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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2015

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Participando com certa regularidade do Movimento Espírita brasileiro, tenho tido inúmeras oportunidades de trocar experiências com companheiros de várias partes. Aprecio o diálogo. Tenho gosto em aprender coisas novas. O olhar do outro sob um prisma diferente do meu me enriquece. E apesar de haver muitos anos de intensas trocas, ainda me espanto com situações que me são apresentadas.

Assim foi, por exemplo, quando ouvi de pais espíritas, em recente visita à Europa, a declaração de que não falam de Jesus com os seus filhos porque não desejam vê-los desajustados entre seus pares. Isso mesmo: são espíritas que se limitam somente ao aspecto filosófico e científico da doutrina quando conversam com os filhos a respeito do espiritismo. Alegam que, em uma sociedade extremamente materialista e marcada pelo ateísmo, os filhos, sobretudo os que já se encontram na adolescência, vão se sentir mais aceitos se acompanharem a opinião da maioria dos seus colegas que rejeitam qualquer ideia de religião. Falar do Mestre Amado, ensinando-lhes as lições contidas no Seu Evangelho seria andar na contramão dos valores vigentes naquelas culturas.

Uma ocasião, em particular, me deu ensejo de expor minha opinião a respeito. Foi em um encontro promovido por uma casa espírita da Itália, dirigida por uma brasileira. Uma roda de conversa. Estavam presentes vários casais, a maior parte formada por mães brasileiras e pais italianos.

Como forma de estimular a participação, formulei três perguntas iniciais e fui pedindo, um a um, que as respondessem. “Você tem consciência de que o filho que Deus enviou aos seus braços é um espírito que traz consigo os compromissos reencarnatórios?”, foi a primeira delas. A segunda foi: “Você tem consciência de que, como pai ou mãe, tem por missão ajudá-lo a evoluir espiritualmente?” E a última foi: “De que esse espírito precisa para, na presente encarnação, caminhar em direção a essa evolução?”

Pelas expressões dos rostos, pude perceber que as indagações haviam causado certo desconforto, o que foi confirmado pelas respostas que foram surgindo. Timidamente, algumas mães começaram a expor seus pontos de vista, limitando-se a abordar apenas as duas questões iniciais.

Mas eu queria ouvir sobre aquilo que ficou faltando. Então, insisti na pergunta sobre as reais necessidades do espírito para progredir espiritualmente. Foi então que em um depoimento sincero uma das mães reafirmou aquilo que me haviam alertado: esquecidos de que seus filhos são espíritos, os pais os educam segundo as regras do mundo. Em uma sociedade na qual não há lugar para Deus, Jesus ou mesmo para as lições do Evangelho, os pais se veem constrangidos a seguir a maioria, deixando que os filhos cresçam sem abrigar nenhum tipo de sentimento religioso no coração.

Alguns discordaram, mas a maioria apoiou a fala daquela mãe, acrescentando detalhes que vinham comprovar o quanto é difícil, numa sociedade materialista, despertar nos filhos os sentimentos de amor e gratidão a Deus a ao Mestre Jesus; quão espinhoso é desejar que eles absorvam as mensagens do Evangelho. Talvez premidos pela força do meio, tais genitores preferem ver seus filhos orientando-se pelas leis da Terra do que pelas leis de Deus.

O restante do tempo foi dedicado às ponderações em torno dessa escolha.

Sem a percepção de que todos somos espíritos em processos de aprendizagem, reajustes e reparações, com vistas à felicidade futura, torna-se, de fato, difícil enfrentar os desafios do meio sociocultural. Quero crer que com o farol do esclarecimento doutrinário espírita, aliado às diretrizes do Evangelho Cristão, tais pais estariam de posse dos instrumentos capazes de se contrapor à tendência observada.

“De que vale ganhar o mundo e perder a sua alma?”, indagou o Mestre. E esta pergunta se aplica a todos aqueles que privilegiam o estar bem em termos de relacionamentos sociais em detrimento do estar bem consigo mesmo e nas suas relações com Deus. E são essas relações que irão favorecer a plenitude do ser, a sua autorrealização.

Sabemos que alcançar tal estágio implica em longa marcha, em muito esforço e força de vontade. Mas, se desde os primeiros passos o ser se encontra amparado e fortalecido com os ensinamentos contidos do Evangelho de Jesus, as passadas serão mais firmes e a caminhada mais curta.

Como pais e educadores, para o bem dos espíritos que estão sob nossa responsabilidade, falemos de Jesus, transmitindo-lhes Suas lições de amor, de paz e de luz.

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