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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2018

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Histórias com final feliz são sempre bem-vindas. Essa me foi contada pela minha amiga Maria, e diz respeito a uma família constituída por uma mãe divorciada e suas duas filhas.

A mais nova, de 26 anos, há muito tempo não falava com a mãe. Uma relação conflituosa começara na infância e foi-se agravando até culminar em um rompimento entre ambas. Brigas constantes, falta de respeito, agressões tornaram insuportável a convivência, levando a jovem a se afastar, em definitivo, do lar materno.

Nos primeiros anos, uma forte hostilidade revelava a predominância do rancor e da mágoa de parte a parte. Nenhuma das duas admitia a possibilidade de uma reconciliação.

Quando essa estranha situação já se arrastava por quase cinco anos, surgiu um Anjo Bom, na pessoa de Maria – uma amiga da família – e tudo se modificou.

Espírita, e pautando a sua vida pelo Evangelho do Senhor Jesus, ela testemunhara, aflita, todo o caso, desde o início. Secretamente, alimentava um forte desejo de auxiliar. Nos anos anteriores, tentara, em vão, a reaproximação de mãe e filha. À simples menção do nome de uma delas para a outra, provocava uma onda de ira, reacendendo emoções que aquelas almas insistiam em manter vivas.

Mas Deus fala na voz do tempo. Na última visita que Maria fez à mãe, ao perguntar pela filha, encontrou um coração completamente modificado. Com lágrimas nos olhos, falou da saudade que invadia seu peito, reafirmando o amor que sentia por sua caçula. Lembrou-se de que, em breve, estaria fazendo cinco anos desde que ela fora embora.

Ao sair dali, minha amiga fez, imediatamente, um contato telefônico com a jovem. Relatou o que ouvira da mãe. Evocando as palavras do Pai-Nosso, falou do esquecimento das ofensas e do perdão. Insistiu para que pusesse um fim àquela situação. A jovem, que sempre contra-argumentava, dessa vez se calara.

A esperança encheu de brilho o olhar de Maria. Sabia que era hora de entrar em cena. Não demorou muito e a mãe recebia uma mensagem que dizia: “Dê uma chance a sua filha. Ela está receptiva”.

Três dias depois, o reencontro se dá, para a felicidade de todos. Mãe e filha se entendem e, reconhecidas, agradecem à amiga que promoveu o abençoado desfecho.

Tal como a minha amiga, todos nós, que nos dizemos seguidores de Jesus, deveríamos ser promotores da paz, sempre que possível. Com um olhar atento e um franco desejo de ajudar, podemos operar verdadeiros prodígios, ajudando nosso próximo. Para isso é necessário que saiamos do nosso comodismo e elaboremos meios e modos de agir. As brechas sempre aparecerão se deixarmos de lado a opinião que o problema do outro não nos diz respeito.

Acreditamos que o tempo é capaz de diluir mágoas e ressentimentos, sobretudo se, anteriormente, o amor se fez presente. Então, em casos como o aqui relatado, ao se aguçar da percepção do que vai no íntimo de cada um dos envolvidos, ao se verificar quanto sofrimento guarda um coração que pede trégua, a intuição dirá que chegou a hora do perdão. Com sensibilidade, muita fé e firme vontade de cooperar com o bem, podemos e devemos, na condição de seguidores e servidores de Jesus, fazer todo o possível para reaproximar nossos irmãos que já se cansaram da luta e que anseiam pela paz.

Não há alegria maior do que se saber portador da harmonia em um lar outrora dividido.

Dificilmente a origem dos conflitos familiares se encontra em apenas um dos lados ou surge de repente. Na maioria das vezes, nascem de questões mal resolvidas, de problemas não superados ou, até mesmo, de relacionamentos infelizes em vidas passadas. Como consequência, ergue-se um muro entre os envolvidos que, apesar de alto, não é intransponível.

Conhecemos inúmeros relatos de pessoas que, depois de arrastarem desavenças por um longo tempo, sonham em restabelecer a boa convivência, mas não sabem como fazê-lo. Falta-lhes a figura de um conciliador. Em situações como essas, não seria o caso de assumirmos esse papel tal como fez minha amiga Maria?

Pensemos nisso. Provavelmente descobriremos caminhos que nos indicarão como agir. O amor tem uma força irresistível! E, quando promovemos o Bem, nunca estamos espiritualmente sozinhos. Bons Amigos nos dão a força e a coragem para a boa ação. Tentemos!

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