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Jornal de Setembro de 2020

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Em 25 de janeiro de 2019, os habitantes de Brumadinho, município situado no estado de Minas Gerais, exatamente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, se defrontaram com um acontecimento funesto e catastrófico.

Volumosa onda de lama surge, após a ruptura da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, em uma velocidade de quase 80 km por hora, ceifando a vida física de centenas de pessoas, como igualmente de animais, acrescido da destruição das residências, plantações e da mata, tudo submergindo na tóxica terra molhada e pastosa.

Diante de tanta angústia e sofrimento, muitas pessoas, certamente, estarão, assim como o profeta Habacuque, bradando a Deus, desejando obter a devida resposta: “Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças?” (...) “Por que me fazes ver a injustiça e contemplar a maldade? (1)

Em 28 de maio de 2006, em visita à Polônia, o Papa Bento XVI, encontrando-se no campo de concentração de Auschwitz, o maior centro de extermínio nazista, surpreendeu a todos os circunstantes, questionando onde se encontrava Deus no holocausto, afirmando que Ele se silenciou e deixou que mais de um milhão de judeus e milhares de ciganos fossem exterminados, tolerando tamanha barbaridade.

 

Jesus esclarece através do Consolador Prometido

 

Realmente se torna misterioso e incompreensível por parte do dogmatismo o esclarecimento para as tragédias que acontecem, confirmando o Cristo ao afirmar que, com a vinda do Consolador (a Doutrina Espírita), surgiria a esperança: os homens não ficariam mais órfãos, o horizonte da libertação humana seria desvendado, através do conhecimento da verdade que liberta, retirando as apertadas algemas da ignorância espiritual. Afinal, muitas coisas haveriam de falar ainda Jesus acerca do Pai (2) e no momento certo, não mais utilizando parábolas (o espírito testifica), mas abertamente (3).

“A Doutrina do Cristo não é mais prisioneira das Escrituras, mas ressonância das vozes do céu (4).” O próprio Mestre disse que voltaria na glória de seu Pai, acompanhado de seus anjos (espíritos superiores) para restabelecer todas as coisas. Ora, diz Kardec que “só se restabelece o que foi desfeito”. De início, o testemunho de Jesus que tinha muitas coisas a ensinar, mas a humanidade de então era muito atrasada espiritualmente (“não podeis suportar agora”). Contudo, deixou uma esperança: Os homens não ficariam mais órfãos.

O filósofo espírita Léon Denis exclamou: “(...) depois de séculos de silêncio, o mundo invisível se descerra; ilumina-se e agita-se até as às suas maiores profundezas. As legiões do Cristo e o próprio Cristo estão em atividade. Soou a hora da nova dispensação” (5).

O Espiritismo ressalta que o Supremo Artífice da Vida não nos julga e nem nos castiga. Ao mesmo tempo, a Doutrina codificada pelo magnânimo Kardec observa a ausência do acaso. Portanto, de início, os profitentes espiritistas sabem que as tragédias, levando às desencarnações coletivas, não decorrem de ocorrências casuais, são resultantes do mau uso do livre-arbítrio, acarretando infrações às Leis divinas e punição no tribunal da própria consciência.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo (6), a Entidade Santo Agostinho enfatiza, confortando, que as provas rudes são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do ser extrafísico. Allan Kardec, perguntando aos Instrutores do Além se, antes de reencarnar, o espírito tem consciência ou previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena, recebeu a seguinte resposta: "Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisto consiste o seu livre-arbítrio" (7).

A desencarnação, o momento certo do falecimento, é realmente predeterminado, ensinando a Doutrina Espírita que o instante da morte é fatal, no verdadeiro sentido da palavra e chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podemos furtar (8). Igualmente, frisa que, quando é chegado o momento do nosso retorno para a Dimensão Espiritual, nada nos livrará e também relata que já sabemos o gênero de morte pelo qual partiremos daqui, pois isso nos foi revelado quando fizemos a escolha desta ou daquela existência (9).

Enfatizou o Cristo: "Em verdade te digo que não sairás da prisão enquanto não pagares o último centavo" (Mateus 5:26). Segundo o ensinamento dos espíritos, o sofrimento vivenciado na dimensão extrafísica, confirmando o Mestre Jesus, é transitório, em desacordo com o dogmatismo, que enfatiza ser a pena ininterrupta. Contudo, tanto a afirmação crística, quanto o que instrui o Espiritismo, são unânimes ao ressaltar que há necessidade de o infrator resgatar o seu débito (pagar o último centavo) e receber concomitante o livramento desejável.

Jesus alude a uma prisão e, verdadeiramente, o relato das entidades, documentado por Kardec, é deveras impressionante, aludindo a um sofrimento atroz vivenciado por seres que se encontram jungidos às suas vítimas e subjugados por um atroz remorso, desejando com ardor a libertação interior, o que só conseguirão quando reencarnarem e sofrerem a depuração necessária. Antes de saldarem o seu débito, encontravam-se como algozes. Após o expurgo redentor, deixam de ser vilões e tornam-se vítimas, não mais envolvidos pela atmosfera predominante do mal.

A ação do resgate pode acontecer, correlacionando-a com o tipo de infração. Se o mal foi praticado coletivamente, isto é, através de um conluio lastimável de verdugos, a liquidação dos débitos acontecerá ("O escândalo é necessário”) com a presença de todos os protagonistas envolvidos, processo conhecido, no Espiritismo, como expiação coletiva (10).

Antes da experiência purificatória, vivenciavam os espíritos a culpa e o remorso cruéis, sentindo-se como algozes, necessitando de refazimento. Infelizmente, vários indivíduos em grupo, em uma vivência terrena, foram catalogados pelas leis divinas, por terem-nas descumprido e sofrem em demasia na dimensão extrafísica. Portanto, é imperiosa e misericordiosa a ação de reajuste e “sucede que os seres humanos, que devem dar essa reparação, se reúnem num ponto pela força do destino, para sofrerem, numa morte trágica, as consequências de atos que têm relação com o passado anterior ao nascimento. Daí as mortes coletivas, as catástrofes que lançam no mundo um aviso. Aqueles que assim partem, acabaram o tempo que tinham de viver e vão preparar-se para existências melhores” (11).

 

O que diz o Espiritismo sobre a expiação coletiva?

 

O estudo profundo da Doutrina Espírita nos leva ao entendimento dos fatores causais das calamidades, opondo-se aos que põem a causa de lado, por falta de explicações suficientes e convincentes. Em Obras Póstumas, no cap. intitulado "Questões e Problemas", há uma abordagem especial de Kardec e dos espíritos a respeito das expiações coletivas, comprovando a entidade Clelie Duplantier que faltas coletivas devem ser expiadas coletivamente pelos que, juntos, a praticaram. Disse que todas as faltas, quer do indivíduo, quer de famílias e nações, seja qual for o caráter, são expiadas em cumprimento da mesma lei.

Assim como existe a expiação individual, o mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por mais de uma pessoa. A propósito, o Codificador, em A Gênese, no capítulo 18, item 9, chama-nos à atenção de que a humanidade é um ser coletivo no qual acontecem as mesmas revoluções morais que em cada ser individual.

Duplantier afirma também que, graças à Doutrina Espírita, a justiça das provações é agora compreendida e não decorre dos atos da vida presente, porque corresponde ao resgate das dívidas do passado. Depois afirma que haveria de ser assim com relação às provas coletivas, que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se reencontram para sofrerem juntos a pena de Talião.

O relato de presença de crianças como pacientes de tragédias angústia às pessoas que não entendem essas mortes prematuras, muitas até demonstrando sentimento de revolta, desde que tampam seus olhos, não deixando penetrar os clarões luminosos do “nascer de novo”, desconhecendo a justiça divina estampada na doutrina da reencarnação.

Mais uma vez, Léon Denis, brilhante como sempre, concilia esses fatos à harmonia universal, ensinando: “As existências interrompidas prematuramente por causa de acidentes chegaram ao seu termo previsto. São em geral, complementares de existências anteriores, truncadas por causa de abusos ou excessos. Quando, em consequências de hábitos desregrados, se gastaram os recursos vitais antes da hora marcada pela natureza, tem-se de voltar a perfazer, numa existência mais curta, o lapso de tempo que a existência precedente devia ter normalmente preenchido”. (12).

Portanto, o acaso não tem participação nas determinações divinas. O Pai nos ama incondicionalmente e nos proporciona a oportunidade da redenção espiritual, dando-nos a chance bendita de resgatarmos as infrações do passado contrárias às Suas Leis, de várias formas, inclusive coletivamente. As expiações coletivas oferecem o ensejo de progredirmos mais depressa no rumo evolutivo, “realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos” (13).

Allan Kardec afirma que a lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode, então, o condenado reconhecer que sofre a consequência do que fez (...) Deus, porém, quer que todas as suas criaturas progridam e, portanto, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto. Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis consequências, mais ou menos deploráveis” (14).

Em verdade, o ser anseia por sua libertação. Como diz a Bíblia, Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” (15). Intuitivamente ele sabe que é imortal e que um futuro de paz e harmonia interior lhe esperam no final dos embates terrenos. Então, “Deus lhes enxugará dos olhos toda a lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (16).

Que pensemos nas vítimas do acidente da Vale, em Brumadinho, como seres libertos dos liames terrenos, que se encontram espiritualmente bem, amparados pelos trabalhadores espirituais de Jesus, os quais constituem as diversas falanges de abençoados “samaritanos”, seguindo o ensinamento do Mestre, exatamente o que estabelece “amar ao seu próximo como a si mesmo” (17).

Que a luz redentora do Cristo ilumine a todas as vítimas da tragédia, regressando à dimensão da imortalidade como “filhos pródigos”, os quais já passaram pela aflição e são recebidos por um Pai, que nunca se encontrou ausente ou indiferente. Muito pelo contrário, enquanto seus filhos passavam pelos embates dolorosos da vida, pacientemente os protegia e aguardava o momento final para lhes conceder o laurel da vitória conquistada.

 

                Bibliografia:

  1. Livro de Habacuque, Antigo Testamento, Bíblia On-line, Cap. I, vers. 1 e 3;
  2. O Evangelho de João, 16:12;
  3. O Evangelho de João, 16:25;
  4. O Evangelho segundo o Espiritismo, introdução, item I;
  5. Cristianismo e Espiritismo, conclusão;
  6. O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 14, item 9;
  7. O Livro dos Espíritos, questão 258;
  8. O Livro dos Espíritos, questão 853;
  9. O Livro dos Espíritos, questão 853 (a);
  10. Evangelho de Mateus, cap. 18: versículo 7;
  11. O Problema do Ser do Destino e da Dor, Léon Denis, primeira parte, item X;
  12. Idem;
  13.   O Livro dos Espíritos, questão 737;
  14. O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo V, item 5;
  15. O Livro de Eclesiastes, cap. 3, versículo 11;
  16. O Livro do Apocalipse, cap. 21, versículo 40.         
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