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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2016
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Embora todos tenham a capacidade de criar, não podemos considerar que toda iniciativa criativa seja uma obra de arte com qualidade.

É fundamental que o artista saiba expressar o seu sentimento a partir do conhecimento, e se o que vai realmente produzir está de acordo com os princípios normativos do bem.

A arte deve ser a princípio um sentimento motivador em sua concepção. O artista atento deverá se debruçar sobre a arte, utilizando-se dos seus conhecimentos técnicos, artísticos e profissionais, sem antes: conferir a sua importância moral.

Esses conceitos servem para minimizar ao máximo os possíveis equívocos da criação com responsabilidade, porque criar não impulsos tão-somente encarados como inspiração.

Inspiração acontece quando temos bons motivos para criar algo que irá atender os gostos normativos dentro do cenário dos sentimentos elevados. Impulsos degenerados, considerados criativos, são sugestões incipientes que surgem de chofre, motivados por sensações espúrias, que nada refletem a realidade da arte do bem.

Toda beleza que observamos na criação nos dá uma ideia bem clara sobre o que estamos falando, porque nada existe sem demonstrar a sua harmonia, o seu equilíbrio e a sua beleza que transcendem à contemplação e felicidade.

A capacidade de criar com responsabilidade tem esse caminho como proposta, já que o ato de criar não é mera situação de conforto. É necessário que o artista compreenda a sua importância diante do que vai produzir para revelar então suas melhores intenções, a fim de que a arte do bem tenha o seu destino aprovado pelos mecanismos sérios de benefícios.

A 9ª Sinfonia de Beethoven apresenta uma qualidade extraordinária em sua composição, pois demonstra facilmente os elementos que edificam os nossos pensamentos, inspirando-nos para o belo, para as vibrações fraternais de receptividade e pacificação.

Outro exemplo oportuno são as telas de Van Gogh e Renoir, que utilizam técnicas que nos impressionam, favorecendo-nos ao capricho das sensações emocionais, fazendo-nos refletir e interagir com extrema qualidade.

A arte do bem sempre existiu dentro de nós, tanto que temos inicialmente sensações e, quando apurados, temos sentimentos. Ela nasceu do amor divino, do sopro do Criador que se materializa nos diversos mundos, conforme a própria evolução dos seus habitantes.

Léon Denis diz que a arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna da qual percebemos, aqui na Terra, apenas um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte de onde ela emana, e isso é uma tarefa difícil para a maioria entre nós. Pelo menos podemos conhecê-la pelo espetáculo que o Universo oferece aos nossos sentidos e também pelas obras que ela inspira aos homens de gênio. O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos, visível e invisível, as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores, aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração.

Sendo assim, o filósofo do Espiritismo nos alerta quanto à proposta de engajamento criativo no setor da vida, considerando que toda ação está submetida à reação natural dos sentidos que regem os mundos superiores e inferiores.

A arte não pode ser apenas recortes de estímulos, mas, sim um programa constante dos nossos atos, pensamentos e palavras, visando solidificar a presença ativa do amor como expressão do bem.

Se pudermos realizar algo, enquanto estamos a caminho, que realizemos sob a luz da responsabilidade, a fim de ver consolidado em nosso planeta, uma arte que sirva positivamente a novas gerações.

Sendo assim, fiquemos com as palavras do Espírito Emmanuel:

“A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse ‘mais além que polariza as esperanças da alma”.

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