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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2018
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No livro Aulas da Vida, ditado pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos), psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, editado pelo GEEM de São Bernardo do Campo, São Paulo, encontramos o presente diálogo, que propõe excelente reflexão, em torno da palavra educativa de Sócrates.

“Certa vez, um homem esbaforido achegou-se ao grande filósofo e sussurrou-lhe aos ouvidos:

– Escuta, Sócrates… Na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular…

– Espera! – ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que vais me dizer pelos três crivos?

– Três crivos? – perguntou o visitante espantado.

– Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

– Bem – ponderou o interlocutor –, assegurar mesmo não posso… Mas ouvi dizer e… então…

– Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

– Isso não… Muito pelo contrário…

– Ah! – tornou o sábio. Então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

– Útil?! – aduziu o visitante ainda agitado. Útil não é.

– Bem – rematou o filósofo num sorriso –, se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificação para nós!”

A lição de Sócrates, em questão, é de maledicência.

O filósofo grego tinha tanto cuidado com a palavra, que buscava primeiro meditar em torno do seu conteúdo, para depois utilizá-la em seus discursos.

Pensar antes de falar é fundamental, embora seja uma atitude pouco usada no dia a dia. Esse método apresenta algo novo e difícil de ser empregado, porque requer disciplina e indulgência.

A palavra tem uma força extraordinária! Quando utilizada para o bem ela, é capaz de produzir verdadeiros benefícios.; enquanto usada para o mal, será destruidora e implacável.

Temos notícias inúmeras sobre a palavra bem empregada, que faz acontecer excelentes resultados de ordem psíquica, a ponto de promover curas físicas, mentais e espirituais. Essas palavras positivas viajam no tempo/espaço conduzindo correntes de amor, produzindo saúde, equilíbrio, libertação e felicidade, por lugares que desconhecemos, mas que se encontram tão próximos de nós mesmos.

O respeito pela boa comunicação com o próximo favorece o bem-estar e a capacidade de promover o benefício coletivo ao nosso planeta, bem como nesses mundos paralelos e planetas diversos no Universo.

Jesus, numa conversa fraterna com os que tentavam incriminar Maria Madalena, não se deixou abater pelas correntes destruidoras, que envolvia os perseguidores. Assim que ele pode fazer o uso da palavra, procurou aliviar os corações endurecidos e magnetizados pelas sombras que os acompanhavam, dizendo apenas o necessário, de modo paciente, demonstrando sua autoridade espiritual, pela palavra educativa e amorosa.

O Mestre, diante da acusada, olhou a sua volta e declarou calmamente:

- Quem de vós que nunca pecou que atire a primeira pedra!

A palavra segura e útil penetrou no intimo de cada um, silenciando por completo. Aos poucos, foram se retirando em silêncio, deixando Jesus sozinho com Maria Madalena.

Maria Madalena, então, perguntou ao Mestre:

- E quanto a mim, o que tens a dizer-me?

O Mestre, carinhosamente, disse-lhe:

- Nada tenho contra ti. Vai e não peques mais, para que coisa muito pior não lhe aconteça.

Falar com amor aproxima os corações na direção da esperança e faz com que se revelem os verdadeiros tesouros da paz e da redenção.

A lição dos três crivos serve de reflexão, diante dos momentos difíceis por que estamos passando em nosso planeta. Estamos sujeitos a falar sobre todos os assuntos que nos cercam, mas devemos pensar primeiro se a nossa palavra é verdadeira, bondosa e útil.

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