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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2017
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No ano de 1847, no pequeno povoado de Hydesville, nos Estados Unidos da América do Norte, a família Fox instalou-se em modesta casa na cidade de Nova York, em busca de uma vida calma e simples.

Tudo parecia perfeito, até que uma sucessão de acontecimentos estranhos abalou toda a família sem qualquer explicação. No início parecia se tratar de uma casa mal-assombrada, mas com o tempo descobriu-se que havia algo muito mais complexo, que aos poucos foi sendo desvendado.                      

As irmãs Fox, em poucos dias, começaram a ouvir barulhos de arranhões nas paredes e no soalho e, depois, de passos e móveis sendo arrastados. Com medo, as garotas Kate e Maggie passaram a dormir com os pais.

As meninas tentaram se comunicar com a “assombração”. Kate a desafiou, pedindo que repetisse o número de palmas que batia. Para surpresa de todos, ouviu-se o mesmo total de pancadas. A mãe delas, Margareth, passou a fazer todo tipo de perguntas e propôs que a entidade desse uma “pancada” quando quisesse responder “não” e duas quando fosse “sim”.

Combinando as pancadas com o alfabeto, Margareth e as filhas resolveram o mistério: tratava-se do espírito de Charles B. Rosma, um vendedor ambulante que havia sido morto com uma facada no pescoço em um dos quartos. A história se alastrou pelo vilarejo e moradores descobriram restos de carvão, cal, cabelos e fragmentos de ossos enterrados na adega.

As irmãs foram afastadas da casa, porque se suspeitava que o fenômeno estivesse ligado à presença delas. Kate foi morar com a irmã, Leah, e Maggie, com o irmão David. As pancadas as acompanharam. O corpo de Charles só foi encontrado 56 anos depois, em 1904, numa parede falsa, quando crianças foram brincar na “casa mal-assombrada”.

Na adolescência, as irmãs passaram a fazer sessões públicas de mediunidade. Kate continuou a realizá-las na vida adulta. Para se livrar do controle de Leah, que agia como sua “empresária”, Maggie e Kate chegaram a dizer que o caso de Hydesville havia sido uma fraude. Mas, depois, Maggie recuou e confirmou que o fenômeno havia sido legítimo.

Na França, em 1858, Allan Kardec começava se interessar pelo assunto das mesas girantes. Certo dia ele encontrou o magnetizador, Senhor Fortier, amigo de muito tempo, que falou sobre coisas interessantes em torno das mesas girantes:

Fortier – Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade.

Allan Kardec – Mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.

Fortier – Temos uma coisa muito mais extraordinária; não só se consegue que uma mesa se mova, magnetizando-a, como também que fale. Interrogada, ela responde.

Allan Kardec – Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer nos dormir em pé.

Allan Kardec, por sua vez, questionava-se sobre o assunto apresentado pelo Senhor Fortier, chegando à seguinte conclusão:

- Eu concebia o movimento por efeito de uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, seria um absurdo atribuir-se inteligência a uma coisa puramente material. Achava-me na posição dos incrédulos atuais, que negam porque apenas vêem um fato que não compreendem.

Mas sendo um homem de reputação científica, além de educado e estudioso, não se rendeu às ideias materialistas, a ponto de afirmar:

- Eu estava, pois, diante de um fato novo, aparentemente contrário às leis da Natureza e que a minha razão repelia. Ainda nada vira, nem observara; as experiências, realizadas em presença de pessoas honradas e dignas de fé, confirmavam a minha opinião, quanto à possibilidade do efeito puramente material; a ideia, porém, de uma mesa falante ainda não me entrara na mente.

Mas no começo de 1855, ele se encontra com o Senhor Carlotti, amigo de 25 anos, que lhe falou sobre os fenômenos durante uma hora, com o entusiasmo que consagrava a todas as ideias novas.

A partir desse encontro Allan Kardec passou a frequentar as reuniões mediúnicas e ver de perto o que estava por trás dos fenômenos das mesas girantes.

Estava consagrado o prelúdio da Doutrina Espírita.

Fontes:

- Biblioteca Virtual - O Consolador;

- Obras Póstumas.        

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