pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2017
Compartilhar -
por Hermínio C. Miranda

Hermínio C. Miranda nos conta um pouco sobre a presença simples de Yvone A. Pereira através do seu prefácio no livro Cânticos do Coração , Edição CELD.

Embora Hermínio Miranda fosse tímido a ponto de se inibir diante das grandes personalidades do movimento, teve o privilégio de conviver com Yvone Pereira, estreitando assim uma convivência em encontros esporádicos na FEB, ou em outros locais comuns espíritas, em duas ou três visitas à sua residência, num subúrbio do Rio, ou por telefone, cuja ligação era, às vezes, de iniciativa própria e, de outras vezes, dela mesma.

O fato em si é que ambos tinham respeitosa admiração pelo trabalho doutrinário que executavam em prol do espiritismo, permitindo mais observações por parte dele a respeito da médium notável, que inspirava respeito, não que ela impusesse, mas pela cordialidade que exercia com autenticidade diante de todos.

Como é do conhecimento dos que tiveram o privilégio dessa convivência sensível e amável, Yvone Pereira possuía uma personalidade tão vibrante e natural, além de ser uma pessoa desarmada, espontânea, cordial, ainda que inflexível em defesa dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, que sempre estudou incessantemente, segundo afirmou Hermínio Miranda.

Diz ele que a severidade era consigo mesma, não com os outros. Não se empenhava em polêmicas e debates inúteis, nem em longas dissertações teóricas. Era a primeira a examinar com atento olhar crítico o seu próprio trabalho.

Para aquilatarmos a grandeza e os cuidados que tinha diante do que registrava em inúmeras laudas, mencionamos o trabalho de fôlego denominado Memórias de um Suicida , um dos grandes livros mediúnicos contemporâneos, que permaneceu muitos anos guardado até que ela decidisse oferecê-lo à publicação, mesmo tendo para a dramática obra o aval de seus mentores – Dr. Bezerra de Menezes, inclusive.

Essa narrativa do amigo sobre a natureza responsável de Yvone Pereira, em publicar uma obra mediúnica, faz com que reflitamos um pouco mais sobre a importância do que é realmente necessário ao público espírita.

Hermínio Miranda relata que ao receber de presente o exemplar autografado da versão espanhola, observou que ela teria preferido não editar o nome de Camillo Castelo Branco, visando resguardar, com meio anonimato, a sofrida personalidade do grande escritor português desencarnado, por ocasião de uma doença nos olhos, onde havia mergulhado em profunda depressão ao saber que ficaria definitivamente cego, deixando-se levar pelo suicídio em 01 de junho de 1880, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, cidade de Braga, Portugal.

Essa mulher de temperamento justo e cuidadoso escrevia sua produção mediúnica de acordo com as suas possibilidades. Usava o papel de embrulho, de tamanho, cor e contextura diferentes. Sem dinheiro para adquirir material novo, ela recolhia todo o papel de embalagem aproveitável, passando-o a ferro, recortava-o e usava-o na psicografia, que fazia com caneta esferográfica, porque o traço com o lápis era pouco legível no papel pardacento. Isto, diz ele, foi o que salvou os preciosos originais, como revelaria em entrevista a João Antero de Carvalho, em Obreiros do Bem (agosto de 1975), porque a tinta resistiu bem à mensagem dos anos de espera.

Essas lembranças, embora ligeiras, mexem com a nossa imaginação, colocando-nos de pé quanto às responsabilidades do dia a dia, onde engatinhamos diante das nossas programações, devidamente planejadas e aceitas muito antes de retornarmos à vida terrena.

Na condição de um simples contador de histórias, penso que essas Escolas Humanas, hoje podem ser consideradas referências indispensáveis aos espíritas e simpatizantes que desejam sinceramente trabalhar mais próximo das verdadeiras tarefas mediúnicas, pois ambos nos fazem refletir quanto ao conhecimento doutrinário, bem como ao vasto mundo de oportunidades do Criador.

Hermínio C. Miranda e Yvone A. Pereira são dois mestres dispostos a servir em suas atuais dimensões, com a mesma dedicação com que fizeram na Terra. Suas obras mediúnicas e doutrinárias são fontes inesgotáveis de informações úteis, que, certamente, hão de nos possibilitar o caminho suave ao progresso espiritual.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado