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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2013

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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drogas   O jovem perdera os pais e a tia assumira a responsabilidade de educá-lo, com muita afeição. A esta altura, seus dois filhos já haviam constituído família. Talvez o fato de ter tido uma boa experiência na educação dos próprios filhos a tenha feito acreditar que com o sobrinho ocorreria o mesmo. Sem grandes preocupações além das naturais - alimentação, saúde e vida escolar -, foi tomada por grande consternação quando descobriu que o jovem estava envolvido com drogas. A princípio pensou tratar-se de algo menor, passageiro. A realidade, porém, mostrou-se diferente: o problema começara há três anos. Ultrapassando os estágios iniciais, sua dependência química agora já era considerada grave. Perplexos, o casal de tios, passado o impacto inicial, buscou os grupos de ajuda para o jovem e para eles próprios. Como espíritas, reconheciam que neste momento, deveriam buscar, também, a ajuda espiritual. E agora, mais fortalecidos, estão enfrentando, juntos, o problema.

   Sabemos todos que não é tarefa fácil a recuperação do dependente químico. Exige lutas diárias, marcadas por avanços e recuos. Em um momento de forte crise, o jovem fez um apelo que selou, definitivamente, o compromisso da tia com a sua recuperação: "Tia, me ajude a ser homem!" Nela, sua tábua de salvação. Um adulto em quem confiava e em quem depositava suas esperanças. E ela não o decepcionou.

  Além das medidas tradicionais, ela o aproximou de um projeto que visa à recuperação de dependentes químicos por meio da arte: o Renascer. Apesar de ser uma iniciativa de espíritas, não tem cunho religioso. Acolhe a todos indistintamente: os adictos e seus familiares.

  Iniciativas como essa merecem ser divulgadas e multiplicadas em toda parte onde se ouve os pedidos de ajuda daqueles que se encontram enovelados pelas drogas.

  Segundo afirmam os neurocientistas, o uso da droga confere uma onda de intenso prazer ao usuário. Como a fonte desse prazer fica registrada na memória, voltar a procurá-la é um processo natural, instalando-se, assim, um círculo vicioso. As campanhas e os trabalhos de recuperação dos adictos precisam levar em conta esta informação. Por isso, é fundamental que se ofereça àquele que está preso nas malhas do vício oportunidades de encontrar outras fontes de prazer.

   Movida por profundo interesse em conhecer mais de perto o projeto Renascer, tive oportunidade de conversar com uma das voluntárias que dele participa. Evangelizadora espírita, sempre muito animada, seus olhos brilham quando me conta sobre os progressos alcançados. Encenar peças de teatro, formar conjuntos musicais, fazer trabalhos de expressão corporal são alguns dos recursos que ela e seu grupo empregam para proporcionar prazer aos que aderem ao projeto em busca de ajuda. E o resultado, aos poucos, vai se revelando.

   Embora não seja objetivo do projeto levar os participantes para a Doutrina Espírita, alguns deles, percebendo em suas lideranças pessoas ligadas ao espiritismo, sobretudo os mais jovens, manifestaram desejo de integrar algum grupo de mocidade.

  Como espíritas, sabemos dos processos obsessivos que se manifestam em situações envolvendo vícios. Conjugar a ajuda de profissionais, com iniciativas como o projeto de artes ou de esportes e com o auxílio espiritual é, sem dúvida, uma maneira de intensificar a ajuda ao dependente químico.

   Não é, pois, sem razão, que aquela voluntária vivenciou, há alguns dias, uma experiência gratificante. Em dia de reunião do grupo, no projeto, um jovem chega e confessa: "A droga me tirou tudo. Não sinto nada. Só um vazio enorme. Não tenho mais sentimento. Hoje eu vou usar droga. Não tem jeito." Envolvendo-o em vibrações amorosas, conversou, sugeriu novas atividades, propôs novas experiências no campo das artes. Buscou, principalmente, convencê-lo de que as emoções e sentimentos estavam, sim, escondidos dentro do seu peito, bastando um incentivo para se manifestarem. Insistiu, pois, em fazê-lo participar do grupo de teatro. E, para sua alegria, percebeu, em pouco tempo, suas emoções aflorarem à medida que se envolvia com dramatizações de pequenos esquetes. Ao terminar, ele se aproximou e lhe disse, confiante: "Valeu! Não vou precisar de mais nada agora." E saíram ambos felizes.

   É verdade que o combate tem que ser diário, mas cada etapa ganha tem o sabor de vitória. Os esforços da Terra ecoam no Céu e voltam em forma de bênçãos. Como educadores, precisamos apoiar toda iniciativa que ajuda a prevenir envolvimento dos jovens com as drogas. É nossa forma de proteger a geração que chega.

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