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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018
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       Por ocasião a inauguração do monumento no cemitério do Père-Lachaise, em Paris, no dia 31 de março de 1870, ocorreu comunicação do Espírito Allan Kardec que consideramos ser o documento da maior importância cultural.

       Para muitos espíritas acostumados aos estudos sérios e a meticulosa observação sobre os fatos da vida do codificador, vimos nesse acontecimento algo de muito especial, pois se trata de uma comunicação pouco tempo depois do seu desencarne.

       Óbvio que não há nada de anormal pelo fato de a comunicação mediúnica do mestre de Lion, mas pela forma com que foi tratada a mensagem, desde o médium que a recebeu, bem como os dizeres equilibrados e consistentes, confirmados por aqueles que conviveram durante a sua permanência na Sociedade Espírita de Paris.

       Ele nos fala sobre a sua permanência durante o culto em que ouvia emocionado as pessoas que honravam a sua memória, com lembranças de carinho e admiração.

       Com a leveza de sempre e docilidade dos homens de bem, fala da passagem das grandes figuras dos séculos que se foram, mas que continuam noutra parte com os trabalhos aqui começados.

       Essas revelações denotam a sua natureza educadora e a fidelidade de sempre, a partir da palavra de esclarecimento, afirmando que o trabalho não cessa quando o trabalhador fiel obterá sempre a permissão de continuidade do serviço em outras dimensões.

       Agradece pelo mausoléu erguido, mas ressalta que tudo aquilo não foi erguido em memória dele, mas por uma doutrina com princípios sólidos e consolidados.

       O homem é importante durante o trabalho de execução, depois de erguida a obra, ele deixa de ser para viver em comunhão com todos os irmãos em crença, fortalecendo e edificando o verdadeiro ideal.

       O Espírito de Allan Kardec demonstra também sentimentos fortes quanto ao seu amor por todos e, principalmente, pela esposa, que deixou sozinha entre os amigos, pelas sensações de sofrimentos e lutas!

       Agradecido e feliz em razão dos seus esforços que não foram inúteis e que germinarão com o tempo e o trabalho de todos, faz especial solicitação aos amigos para que a coragem e o pioneirismo das ideias espíritas permaneçam firmes a fim de que floresçam por todos os lugares da Terra.

       Penso sobre essas palavras e concluo que, diante do século XXI, as nossas lutas continuam enormes, mas não distantes de realizar os objetivos deixados por ele, porque serão maiores as alegrias ao ver o trabalho que teve o seu início na França, mas que por razões estabelecidas pela espiritualidade veio dar continuidade no Brasil.

Observando as dimensões continentais do nosso Brasil e vivenciando as questões geopolíticas em nosso planeta, posso dizer que essa nação saberá acolher os deserdados da sorte em viver no seu próprio rincão, cujos motivos estão bem claros às nossas vistas.

Se Jesus afirmara de que não ficaríamos órfãos, porque nos enviaria o consolador prometido, hoje posso aquilatar a grandeza desse celeiro do mundo, não somente pelas terras férteis, mas pela gente que aqui habita e faz do Brasil a pátria mãe gentil.

       Como espírita, percebo que estamos empenhados em trabalhar pelo bem da humanidade, que os postulados deixados pelo professor Rivail representam a certeza da sua divulgação através do trabalho de reconstrução da sociedade, visando a colheita dos bons frutos, fazendo resplandecer o amor nos corações ávidos de consolo e esperança.

       Retomando a sua mensagem póstuma, Allan Kardec ratifica a importância da união e para que todos os homens sejam irmãos, porque têm a mesma origem e estão destinados ao mesmo fim. Que o nosso olhar seja de esperança, respeito e perdão a todos que cruzarem o nosso caminho, para que o banquete das inteligências seja incessante.

       No final, enfim, ele aproveita para acariciar os circunstantes, aconselhando com as palavras de otimismo a fim de deixar a chama do verdadeiro amigo amoroso que se dedicou profundamente ao trabalho com dignidade, amor e fé:

       - Quando estiverdes de retorno ao espaço não vos lembrareis, como eu, senão dos trabalhos realizados e prosseguindo sempre em vossa marcha ascendente para os mundos superiores, fruireis o espetáculo da felicidade daqueles a quem tiverdes feito partilhar de vossas convicções e de vossas esperanças no futuro.

       Essas palavras me deixam bastante emocionado e cônscio das nossas responsabilidades diárias. 

       

Fonte: O ESPIRITISMO NA SUA EXPRESSÃO MAIS SIMPLES E OUTROS OPÚSCULOS DE KARDEC – FEB.

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