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Mas afinal, o que é Esperanto?

Isto é o que muita gente deve estar se perguntando. Não é raro encontrar uma pessoa que jamais tenha ouvido falar da língua internacional Esperanto, e por isso não acredite que alguma coisa assim possa existir e realmente funcionar!

Para que o Esperanto surgiu?

Publicado em 1887 por um jovem oftalmologista polonês, L. L. Zamenhof, o Esperanto não foi criado para substituir as demais línguas do mundo. Pelo contrário! O uso de uma língua que não dá privilégios a este ou aquele grupo de países só vem valorizar a importância das línguas nacionais na expressão de suas culturas. E é por isso, claro, que o Esperanto é internacional. Se fosse propriedade de alguém, de algum lugar, de alguma corrente ideológica, perderia sua principal característica, que o torna independente e aceito em qualquer lugar: a neutralidade.

Sim, existem muitos meios de se ter contatos internacionais - o Esperanto é apenas um deles. No entanto, merece uma atenção toda especial, por algumas características que o tornam único.

Quem foi Ludwik Lejzer Zamenhof?

Ludwik Lejzer ZamenhofO oftalmologista e filólogo Dr. Ludwik Lejzer (Ludovic Lazarus) Zamenhof (15 de Dezembro 1859 - 14 de Abril 1917) é o criador da língua internacional Esperanto. Zamenhof se criou na cidade de Bialystok, que naquela época era parte do Império russo, mas atualmente pertence à Polônia. Naquela época, falavam-se muitas línguas em Bialystok, gerando muitas dificuldades de compreensão entre as diversas culturas. Isto lhe motivou buscar uma solução para o problema, e durante anos, foi desenvolvendo o Esperanto em um processo longo e trabalhoso. Continuou com os seus esforços apesar de que no ano 1879 ter aparecido o Volapük, que era um projeto de língua internacional criado por Johann Martin Schleyer e que desapareceu depois do lançamento do Esperanto. Zamenhof havia aprendido o Volapük, mas os defeitos dessa língua o motivaram a prosseguir com os seus planos. Finalmente, no ano 1887 e com a ajuda econômica de seu cunhado, logrou publicar um pequeno manual intitulado Internacia Lingvo (Língua Internacional em esperanto) com pseudônimo de Doutor Esperanto, palavra que acabou por se converter no nome de sua criação.

Zamenhof morreu em Varsóvia em 1917. Os seus três filhos foram assassinados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (os Zamenhof eram uma família judia). Os primeiros anos da história do Esperanto são muito ricos de acontecimentos.

Ainda hoje, sobrevive um neto de Zamenhof, Louis-Christophe Zaleski-Zamenhof, filho de Adamo Zamenhof, que salvou-se milagrosamente da chacina de Hitler contra os judeus e que viveu sob o nome da família católica polonesa Zaleski.

"O Esperanto não é uma religião? Ah, isso é língua de espírita..."

Ora, você já imaginou se as pessoas tachassem uma cadeira de "católica" e um tapete de "muçulmano", pelo simples fato de serem usados numa igreja e numa mesquita? Pois é o que muitas vezes aconteceu com o Esperanto! Confundiu-se (e algumas pessoas ainda hoje confundem) o instrumento com o usuário. Uma pessoa que fala Esperanto tem suas idéias e ideologias que lhe pertencem e não devem ser caracterizadas como sendo do Esperanto.

No Brasil desde 1910 os espíritas adotaram (com sucesso) o Esperanto como veículo de divulgação de suas convicções e tornaram-se um dos principais editores de material nessa língua em nosso país, pois conseguem através do Esperanto atingir muitos países que de outra forma não conseguiriam. Mas o que diriam por exemplo a Radio Vaticana, a filosofia japonesa Oomoto, ou - ainda - os membros da ATEO-associação de ateus esperantistas se alguém lhes dissesse "isto é coisa de espíritas"?! É claro que morreriam de rir! Além do fato que a mais antiga revista em Esperanto ainda em circulação é a Espero Katolika, criada em 1903...

A própria idéia de uma comunicação sem imposições e igualitária, que favorece uma convivência harmoniosa entre seus falantes das mais diversas correntes, faz nascer um sentimento básico comum a qualquer esperantista: respeito à liberdade de opinião, à diversidade cultural e filosófica, e à neutralidade intrínseca ao movimento esperantista.

Voltando ao Vaticano, ouça* aqui uma famosa personagem falando em Esperanto - o papa João Paulo II dá as boas-vindas e também despede-se durante um encontro mundial de jovens católicos na Polônia em 1991. Nas principais audiências públicas internacionais (Páscoa, Natal), o papa faz um pronunciamento em mais de 55 línguas, sendo as últimas em geral em esperanto, em polonês (sua língua materna) e em latim (língua oficial da Igreja Católica).

"O Esperanto não é uma língua morta como o hebraico e o latim?"

Esta pergunta foi ouvida num estande da Bienal do Livro de São Paulo e mostra o grau de desinformação de muitas pessoas quanto à realidade lingüística.

Como pode estar morto se nele se produzem diariamente correspondência, viagens, intercâmbios, literatura original e traduzida, música, negócios, encontros (e casamentos...)? Também não deve ser considerada "artificial", pois esse é um termo incorreto na classificação de uma língua. O Esperanto é planejado e estruturado para a função que tem.

O latim teve seu papel histórico e é importante para o estudo etimológico. No Vaticano os documentos são traduzidos para o latim, mas na abertura da última reunião de Cardeais em 2001, o Papa falou em italiano. É pena, pois pelo menos o latim tinha a vantagem de ser supra-nacional.  Por não ter a flexibilidade e a clareza necessárias a uma língua internacional teve sua função cada vez mais limitada. (ah, e quanto ao hebraico: ela é uma língua viva - é a língua oficial e de fato em Israel!).

"O Esperanto não fracassou?"

Em fevereiro de 96, a rádio Paris Première entrevistou o linguista e erudito italiano Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa, A Ilha do Meio do Mundo e Em Busca da Língua Perfeita, entre outros.

"...Estudei um pouco de todas essas utopias a respeito da criação de uma língua perfeita ou da original, a chamada língua de Adão, até aquelas a que chamam de universais, como é o esperanto, o volapük e outras, que não pretendem ser perfeitas, e sim línguas auxiliares.

Nessas ocasiões cheguei a estudar a gramática do esperanto para saber do que se trata. E cheguei a duas conclusões: ele é uma língua muito, muito bem elaborada. Do ponto de vista lingüístico, ele realmente segue critérios de economia (lingüística) e de eficiência admiráveis. Segundo, todos os movimentos em favor de línguas internacionais fracassaram, porém não o do esperanto, que permance unindo grupos de pessoas em todas as partes do mundo, porque por trás do esperanto existe um idéia, um ideal; pretendo que Zamenhof não apenas construiu um objeto lingüístico, mas por trás disso havia uma idéia (...) idéia de fraternidade, idéia pacifista - foram até perseguidos pelo nazismo e pelo stalinismo - que ainda mantém a comunidade dos esperantistas.

Não se pode dizer que ele fracassou. Mas é preciso dizer uma coisa: o motivo pelo qual uma língua triunfa é sempre indefinível".

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