhar na estrada da renovação dos hábitos. Através dela passamos a temer certos caprichos e avaliar melhor o nosso psiquismo, colocando a tarefa sempre a serviço com Jesus.

Sabemos que muitos artistas retornaram nas mais diversas condições de serviço: alguns com dificuldades extremas, outros dispensados das fileiras criativas, para o seu próprio bem, outros tantos, em condições de trabalho árduo nas artes e com muita dificuldade para sobreviver dela, etc.

Assim, aprendemos a lição. Nada é definitivo, estamos sempre de passagem, tentando evoluir, descobrindo em passos lentos, a verdadeira direção do bem.

Pensar, sentir e criar: eis aí os primeiros passos para que uma boa produção tenha êxito. Trabalhar com humildade, amor e perseverança, a segunda. Em terceiro lugar, nada mais que compreender que nada nos pertence, que tudo vai depender das escolhas que fizermos.

A Arte Moral, não é uma catequese religiosa, nem muito menos, um trabalho baseado no diletantismo criativo, mas sim, um serviço de elevação espiritual a toda Humanidade.

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