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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2014

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Outro dia, organizando gavetas, encontrei um cartão de Natal que me fora enviado há muitos anos. Letra miúda, escrito dos dois lados, em inglês. Praticamente uma carta. Assinava-o um jovem professor norte-americano que durante certo tempo atuara na mesma universidade na qual eu trabalhava. Era comum, naquela época, contar com professores convidados de universidades estrangeiras. Eu convivera com alguns deles. Confesso que já não lembrava direito da sua figura. Movida pela curiosidade, comecei a ler a mensagem. Aos poucos, fui sendo tomada por uma doce emoção. É que, além da costumeira troca de notícias e votos de Boas Festas, ele fazia referência a uma experiência que eu lhe havia proporcionado no ano anterior, 1975, quando aqui estivera.

Naquela época, no Natal, minha irmã e eu visitávamos uma pequena comunidade carente localizada na periferia da nossa cidade, levando brinquedos e roupas que nós mesmas confeccionávamos. Saíamos cedo no dia 25 e quando lá chegávamos, éramos recebidas como pessoas amigas. Conhecíamos cada família. Os presentes eram colocados sob uma frondosa árvore e era ali que, juntos sob a sua sombra, fazíamos uma prece lembrando o Menino Jesus e procedíamos à distribuição. Tudo realizado calmamente e com muita ordem. Adorávamos ver a alegria das crianças vestindo suas roupinhas ou apreciando seus brinquedos. E as conversas prosseguiam por mais de uma hora. Saíamos dali com um raro sentimento de felicidade e gratos a Deus pela oportunidade do trabalho. A convivência com aquela gente simples, mas tão amorosa, nos levava a profundas reflexões a respeito do sentido da vida.

Interessado em conhecer mais de perto a realidade brasileira, aquele professor aceitou o meu convite para ir conosco à distribuição. E no seu cartão de Natal ele me contava que aquele tinha sido um dos melhores dias da sua vida. De volta a seu país, fazia questão de deixar este registro, lamentando que, mesmo que quisesse repetir o gesto lá, poucos aceitariam receber algo de um estranho.

Guardei o cartão, mas suas palavras não saíram da minha cabeça. Aquele homem, que passara toda a sua vida nos Estados Unidos, um país rico, graduado em psicologia e professor de uma conceituada universidade, afirmava ter sido aquele dia um dos melhores da sua vida. Ou seja, sua felicidade consistiu em nos ajudar a levar alegria aos corações de irmãos mais necessitados.

Nós valorizamos tanto conquistas das coisas materiais, mas na verdade, são aquelas intangíveis as que, de fato, nos tocam por dentro.

Posso imaginar que naquele recanto aprazível, as trocas vibracionais se fizeram abundantes. Tenho certeza de que, atraídos pela nossa prece, espíritos bondosos ali estiveram, espargindo bênçãos de luz sobre todos nós. E foi todo esse envolvimento espiritual, somado às emanações de amor de todos nós – os que damos e os que receberam – que possivelmente tocou a alma do meu colega, marcando-o tão profundamente.

Mais um Natal se aproxima. Para milhões de pessoas a data está associada a compras, trocas de presentes, festas, consumo. Coisas materiais que talvez não tragam a felicidade sentida por aquele professor.

Por isso, juntamos nossa voz àqueles que defendem a ideia de se comemorar o Natal com mais simplicidade, envolvendo os entes queridos e os mais necessitados em vibrações de afeto, de paz e harmonia. Se a data evoca o nascimento de Jesus, por que não colocar em prática os Seus ensinamentos? Uma prece, um telefonema, uma visita a alguém que se sente triste são atos simples que podemos fazer em nome do Amado Mestre. Momentos em família, onde a conversa flui sem pressa, envolvendo as diferentes gerações também são outra forma de homenageá-Lo.

O Natal nos dá, ainda, ensejo de meditarmos um pouco mais sobre o que significou para a humanidade a vinda de Jesus; sobre o quanto a nossa evolução como seres espirituais se deve a Ele.

Se ainda lutamos contra as nossas imperfeições, a Sua mensagem de amor nos enche de esperança e nos anima a continuar tentando a nos reformarmos intimamente. Suas promessas de um Reino de Luz vêm se tornando viáveis uma vez que Ele nos mostrou o caminho de como alcançá-las. Sua figura e Seu evangelho mudaram o mundo para sempre. Todas essas coisas nos dão motivos de sobra para nos voltarmos, no Natal, para a Sua figura.

Que possamos, pois, vivermos um Natal com Jesus e sermos por Ele abençoados!

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