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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2015

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Com o Natal se aproximando, o comércio se enfeita, apostando em novidades.

Passeava despreocupadamente entre lojas, quando vi uma camiseta para recém-nascido, toda preta, escrito em vermelho, com letras bem grandes, UFC, como na logomarca. Abaixo, a inscrição: “O fortão da casa sou eu!” Parei estarrecida. Imediatamente me veio à mente cenas de livros que descrevem a preparação de espíritos para a reencarnação na Terra. Quanto cuidado. Quanto labor. Quantos projetos feitos visando o bom aproveitamento da vida que irá recomeçar. Mentores espirituais, encarregados de colaborar com os que se preparam para retornar, se empenham, nos mínimos detalhes, para que nada desvie o seu tutelado do bom caminho, na nova empreitada.

Se ainda estamos precisando reencarnar neste planeta no qual há tanto sofrimento e dificuldades, é porque provavelmente ainda temos problemas de ordem moral e afetiva para serem superados.

Imaginemos, então, uma pessoa que tenha vivido algumas jornadas terrenas praticando maldades, agindo de forma truculenta contra seus irmãos em humanidade. Coração endurecido, não teve paz enquanto vagava na erraticidade, até que um dia, cansado de sofrer, decidiu voltar-se para Deus, pedindo uma nova oportunidade. Queria se regenerar.

 Então, Espíritos bondosos, encarregados de socorrê-lo, lhe sugerem uma nova reencarnação. Ele aceita, contente. Juntos, fazem planos. Ele promete combater, com veemência, suas tendências à violência e à agressividade. E assim, pleno de bons propósitos, reencarna.

Seus pais, adeptos das lutas-livres, acharam linda aquela camiseta e a compraram. E foi com orgulho que, nos primeiros passeios do bebê, exibiram o “seu fortão” vestido a caráter. Pela roupinha se pode ver as preferências dos pais.

Aquilo que aos olhos de muitos não passa de uma brincadeira, pode resultar em algo maior, que escapa aos nossos sentidos. A naturalidade com que os adultos aceitam uma atividade que é uma verdadeira selvageria, um vale-tudo, no qual os competidores se agridem impiedosamente, é assimilada pelas crianças como algo normal, uma coisa que faz parte da vida de todas as pessoas. Como a aprendizagem se faz por imitação, atos violentos são, a seus olhos, para serem imitados, ainda mais se sancionados pelos pais.

Forma-se aí um cenário que em tudo contrasta com o que deveria ser oferecido ao espírito reencarnante para ajudá-lo a superar suas dificuldades anteriores. A força desses hábitos agressivos acaba por anular toda e qualquer tentativa de mudança nas tendências e inclinações que precisa combater. E que fique bem claro: não é a camiseta em si, que faz mal, mas sim a mensagem que transmite.

Não sabendo ir além das aparências, muitos de nós cometemos equívocos sem nenhuma intenção de prejudicar a quem quer que seja, muito menos aos nossos filhos. No entanto, é preciso que estejamos alertas, pois situações aparentemente ingênuas podem ser o início do fracasso de projetos reencarnatórios planejados com carinho por amigos espirituais.

Um exemplo típico disto ocorre com adultos que têm o hábito de, nas festas familiares, oferecerem bebidas às crianças, fazendo-as provar e se divertem com as caretas que elas fazem quando se deparam com algo muito forte. E se alguém de bom-senso chama sua atenção para que não se aja assim, ouve-se logo um “o que é que tem?”, como se nesse ato não houvesse nada de mais. Como não sabemos as tendências e dificuldades vividas anteriormente por esses espíritos que agora se manifestam em corpos infantis, o melhor é não despertar o que eles trazem adormecidos.

Reencarnamos para vencer nossas imperfeições morais. Por isso, é bom que tenhamos mais cuidado na maneira com que tratamos nossas crianças. Elas contam conosco para vencerem a si mesmas. E o Natal oferece boas oportunidades para tal.

É verdade que é um tempo de festas e inevitavelmente, de presentes, mas que pode, também, trazer vivências inesquecíveis para os pequenos.

 Comprar um presépio, contar a história do nascimento de Jesus, reunir as crianças da família ou da casa e pedir-lhes que o montem, peça por peça, como se estivessem, de fato, participando do Seu nascimento, é uma forma de aproximá-la do Mestre Amado. A riqueza de sentimentos brotados dessa experiência é incomensurável. Será uma lembrança que ficará marcada nas suas mentes e em seus corações. E o Natal será de Jesus, para sempre. Naturalmente.

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