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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2015

Sobre o autor

Ângela Delou

Ângela Delou

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Uma das páginas mais comoventes de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, está no capítulo XI, item 14 e intitula-se “Caridade para com os criminosos”, ditada em 1862, na cidade de Havre, pelo Espírito Isabel de França.

Diz-nos, textualmente, a benfeitora espiritual: “Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós”. O argumento apresentado é simplesmente incontestável, ou seja, “eles não conhecem Deus como o conheceis”. Entretanto, sempre me perguntei porque tamanha bondade e misericórdia com os criminosos. Que alma é esta que se comove com tanta intensidade por aqueles que espalham a desgraça e a infelicidade às famílias marcando para sempre a vida daqueles que contrariam frontalmente o maior ensinamento do Cristo que é o “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”? É muito difícil oferecer o perdão, mas este também é um ensinamento do Cristo.

Quem foi esta princesa da França no século XIX que depositou essas pérolas de bondade nas doces páginas do Evangelho?

Isabel ou Elisabeth de França, era irmã do rei Luis XVI (nasceu em 1754), deposto pela Revolução de 1789, condenado à morte e guilhotinado. Casado desde 16 de maio de 1770 com Maria Antonieta, Luis foi coroado em 1774, com o país corroído pela miséria e o descontentamento. Chegou a diminuir os impostos e fundar instituições de auxílio, mas as crises econômicas foram se sucedendo, e a nobreza indiferente promovia grandes festas em Versalhes. A situação foi se agravando e pouco depois a Queda da Bastilha pune as imprudências da corte e o rei, condenado à morte aos 16 de janeiro de 1793, é guilhotinado 5 dias depois na Praça da Revolução. O mesmo aconteceu com toda a família real.

Em 1764 nasceu Isabel, um nobre espírito. Órfã aos 3 anos de idade, recebeu boa educação. Viveu em Versalhes onde cumpria seus deveres de princesa. Entretanto, vivia longe das frivolidades e distrações da corte real. Dedicava seu tempo às obras de caridade. Muito dedicada ao irmão poderia ter se casado, porém preferia estar junto aos menos afortunados. Distribuía mantimentos e ajudava os camponeses. Depois da condenação à morte de seu irmão e da cunhada Maria Antonieta, Isabel passou a cuidar da sobrinha que mais tarde foi conduzida à prisão. E, a bondosa princesa, que vivia longe da política, mesmo sem ter cometido nenhum crime foi condenada à morte pelo tribunal revolucionário.

Conta-se que, no momento da execução, um estranho silêncio tomou conta de toda a praça. Não se ouviu um só ruído, nem um “viva a república”, nada... O capitão que deveria dar o sinal para o rufar de tambores caiu desfalecido. A multidão permanecia em silêncio e após a execução um perfume de rosas se espalhou por toda a praça.

Em 1862 a ex-princesa registra a necessidade de termos caridade com os criminosos que são criaturas de Deus. E, para culminar nos convoca a praticarmos a maior das caridades; a prece em favor dos criminosos.

“Estão próximos os tempos em que nesse planeta reinará a grande fraternidade, em que os homens obedecerão à lei do Cristo, lei que será freio e esperança e conduzirá as almas às moradas ditosas. Amai-vos, pois, como filhos do mesmo Pai; não estabeleçais diferenças entre os outros infelizes, porquanto quer Deus que todos sejam iguais; a ninguém desprezeis. Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações. (...) o socorro das vossas preces: é a verdadeira caridade.

Caros leitores, nesses dias tão desafiadores onde somos convidados a viver como cristãos, deixo para nossa reflexão o ensinamento da ex-princesa de França, Isabel: olharmos o criminoso como nosso próximo e a orarmos por ele, pois somos todos criaturas de Deus e eles não conhecem Deus como nós!

Muita paz!

 

Fontes:

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, FEB

Espíritos do Senhor, organizado por Bárbara Cruz, Elton Rodrigues e Karolina Pereira, CELD

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