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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2018

Sobre o autor

Leonardo Vizeu

Leonardo Vizeu

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A presença dos espíritos em nossas vidas é muito mais forte do que podemos supor, porém quase imperceptível aos cinco sentidos do corpo humano. Mesmo para aqueles que têm o dom da mediunidade mais desenvolvido, é difícil resistir à influência que nossos irmãos desencarnados exercem cotidianamente sobre nós. Conforme nos ensina a Codificação: “(…) é comum terdes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos observam.” (Resposta à q. 457a, O Livro dos Espíritos).

Além disso, Kardec foi preciso ao arguir o Espírito da Verdade: “L.E. 459. Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações? Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem”. Em todas as etapas da história da humanidade, encontram-se registros da presença de seres imateriais. Em Gênesis 22, um anjo impede que Abraão sacrifique seu rebento em nome da fé; em Lucas 1, um anjo anuncia à Maria a vinda de Jesus; e ainda, em Lucas 8, o Cristo cura um endemoniado. Por sua vez, várias obras infantis trazem a clássica figura do “anjinho” e do “diabinho” aconselhando para o bem e para o mal as personagens.

Um dos desenhos de maior sucesso nos anos de 1980, Thundercats, trazia a personagem Jagha, como espírito protetor de Lion-o. Diversas obras cinematográficas descrevem tanto no campo da ficção (Ghost – Do outro lado da vida; O Sexto Sentido; Os Outros), quanto no campo da realidade (O Exorcista; Livrai-nos do mal), a atração que os espíritos exercem sobre nós. Tamanha é a influência que exercem sobre nossa vontade que, não raro, não temos como diferenciar a tênue linha que separa nossos próprios pensamentos dos sussurros dos espíritos“ L.E. 460.

Temos pensamentos próprios e outros que nos são sugeridos? Vossa alma é um Espírito que pensa; não ignorais que muitos pensamentos vos ocorrem, a um só tempo, sobre o mesmo assunto, e frequentemente bastante contraditórios. Pois bem, nesse conjunto há sempre os vossos e os nossos, e é isso o que vos deixa na incerteza, porque tendes em vós duas ideias que se combatem”.

Todavia, tal influenciação nem sempre se dá para o bem, sendo, muitas vezes, um arrastamento para o mal. “Recebemos a inspiração dos Espíritos que nos influenciam para o bem ou para o mal. (…) Aplica-se a todas as circunstâncias da vida, nas resoluções que devemos tomar. (…).” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, cap. XV, item 182). Assim, o grande desafio do Cristão, nessa encarnação, é resistir à tentação e ao chamado do mal. Para tanto, mister se faz que a vibração de nossa psicosfera individual se mantenha sempre em sintonia com a Lei de Justiça, Amor e Caridade.

Nas palavras da Codificação: “(…) para se comunicar, o Espírito desencarnado se identifica com o Espírito do médium, esta identificação não se pode verificar, senão havendo, entre um e outro, simpatia e, se assim é lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atração, ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. (…) Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam.” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 227); “L.E. 464. Como distinguir se um pensamento sugerido vem de um bom ou de um mau Espírito? Estudai a coisa: os bons Espíritos não aconselham senão o bem; cabe a vós distinguir”. Assim, por mais que nossos irmãos desencarnados nos influenciem, eles não têm a capacidade de fazer as escolhas por nós, uma vez que nosso livre-arbítrio é um atributo divino e inalienável.

Por mais que estejam presentes em nossas vidas, o arrastamento ao mal exercido pelos espíritos de ordem moral inferior não é irresistível, cabendo a nós, com o auxílio da espiritualidade superior, escolher o bem. Na lição do Espírito da Verdade: “L.E. 467. Pode o homem se afastar da influência dos Espíritos que o incitam ao mal? Sim, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos”; “L.E. 469. Por que meio se pode neutralizar a influência dos maus Espíritos? Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores e destruís o império que desejam ter sobre vós. Guardai-vos de escutar as sugestões dos Espíritos que suscitem em vós os maus pensamentos, que insuflam a discórdia e excitam em vós todas as más paixões. Desconfiai sobretudo dos que exaltam o vosso orgulho, porque eles vos atacam na vossa fraqueza. Eis porque Jesus vos faz dizer na oração dominical: ‘Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal!’”.

Vide: O Livro dos Espíritos (FEB); O Livro dos Médiuns (FEB)

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