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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2015

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Comemora-se em 15 de outubro o Dia do Professor, essa figura da maior importância na educação das novas gerações. No entanto, não temos muitos motivos para comemorar. A carreira do magistério está em crise, no País. Pesquisas assinalam um grande déficit de professores em diferentes áreas, e apontam um agravamento do quadro com um elevado número daqueles que estão prestes a se aposentar. Não está havendo uma renovação do plantel capaz de cobrir esse déficit. Cai, ano a ano, a procura pela carreira do magistério, gerado por muitos fatores, sendo os principais a baixa remuneração e a falta de condições de trabalho.

Uma análise mais detalhada aponta que é no campo das relações entre professores e alunos que o problema se agrava. É imenso o número de educadores que se queixam da forma desrespeitosa e agressiva com que são tratados pelos alunos. Lembro-me de uma cena passada na sala dos professores de uma escola pública onde desenvolvia uma pesquisa. Era hora do recreio. Os professores, na maioria, relatavam dificuldades com suas turmas, mostrando-se impotentes ante a gravidade da situação. Passado o tempo regulamentar, toca o sinal para o retorno às salas de aula. Para meu espanto, vejo que a maioria não se mexe. Decorridos cinco minutos, toca um segundo sinal. Somente então é que se levantam. Alguns vão praticamente se arrastando para a sala de aula, porque sabem que terão que enfrentar muita indisciplina, falta de respeito e, por vezes, até agressões por parte de alunos.

É triste ver que aqueles que deveriam despertar a motivação e o interesse da turma não conseguem encontrar, em si mesmos, nenhum entusiasmo pela tarefa. O elevado número de licenciamentos e de evasão do magistério são as faces mais visíveis desta questão.

Situação semelhante viveu a França em meados do século XIX. Quem nos relata é o professor Rivail, que mais tarde seria conhecido com o pseudônimo de Allan Kardec. Tendo sido discípulo de Pestalozzi, iniciou-se muito cedo no magistério, produzindo obras sobre a educação e o ensino que o fizeram conhecido e respeitado naquele país.

É de sua autoria um texto em que aborda os principais problemas enfrentados pelos professores da educação básica naquela ocasião. Contava, então, com 30 anos de idade, e já acumulava uma experiência profissional de mais de 10 anos. Nessa publicação, vamos encontrar várias referências à situação “humilhante” vivida pelo professor, além de um forte apelo aos pais, a quem atribui a origem da falta de respeito aos mestres, expressos pelos alunos.

“Testemunhar aos educadores mais consideração que lhes dais é o melhor meio de interessá-los em vossos filhos e de fazê-los suportar mais pacientemente as dificuldades que eles encontram na sua educação. Pensai que não há nada mais penoso do que estar encarregado de educar filhos dos outros, e se muitas vezes vós mesmos vos sentis embaraçados com isso, como não deve ser para um estranho? Os aborrecimentos, as contrariedades, os desgostos com que os educadores são acabrunhados, afastam desta carreira os homens de mérito notável. Resulta disso que a educação, e, sobretudo a primeira, fica por conta de homens medíocres, saídos o mais frequentemente de uma classe muito inferior, onde não puderam receber eles próprios uma educação social adequada à sua missão”.

Não fosse a linguagem, poderíamos apostar que quem assim escreve está retratando o panorama vivenciado nas escolas de nossos dias.

Como não reconhecer essa relação entre a atitude dos pais e o comportamento dos filhos? Como negar que entre nós também existe a transferência das responsabilidades pela educação, dos pais para os professores? E o que dizer dos sentimentos de frustração e pesar vividos pelos encarregados de educar os filhos daqueles que não lhes reconhece o valor e a importância?

É interessante observar que muitos trazem pronto o discurso sobre o valor do professor na educação dos filhos, embora bem poucos consigam concretizá-lo em ações reais. No entanto, pais e educadores deveriam ser parceiros na tarefa de transmitir conhecimentos e valores necessários para a boa formação do indivíduo.

Sob a ótica espírita, os educadores são colaboradores dos pais no desempenho da sua principal missão frente aos filhos: a de contribuir para que conquistem valores imortais capazes de fazê-los avançar na presente encarnação, quer no campo ético-moral e afetivo, quer no intelectual. E o ponto de partida é, sem dúvida, o estabelecimento de uma relação saudável e amistosa entre ambas as partes.

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