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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2014

Sobre o autor

Ângela Delou

Ângela Delou

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Nos anos 60 essa mulher, negra, favelada, catadora de papel abalou o cenário cultural brasileiro com o seu livro “Quarto de Despejo - Diário de Uma favelada”. Sua história merece ser contada. Audálio Dantas, jornalista do Diário de São Paulo, conheceu Carolina próximo à favela do Canindé, onde ela morava,a qual foi desocupada para a construção da importante Marginal Tietê. Chegando no barraco viu que a moradora estava escrevendo um livro. Em cadernos velhos encontrados no lixo Carolina escrevia suas histórias e poesias.

 

1914-2014

Nasceu numa comunidade rural, no dia 14 de março de 1914, na cidade mineira de Sacramento, a inesquecível cidade do benfeitor espiritual Eurípedes Barsanulfo. Filha ilegítima de um homem casado, estudou apenas dois anos, mas aprendeu a ler e a escrever. A esposa de um rico fazendeiro pagou o estudo de várias crianças pobres a mãe obrigou-a a ir para a escola. Gostava de ler e lia tudo o que encontrava no lixo.

Sua mãe foi expulsa da Igreja Católica por ter dois filhos ilegítimos. Mesmo assim continuou sendo católica. Em 1937 ela desencarnou e Carolina foi para São Paulo morar na favela. Teve 3 filhos, cada um de um pai diferente. Nos cadernos velhos fazia o relato da difícil vida da favela deixando seus vizinhos aborrecidos porque não sabiam ler nem escrever como ela. Escreveu sobre a pobreza, o desespero de passar fome e o contraste entre a favela e a beleza da cidade.

 

Quarto de Despejo

“Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de veludo, almofadas de cetim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo.”

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Seu livro Quarto de Despejo vendeu 10 mil exemplares em uma semana. Foi traduzido em 13 idiomas e vendeu cerca de um milhão de cópias, em 40 países. Escreveu também quatro romances, 107 poesias e três peças de teatro além de outros inéditos.

No filme “Carolina” a atriz Zezé Mota conta a sua história. Publicou no Brasil os livros Casa de alvenaria (1961), Provérbios (1963), Pedaços de fome (1963) e Diário de Bitita (publicação póstuma, em 1982). Ganhou dinheiro, comprou um sítio mas depois de cinco anos voltou a catar lixo e morreu pobre, em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977.

Apesar de pouco conhecida no Brasil, ela é uma das escritoras brasileiras mais traduzidas no mundo. Seu nome não entra no currículo escolar. Precisamos resgatar sua história para as novas gerações.

 

“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.”

 

“Quadros

(...)

Saio de casa não deixo nada

Nem um pedacinho de pão,

Deixo minhas roupas molhadas

Não as lavo por não ter sabão.

 

Que luta para viver

Quantas dificuldades

Um pobre quando morrer

Não pode levar saudades.

(...)”

 

(Do livro Antologia pessoal, organização de José Carlos Sebe Bom Meiry, Revisão de Armando Freitas Filho, Rio de Janeiro, UFRJ, 1996).

 

Lei de Igualdade

Embora sejamos diferentes (homens, mulheres, negros, brancos...) todos devemos ser tratados de maneira igual, ou seja, ter os mesmos direitos e oportunidades.

Na questão 806 de O Livro dos Espíritos, respondem a Kardec os Espíritos Superiores, que a desigualdade das condições sociais é obra do homem e não de Deus e que quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar essa desigualdade desaparecerá. Restará apenas a desigualdade do merecimento.

Explicam também que as provas da riqueza e da miséria foram escolhidas pelos próprios espíritos. Entretanto, quando a lei de amor predominar na Terra essas desigualdades desaparecerão, pois todos estaremos ligados numa grande família universal. O amor é de essência divina e todos guardamos no fundo do coração essa centelha divina que fará com que todas as injustiças sociais sejam extintas. A tarefa é de todos!

 

Singela homenagem

Contando a história de Carolina Maria de Jesus homenageamos o centenário de nascimento de uma das mais importantes mulheres da literatura brasileira. Agradecendo pela sua importante contribuição à sociedade.

Rogamos a Deus que a abençoe e proteja!

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