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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Nos primeiros dias deste ano tivemos nossa atenção voltada para os episódios de violência e intolerância religiosa vividos em Paris com o atentado perpetrado por jihadistas. Ao rastro de ódio contrapôs-se uma rede de apoio e solidariedade, numa clara demonstração de que a liberdade de expressão é uma conquista inalienável.

A mesma Paris, palco desse atentado, havia visto surgir nas vitrines do Palais Royal, no dia 18 de abril de 1857, os primeiros exemplares de O Livro dos Espíritos. Allan Kardec lançava, naquele momento, uma nova visão de Deus e do sentido da vida, um olhar diferente do destino do homem após a morte e da sua relação com os espíritos. A obra, bem recebida por parte de uns e atacada por outros, notadamente certos representantes da Igreja Católica, jamais teve a sua publicação censurada, jamais foi proibida. Em janeiro do ano seguinte ele fez circular o primeiro número da Revista Espírita e, logo em seguida, obteve da prefeitura daquela cidade autorização para fundar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A Revista – a tribuna da qual anunciava o conteúdo doutrinário por ele codificado e respondia aos detratores – nunca teve um só dos seus números censurado ou a Sociedade qualquer uma das suas atividades cerceadas.

Se hoje contamos com a bênção do conhecimento espírita, tal como o mestre lionês nos legou, é graças à liberdade de expressão, um valor inquestionável tanto na sua época, como agora.

Não foi, pois, sem razão, que a França e praticamente todos os países que têm na liberdade um valor supremo organizaram manifestações de repúdio ao cerceamento do livre pensar.

Paralelamente, na mídia, os comentários, as análises e discussões se multiplicaram, dando-nos ensejos de refletir sobre a questão do desentendimento que impera nas sociedades multiculturais.

Chamou-nos a atenção entre os muitos comentários ouvidos, um baseado na opinião do filósofo francês François L’Yvonnet, que há anos acompanha de perto a tentativa de aproximação das culturas, não somente na França, mas também em países da América Latina. Para ele a raiz do problema reside na violência observada nas escolas, nas ruas e nas comunidades, fruto de uma sociedade desigual, marcada por carência de toda ordem como desemprego, exclusão, evasão escolar e negação dos direitos.

Sua crítica se volta para a ausência do poder público e a forma como ele deixa ao desemparo as novas gerações que, sem perspectivas de futuro, sem conseguir vislumbrar nenhuma forma de sucesso social acabam se enveredando no submundo da droga e no crime. Em termos individuais, a porta de entrada é, na maioria das vezes, o aliciamento que apela para o sentimento de pertencimento e para a manipulação da autoestima. Jovens sem instrução e sem nenhuma projeção social são rapidamente alçados a postos jamais por eles imaginados. Com uma arma na mão e tendo na retaguarda as facções criminosas ou grupos radicais que os cooptaram, sentem-se poderosos e podem chegar a atos extemos como os que resultaram no atentado ao periódico francês. Tais ações são, para muitos, o coroamento de um projeto cuidadosamente elaborado. Uma conquista. Um troféu, ainda que a custo da própria vida.

Para nós, adeptos do espiritismo, é motivo de alerta saber que na noite daquele mesmo dia – 7 de janeiro de 2015 –, em reunião mediúnica realizada no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Divaldo Pereira Franco psicografou uma expressiva mensagem assinada por Vianna de Carvalho abordando o tema terrorismo. Queremos divulgá-la na certeza de que o caminho que ele aponta é o único que poderá por fim a este tipo de violência indiscriminada.

“Somente quando o amor instalar-se no coração do ser humano é que o terrorismo perverso desaparecerá e os cidadãos de todas as pátrias e de todas as confissões religiosas se permitirão ver a liberdade de pensamento, de palavra e de ação. [...] Para que esse momento seja atingido, faz-se urgente que todos, mulheres e homens de bem, religiosos ou não, mantenham-se em harmonia, respeitem-se mutuamente e contribuam uns para a plenitude dos outros. [...] O terrorismo passará como todas as vitórias da mentira, das paixões inferiores e da violência, porque só o amor é portador de perenidade.”

Não há muito a acrescentar às palavras do nobre mentor. Apenas destacamos que essa urgência em nos mantermos em harmonia, respeitando-nos mutuamente, deve começar na infância. A criança aprende com os exemplos e nós, os adultos a sua volta, deveríamos ser os primeiros a lhe ensinar que somente com essas atitudes tolerantes e pacificadoras, banhadas pelo amor ao próximo, será possível mudar a face das relações entre os homens, trazendo paz na Terra.

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