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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2014

Sobre o autor

Ângela Delou

Ângela Delou

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Conhecida como a maior democracia do mundo, a Índia, com mais de um bilhão e duzentos milhões de habitantes, é um país de contrastes. O segundo país mais populoso do mundo ocupa, no entanto, um lugar modesto quanto ao seu desenvolvimento econômico.

Gandhi e a política da “não violência”

A Índia do pacifista Gandhi que, em 1919 iniciou uma vasta campanha de resistência não violenta que culminou com a saída dos ingleses em 15 de agosto de 1947, efetivando-se a partilha da Índia. Foi reconhecida a independência da União Indiana.

Gandhi não aceitou a divisão da Índia em dois estados, a União Indiana, hindu, e o Paquistão, muçulmano, e dedicou-se a reconciliar as duas comunidades. Mas, em 1948, foi assassinado por um extremista hindu.

O ideal da convivência pacífica entre habitantes das diferentes culturas e religiões ainda está longe de ser alcançado. Graves conflitos históricos ameaçam a unidade indiana como o sistema de castas e a rivalidade entre hindus e muçulmanos.

A Constituição de 1950 tornou o hindi a língua oficial do país e enumerou as 15 línguas oficiais regionais:assamês, bengala, gujarati, hindi, kanara, caxemira, malaiala, marathi, oriya, pendjabi, sâncrito, sindhi, tâmil, telugu, urdu. O hindi encontrou resistência, principalmente nos estados do Sul e em Bengala, ficando o inglês como segunda língua oficial.

As castas

A origem do sistema indiano de castas perde-se no tempo. Calcula-se que existam cerca de 3 mil castas e 25 mil subcastas; algumas com centenas de membros e outras com milhões. A origem pode ser tribal, religiosa, racial, territorial e assim por diante.

Oficialmente abolido em 1947, o sistema de castas permanece até hoje, tornando-se o principal obstáculo à unidade da sociedade indiana.

Valorização da Mulher

Quem nasce na camada social mais baixa é chamado de “dalit” ou intocável. Os intocáveis não têm direitos e são vítimas de todo tipo de agressão, especialmente as mulheres. A maior parcela da população é constituída por intocáveis. São 160 milhões de pessoas sem direitos; é quase a população do Brasil!

Prevalece na Índia a mentalidade patriarcal marcada por frequentes e graves episódios de violência: agressões físicas, abusos sexuais, estupros, mutilações, abortos. Uma pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas) aponta que 90% das mulheres indianas têm medo de sair na rua.

Em razão disso nasce na Índia, na Conferência Episcopal Indiana, o “Movimento das Mulheres Cristãs”. Os participantes da conferência manifestaram o “desejo de se comprometer em sair da área de conforto, promover atos de compaixão e justiça, defender a dignidade da mulher e fazer rede com outras comunidades”.

O Papa Francisco, por várias vezes, reiterou a importância e a dignidade da mulher na sociedade. Assim fez Jesus e todos nós cristãos devemos seguir os passos do querido Mestre de Nazaré.

A jornalista Radha Bedi, inglesa de origem indiana, esteve em Nova Déli para constatar o nível de violência existente. A jornalista constatou que os jornais estão repletos de casos de violência sexual e estupros sendo que essa violência antecede ao nascimento. São 350 casos de estupros registrados nos quatro primeiros meses do ano na capital indiana. Nascer mulher significa prejuízo financeiro mesmo para as camadas mais ricas que devem pagar um grande dote para a família do marido, além de gastarem com educação e alimentação. Uma despesa enorme para a família. Com esse argumento foram praticados, na última década, 4 milhões de abortos de bebês do sexo feminino, apesar da lei condenar o aborto. A Índia inteira, relata a jornalista, conhece um tipo de orfanato – só para meninas!

Uma forma extrema e cruel de violência acontece – 80% das mulheres são atacadas com ácido. As vítimas raramente morrem; ficam cegas e desfiguradas.

É urgente que a comunidade internacional se manifeste e promova mudanças nessa sociedade, cujo comportamento é o inversamente pregado e vivido pelo apóstolo indiano, o Mahatma (a Grande Alma) Gandhi.

As mulheres indianas começam a se erguer e um manifesto ocorreu em razão da morte da estudante de fisioterapia Jyoti Singh, estuprada e jogada do ônibus, há um ano e meio.

O programa Fantástico, da rede Globo, mostrou matéria no dia 6 de julho, que vale a pena assistir. Está disponível no site da globo.com.

E nós espíritas, o que podemos fazer?

Vamos nos unir em orações pelos indianos, nossos irmãos de jornada. Podemos também divulgar, de forma pacífica, nas redes sociais, para que mais pessoas se unam e essa onda de fraternidade encontre eco nos corações equivocados que necessitam urgentemente despertar para a cultura da paz! A paz é possível! Depende de nós!

Durante a Copa do Mundo recebemos a mensagem espiritual “Prudência” de José do Patrocínio e nos unimos em orações. Deu certo! O sentimento de fraternidade contagiou os brasileiros e foi apontado em pesquisa Datafolha com mais de 90 % de aprovação. Por que não acreditar que podemos mudar o mundo? A força do Bem é contagiante! Oremos pela Índia que faz parte do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Somos responsáveis por isso! Abracemos essa causa!

Muita paz!

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